Cluster Coimbra Supernova arranca rumo ao espaço
"Posicionar Coimbra como região líder do Espaço em Portugal e uma referência ibérica no setor" está entre os objetivos do novo cluster Coimbra Supernova.
Dar visibilidade nacional e internacional ao que já se faz no setor espacial e atrair mais empresas e profissionais para a região centro está na base do novo cluster Coimbra Supernova, uma iniciativa conjunta do Instituto Pedro Nunes, Universidade de Coimbra e Câmara Municipal de Coimbra, apresentado esta segunda-feira. Espera-se que o número de empregos em torno do espaço duplique nos próximos anos.
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“Embora Coimbra esteja na vanguarda tecnológica em muitas áreas e possua grande dinamismo económico e institucional no setor espacial, o seu real valor ainda não é projetado para o exterior. Ao estruturar e dar visibilidade a este cluster, a região pretende consolidar-se como um destino preferencial para empresas e profissionais que procuram construir uma carreira de excelência ligada ao Espaço”, justifica João Gabriel Silva, presidente do Instituto Pedro Nunes (IPN), ao ECO/eRadar sobre a iniciativa da qual o IPN é um dos promotores, juntamente com a Universidade de Coimbra e a autarquia local.
Ao estruturar e dar visibilidade a este cluster, a região pretende consolidar-se como um destino preferencial para empresas e profissionais que procuram construir uma carreira de excelência ligada ao Espaço.
“Dar visibilidade nacional e internacional ao que já se faz na região” é, portanto, a “principal motivação” para o Coimbra Supernova, com um objetivo concreto: “Posicionar Coimbra como região líder do Espaço em Portugal e uma referência ibérica no setor”, aponta. “A Região Centro é atualmente a única em Portugal a incluir o Espaço como uma prioridade na sua Estratégia de Especialização Inteligente, o que mostra a sua relevância”, destaca.
Ativos na região
Em Coimbra já estão instaladas empresas com percurso no setor espacial. Há uma “ligação histórica” da Critical Software à NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA); a Active Space Technologies está ligada a “múltiplos projetos” da ESA; a Neuraspace (antiga incubada do IPN) já está a operar e a Open Cosmos abriu uma delegação no IPN “com previsão de fabrico de pelo menos 10 satélites por ano”, e as duas “trouxeram novas capacidades industriais”, elenca João Gabriel Silva.
O IPN também mantém uma ligação de mais de uma década ao setor. Desde 2014, acolhe uma incubadora da ESA, tendo desde então apoiado mais de 70 startups e scaleups, como a Stratio, a Spotlite, a Connected — entretanto adquirida pela Open Cosmos — e a DEIMOS.
Este ano, essa incubadora transformou-se no ESA BIC Centro. O IPN continua a liderar este centro — um dos dois que, desde este ano, a ESA tem em Portugal — que vai selecionar e financiar anualmente até seis startups. O Technology Brokers e o Ambassadors Platform, para além da organização anual da Space Summer School, já na sua 11ª edição e que atrai cerca de 50 estudantes de todo o país para Coimbra, são outras das iniciativas realizadas pelo IPN para a dinamização do setor espacial.

A região e a indústria também beneficia do trabalho que tem vindo a ser feito pela Universidade de Coimbra, “com uma forte componente de investigação dedicada aos problemas específicos da exploração espacial, centralizada no UC Space Hub”, destaca João Gabriel Silva. Estando ainda este ano previsto o lançamento de uma nova licenciatura em Engenharia Aeroespacial garantindo “formação contínua de talento altamente qualificado”.
Mas não só. Em Pampilhosa da Serra está instalada uma “infraestrutura de observação e rastreio espacial” que “adiciona valências únicas de dark sky e ground segment, e que complementam perfeitamente as atividades de upstream e downstream desenvolvidas em Coimbra”, elenca.
“Este cluster conta com o apoio estratégico da Câmara Municipal de Coimbra e com a coordenação supramunicipal da CIM Região de Coimbra, que garante a coerência territorial à escala regional”, refere ainda.
Atrair financiamento e talento
Atrair investimento público e privado do setor para a região está igualmente entre os objetivos, embora não sejam adiantados valores.
“Sendo um cluster de base tecnológica e com pendor industrial, a atração de investimento é um pilar central para sustentar o crescimento e garantir a competitividade global das empresas e das tecnologias desenvolvidas em Coimbra”, admite João Gabriel Silva. “Ao dar visibilidade ao cluster transmite-se a potenciais investidores que o ecossistema existente oferece boas condições à instalação de novas empresas, pelo que a fonte de financiamento principal é privada”, refere.
O investimento público por via dos programas de apoio ao investimento, por exemplo através do Portugal 2030, é igualmente importante, mas em primeiro lugar é necessário que existam sólidos projetos com perspetiva industrial, e isso provém da iniciativa privada.
“Naturalmente, o investimento público por via dos programas de apoio ao investimento, por exemplo através do Portugal 2030, é igualmente importante, mas em primeiro lugar é necessário que existam sólidos projetos com perspetiva industrial, e isso provém da iniciativa privada”, conclui.
Este investimento irá “alimentar o ecossistema como um todo”, focando-se no apoio às startups e nas empresas não só para “transformar investigação científica em produtos comerciais prontos para o mercado espacial global”, ou seja, para “um time-to-market mais rápido”, mas também financiar infraestruturas.
“Um exemplo concreto é o trabalho que o IPN desenvolveu com a Open Cosmos para criar as condições industriais necessárias — por meio da criação de uma Sala Limpa nas instalações do IPN — para atingir o ritmo industrial planeado”, aponta.
O setor do Espaço já assegura algumas centenas de postos de trabalho na região, cujo número mais elevado se localiza em empresas de maior dimensão como a Critical Software, sendo realista esperar que o número duplique no espaço de poucos anos.
“Criar condições financeiras e de infraestrutura atrativas para que novas empresas estrangeiras escolham Coimbra como sede” e dotar as micro e PME espaciais “da robustez financeira necessária para concorrer a grandes contratos internacionais” são outras das áreas para onde o investimento deverá ser canalizado.
A expectativa é que o cluster “resulte num aumento relevante do investimento”, e portanto, “do número de empresas e sua dimensão, que venham a integrar o cluster”, diz sem revelar valores.
Em termos de criação de emprego a expectativa é que o cluster também tenha um efeito multiplicador. “O setor do Espaço já assegura algumas centenas de postos de trabalho na região, cujo número mais elevado se localiza em empresas de maior dimensão como a Critical Software, sendo realista esperar que o número duplique no espaço de poucos anos“.
“O cluster não vai ter um espaço próprio, mas as suas instituições participantes, como por exemplo o Instituto Pedro Nunes, já disponibilizam instalações para empresas do setor, e outros serviços de suporte, e esperam via a alargar esse espaço no futuro“, refere ainda.
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