Gastos militares já consomem metade do orçamento da Rússia
Os custos da guerra com a Ucrânia estão a agravar a pressão sobre as finanças da Rússia, com a despesa em defesa a disparar e o crescimento económico a cair para mínimos.
O forte aumento dos gastos com a guerra na Ucrânia está a pressionar cada vez mais as finanças públicas russas, com a despesa militar a representar já quase metade do orçamento do país e a contribuir para uma desaceleração acentuada da economia do país.
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Apesar de Moscovo ter planeado reduzir o peso da defesa no Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 8% em 2025 para pouco mais de 6% este ano, a realidade seguiu o caminho oposto. Nos primeiros três meses do ano, a despesa militar aumentou 30% face ao período homólogo, atingindo o equivalente a 12% da produção económica russa, segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI – Stockholm International Peace Research Institute), citados pela Reuters.
De acordo com Janis Kluge, investigador do Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança, os gastos no setor da defesa representam atualmente quase metade de todo o orçamento do Estado russo.
A pressão sobre as contas públicas surge numa altura em que vários responsáveis económicos russos têm alertado Vladimir Putin para os riscos de um esforço militar prolongado. As fábricas ligadas à produção de armamento militar operam perto do limite da capacidade, enquanto o Governo tem sido obrigado a aumentar os salários e incentivos para recrutar militares para a frente de combate contra a Ucrânia.
Ao mesmo tempo, o resto da economia do país começa a paralisar, dado que em maio as previsões oficiais de crescimento para este ano foram revistas em baixa, passando de 1,3% para apenas 0,4%, noticiou na altura o jornal britânico Financial Times.
Apesar destes alertas, o presidente russo tem desvalorizado o abrandamento económico, defendendo que a desaceleração é normal após os níveis de crescimento registados nos últimos anos.
Petróleo dá algum alívio, mas riscos mantêm-se
As receitas petrolíferas continuam a ser um dos principais suportes das finanças russas. No entanto, os preços do petróleo bruto do país voltaram ao nível de fevereiro e a recuperação dos preços do crude poderá ser limitada caso se mantenha o entendimento entre os Estados Unidos e o Irão, que garante a estabilidade da navegação no Estreito de Ormuz.
Além disso, a valorização da moeda russa, o rublo, apoiada pela política monetária restritiva do banco central, limita o montante de receitas fiscais obtidas pelo Kremlin através das exportações de petróleo denominadas em dólares.
A governadora do Banco da Rússia, Elvira Nabiullina, tem insistido na necessidade de manter uma política monetária prudente para controlar a inflação. Na semana passada, a autoridade monetária reduziu a taxa de juro de referência apenas em 25 pontos base para 14,25%, contrariando as expectativas de Putin de um corte mais expressivo.
Nabiullina alertou que a taxa de inflação, atualmente nos 5,6%, continua acima do objetivo e apontou o aumento da despesa pública como um dos fatores que alimentam as pressões sobre os preços.
Ademais, a Ucrânia tem mostrado capacidade de atingir com drones a infraestrutura petrolífera da Rússia, incluindo nas cidades de São Petersburgo e Moscovo, o que afeta as capacidades económicas russas.
Rússia vai cortar energia na Crimeia devido a ataques ucranianos
A Rússia anunciou esta quinta-feira que serão feitos cortes de energia temporários em toda a Crimeia, região da Ucrânia anexada por Moscovo, devido aos recentes ataques ucranianos às infraestruturas energéticas.
“A infraestrutura energética foi danificada por ataques inimigos e, por esse motivo, vão ocorrer cortes temporários de energia em toda a Crimeia”, afirmou o responsável da região nomeado por Moscovo, Serguei Aksyonov, numa mensagem publicada nas redes sociais.
Aksyonov garantiu que “os cortes serão direcionados” de acordo com a necessidade, assegurando que a “segurança alimentar” e os “medicamentos necessários” vão continuar disponíveis.
(Notícia atualizada às 15h45 com mais informação)
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