Ucrânia. Ataques com drones provocam escassez de combustível e expõem fragilidade da Rússia

  • Tiago Martins d'Oliveira
  • 29 Junho 2026

Putin admitiu que os ataques ucranianos a refinarias russas provocam escassez de combustível na Rússia. Estónia defende a continuação da ofensiva e diz que a queda de drones em zona NATO é aceitável.

A campanha de ataques com drones de longo alcance da Ucrânia está a provocar escassez de combustível na Rússia, forçando várias regiões a racionar gasolina e levando Putin a reconhecer que os ataques contra refinarias estão a afetar a produção energética do país. Ao mesmo tempo, a Estónia considera que os danos causados à economia russa compensam o risco de alguns drones caírem em território da NATO.

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“Estes ataques às nossas infraestruturas estão a criar problemas, isso é evidente”, admitiu Vladimir Putin numa entrevista transmitida pela televisão estatal russa, citado pelo Financial Times. Foi a primeira vez que o líder da Rússia reconheceu que os avanços da tecnologia ucraniana de drones têm prejudicado o Kremlin.

O presidente russo reconheceu que o país enfrenta “uma certa escassez” de combustíveis, embora tenha garantido que a situação “não é crítica” e que o Governo está a aumentar as importações para compensar o défice, ao mesmo tempo que reforça as defesas antiaéreas em torno das refinarias.

Apesar do impacto que os gastos militares têm causado nas finanças públicas russas, que representam quase metade do orçamento do país, Putin assegurou que a ofensiva militar continuará, afirmando que a Rússia pretende manter o controlo sobre o Donbass e expandir a sua influência para a região histórica de “Novorossiya”, designação utilizada pelo Kremlin para reivindicar vastas áreas do sul da Ucrânia, incluindo zonas que nunca controlou durante a guerra, como Odessa.

A Estónia – um dos países do Báltico que tem sofrido várias incursões aéreas russas – considerou que a queda de drones em território NATO é um preço aceitável em troca da destruição de refinarias de combustível e bases militares da Rússia.

“É claro que não estamos felizes com [estes incidentes]. Mas também não dizemos à Ucrânia para parar. Estes ataques atingem a linha de vida de Putin”, sublinhou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia, Margus Tsahkna, ao jornal britânico.

Para Tsahkna, os ataques às bases militares e infraestruturas petrolíferas estão a exercer uma pressão económica crescente sobre Moscovo, alterando o ambiente político no Kremlin.

“Sabemos que o tom em torno de Putin mudou nos últimos dois meses e meio… Já não é tão otimista. A principal razão é económica – por causa destes ataques profundos”, afirmou o ministro da Estónia, mencionado pelo mesmo jornal.

Numa altura em que a União Europeia procura estabelecer contactos diretos com a Rússia, o ministro estónio alertou que seria um erro o bloco europeu suavizar a pressão sobre Moscovo apenas porque decorrem contactos diplomáticos.

“Antes de a Europa decidir quem nos deve representar [nas negociações com a Rússia], devemos primeiro concordar qual é a mensagem comum e só depois discutir quem será o mensageiro”, aferiu.

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