Preocupações da AIE com segurança de abastecimento aumentam. Mais de metade das reservas já foram libertadas

Com as reservas de petróleo dos membros da AIE já em grande parte libertadas, os constrangimentos aos mercados energéticos decorrentes da guerra alarmam.

A Agência Internacional de Energia (AIE) dá conta que quase três quartos das reservas de petróleo que os seus membros combinaram libertar já chegaram ao mercado. Em paralelo, a escalada no conflito entre Estados Unidos e Irão “aumenta as preocupações com a segurança do abastecimento”. Os produtos refinados estão a ser especialmente castigados, face ao barril de petróleo bruto, e os constrangimentos no fluxo de gás natural liquefeito “será sentido por todos os importadores”, incluindo a Europa, numa altura chave de reposição de reservas, alerta o responsável máximo da agência.

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Desde que foi feito o anúncio, a 11 de março, de que os países membros da AIE iriam libertar, em conjunto, 400 milhões de barris de petróleo ao mercado retirados das suas reservas, estes “já libertaram cerca de 290 milhões de barris, continuando mais volumes a chegar ao mercado”, indica o diretor Executivo da AIE, Fatih Birol, num comunicado partilhado com a imprensa.

A contabilização é feita numa altura de fragilidade. “A escalada das hostilidades que afeta o Estreito de Ormuz e as infraestruturas energéticas da região aumenta as preocupações com a segurança do abastecimento e a incerteza quanto às perspetivas do mercado”, afere Birol, destacando pela negativa as ameaças ao estreito de Bab el-Mandeb, uma rota alternativa a Ormuz que pode agora ser bloqueada.

A escalada das hostilidades que afeta o Estreito de Ormuz e as infraestruturas energéticas da região aumenta as preocupações com a segurança do abastecimento e a incerteza quanto às perspetivas do mercado.

Fatih Birol

Diretor Executivo da AIE

Apesar destes pontos negativos, “os mercados de petróleo bruto continuam a beneficiar de vários fatores de amortecimento”, contrabalança o diretor da AIE. Numa ótica mais adjuvante, estão os “volumes significativos” provenientes dos produtores do Golfo, em particular a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que continuam a chegar aos mercados mundiais através de rotas alternativas. Apesar de as exportações do Golfo, nas estimativas da AIE, devam situar-se agora abaixo dos máximos registados no final de junho, mantêm-se “consideravelmente acima” dos níveis observados entre o início de março e meados de junho.

Também a acalmar os mercados está o aumento de exportações de combustíveis fósseis com origem noutros países, como os Estados Unidos, o Brasil, a Venezuela e o Cazaquistão. Do lado da procura, regista-se uma quebra de 50% nas importações de petróleo bruto por parte da China, que também está a ter “um papel importante na estabilização dos mercados”.

Gasóleo e gasolina “consideravelmente” mais pressionados que petróleo

O diretor Executivo da AIE deixa ainda uma nota especial para a distinção entre o mercado de petróleo bruto e de produtos refinados, como o gasóleo e gasolina. “A atividade das refinarias e o abastecimento de produtos refinados não aumentaram tanto quanto as entregas de petróleo bruto, o que significa que os mercados de produtos petrolíferos refinados, incluindo gasóleo e gasolina, se encontram consideravelmente mais pressionados do que o mercado de petróleo bruto”, explica.

Esta tem sido uma distinção invocada pelas empresas do setor em Portugal para justificar os preços persistentemente altos nas bombas de gasolina, enquanto a cotação do barril de petróleo viveu um alívio significativo.

Mercado de Gás natural liquefeito continua “apertado”

Nos mercados de gás natural, o aumento dos fluxos de gás natural liquefeito (GNL) provenientes de países como os Estados Unidos e também e o Canadá, “compensou cerca de 70% da perda de abastecimento através do Estreito de Ormuz”, indica Birol.

Ainda assim, os atrasos na retoma das exportações com origem no Golfo “poderão manter os mercados mais apertados durante mais tempo”, diz, para depois alertar: “Este impacto será sentido por todos os importadores de GNL, incluindo a Europa, numa altura em que procura reconstituir as suas reservas de gás para o próximo inverno”.

“A AIE continua a defender que uma resolução do conflito em curso, que inclua a reabertura total e incondicional do Estreito de Ormuz, será essencial para evitar um maior agravamento da segurança energética mundial”, conclui Birol.

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