Kristin: Pagamento de indemnizações supera 2,5 mil milhões de euros. Ainda há telefones sem “sinal”

No Parlamento, líder da estrutura de missão de recuperação do Centro apresentou contas atualizadas das indemnizações e apoios pagos pelo Estado e seguradoras. Ainda há 2.600 pessoas sem comunicações.

Quatro meses após a passagem da depressão Kristin pela região centro do país, os apoios e indemnizações para habitação, empresas, emprego, agricultura e floresta somam 3.517 milhões de euros mobilizados, dos quais mais de dois terços estão pagos, revelou o presidente da estrutura de missão da região Centro nesta quinta-feira.

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Na primeira audição parlamentar organizada pela Comissão Eventual para a Resiliência Nacional, Prevenção de Catástrofes Naturais e Acompanhamento do PTRR, Paulo Fernandes revelou os dados atualizados pela entidade que lidera. Mobilizados entre seguros, políticas públicas e entidades privadas, 2.598 milhões estão pagos e 919 milhões encontram-se provisionados.

Apoios e indemnizações para habitação, empresas, emprego, agricultura e floresta somam 3.517 milhões de euros mobilizados, dos quais mais de dois terços estão pagos.

Dos 10.114 processos abertos pelo Banco Português de Fomento, já chegaram às empresas 1.610 milhões dos 1.960 milhões de euros de candidaturas. Ainda do lado das empresas, o apoio ao emprego providenciado pelo Estado permitiu abranger 150 mil trabalhadores (de mais de 12 mil empresas) no que concerne à principal medida, a isenção de contribuições, o que gerou uma despesa de 177 milhões de euros.

As seguradoras abriram ao longo destes quatro meses 173.130 processos, com mais de 620 milhões de euros pagos e 588 milhões por pagar, mas provisionados.

Na habitação, as seguradoras pagaram 489 milhões de euros e têm 143 milhões provisionados. Para empresas, estão pagos 173 milhões e há 445 milhões provisionados.

Das 35 mil casas com prejuízos até 10 mil euros, apenas 31% têm seguro referenciado, notou Paulo Fernandes. No balanço mais atual da análise, destes pedidos de apoio para reparação de casas até aos 10 mil euros, 74% das candidaturas estão avaliadas, das quais cerca de 30% de foram indeferidas, abaixo dos 40% do anterior balanço feito por Paulo Fernandes no Parlamento.

É importante o edifício, pela complexidade das máquinas, os moldes, por exemplo, mas o que não podemos é não olhar para o negócio. Se o negócio se perde, o impacto é muito maior. Do ponto de vista dos seguros, é preciso encontrar soluções para que entre [na apólice] a componente maior da atividade.

Numa das notas que deixou nas respostas aos deputados da comissão, Fernandes indicou que apenas 9% do valor pago nos seguros é relativo a perda de negócio. “Não podemos ter isto. É importante o edifício, pela complexidade das máquinas, os moldes, por exemplo, mas o que não podemos é não olhar para o negócio. Se o negócio se perde, o impacto é muito maior. Do ponto de vista dos seguros, é preciso encontrar soluções para que entre [na apólice] a componente maior da atividade”.

Em Espanha, na tempestade que assolou Valência, a perda de negócio estava incluída em metade das indemnizações pagas pelas seguradoras.

O comboio de tempestades iniciado a 28 de fevereiro pela depressão Kristin gerou prejuízos de 5,3 mil milhões de euros e impactou 900 mil hectares de floresta em 122 municípios.

Um milhão de pessoas ficou sem eletricidade e 500 mil utilizadores ficaram sem serviço de telecomunicações, 200 mil na rede fixa e 300 mil no móvel. Do total, 2600 utilizadores da rede fixa ainda estão sem sinal. “Está a ser difícil fechar, para que ninguém fique de fora nas comunicações fixas”, assumiu Paulo Fernandes.

O líder da estrutura de missão deixou ainda uma previsão que por estes dias é consensual entre as autoridades: “Sabemos bem que vamos continuar a ter, com maior frequência, acontecimentos que se encaixam nas catástrofes naturais”, designadamente fenómenos de chuva, vento e fogos florestais, notou.

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