Gastos militares já consomem metade do orçamento da Rússia

  • Tiago Martins d'Oliveira e Lusa
  • 25 Junho 2026

Os custos da guerra com a Ucrânia estão a agravar a pressão sobre as finanças da Rússia, com a despesa em defesa a disparar e o crescimento económico a cair para mínimos.

O forte aumento dos gastos com a guerra na Ucrânia está a pressionar cada vez mais as finanças públicas russas, com a despesa militar a representar já quase metade do orçamento do país e a contribuir para uma desaceleração acentuada da economia do país.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

Apesar de Moscovo ter planeado reduzir o peso da defesa no Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 8% em 2025 para pouco mais de 6% este ano, a realidade seguiu o caminho oposto. Nos primeiros três meses do ano, a despesa militar aumentou 30% face ao período homólogo, atingindo o equivalente a 12% da produção económica russa, segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI – Stockholm International Peace Research Institute), citados pela Reuters.

De acordo com Janis Kluge, investigador do Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança, os gastos no setor da defesa representam atualmente quase metade de todo o orçamento do Estado russo.

A pressão sobre as contas públicas surge numa altura em que vários responsáveis económicos russos têm alertado Vladimir Putin para os riscos de um esforço militar prolongado. As fábricas ligadas à produção de armamento militar operam perto do limite da capacidade, enquanto o Governo tem sido obrigado a aumentar os salários e incentivos para recrutar militares para a frente de combate contra a Ucrânia.

Ao mesmo tempo, o resto da economia do país começa a paralisar, dado que em maio as previsões oficiais de crescimento para este ano foram revistas em baixa, passando de 1,3% para apenas 0,4%, noticiou na altura o jornal britânico Financial Times.

Apesar destes alertas, o presidente russo tem desvalorizado o abrandamento económico, defendendo que a desaceleração é normal após os níveis de crescimento registados nos últimos anos.

Petróleo dá algum alívio, mas riscos mantêm-se

As receitas petrolíferas continuam a ser um dos principais suportes das finanças russas. No entanto, os preços do petróleo bruto do país voltaram ao nível de fevereiro e a recuperação dos preços do crude poderá ser limitada caso se mantenha o entendimento entre os Estados Unidos e o Irão, que garante a estabilidade da navegação no Estreito de Ormuz.

Além disso, a valorização da moeda russa, o rublo, apoiada pela política monetária restritiva do banco central, limita o montante de receitas fiscais obtidas pelo Kremlin através das exportações de petróleo denominadas em dólares.

A governadora do Banco da Rússia, Elvira Nabiullina, tem insistido na necessidade de manter uma política monetária prudente para controlar a inflação. Na semana passada, a autoridade monetária reduziu a taxa de juro de referência apenas em 25 pontos base para 14,25%, contrariando as expectativas de Putin de um corte mais expressivo.

Nabiullina alertou que a taxa de inflação, atualmente nos 5,6%, continua acima do objetivo e apontou o aumento da despesa pública como um dos fatores que alimentam as pressões sobre os preços.

Ademais, a Ucrânia tem mostrado capacidade de atingir com drones a infraestrutura petrolífera da Rússia, incluindo nas cidades de São Petersburgo e Moscovo, o que afeta as capacidades económicas russas.

Rússia vai cortar energia na Crimeia devido a ataques ucranianos

A Rússia anunciou esta quinta-feira que serão feitos cortes de energia temporários em toda a Crimeia, região da Ucrânia anexada por Moscovo, devido aos recentes ataques ucranianos às infraestruturas energéticas.

A infraestrutura energética foi danificada por ataques inimigos e, por esse motivo, vão ocorrer cortes temporários de energia em toda a Crimeia”, afirmou o responsável da região nomeado por Moscovo, Serguei Aksyonov, numa mensagem publicada nas redes sociais.

Aksyonov garantiu que “os cortes serão direcionados” de acordo com a necessidade, assegurando que a “segurança alimentar” e os “medicamentos necessários” vão continuar disponíveis.

(Notícia atualizada às 15h45 com mais informação)

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Gastos militares já consomem metade do orçamento da Rússia

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião