Porto e Gaia avançam com ponte pedonal e ciclável de 25 milhões em 2029

Menezes ambiciona “reivindicar para o Grande Porto o estatuto da Barcelona do Oeste” no plano económico e turístico. Autarcas rompem com “parolice” dos anteriores executivos em noite de S. João.

Os municípios do Porto e Vila Nova de Gaia deverão ter as duas margens ligadas por uma ponte pedonal e ciclável até 2029, num investimento na ordem dos 25 milhões de euros que será repartido por ambos. O anúncio foi feito pelos respetivos presidentes de câmara, Pedro Duarte e Luís Filipe Menezes, que aproveitaram assim para dar o pontapé de saída para as festividades do São João em vez da “parolice” que era tradição dos seus antecessores ao cumprimentarem-se a meio da Ponte Luiz I, como criticou o autarca gaiense.

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A futura travessia, que será construída entre a Ponte Luiz I e a Ponte da Arrábida, foi apresentada por Pedro Duarte como “uma necessidade histórica” e uma janela de oportunidades para o Grande Porto devido ao impacto ao nível da mobilidade, economia e turismo que, acredita, gerará nas duas cidades. Acresce o contributo para reduzir o tráfego automóvel e aliviar a pressão turística na Ponte Luiz I.

“Precisamos de ganhar escala, de alargar o território, para que, de facto, não haja um excesso de concentração como infelizmente temos atualmente”, salientou o autarca social-democrata.

Isto não é contra Lisboa, até é a favor de Lisboa que beneficia de não termos um país monocêntrico onde tudo converge para a capital.

Pedro Duarte

Presidente da Câmara Municipal do Porto

Além de considerar esta travessia como um motor económico e turístico do Grande Porto, Pedro Duarte acrescentou ainda uma dimensão política e estratégica à infraestrutura, defendendo que a região Norte deve afirmar-se como uma segunda grande centralidade do país.

Precisamos de ter a Norte uma força e tem de começar pela região do Porto para termos uma segunda grande centralidade no país”, frisou o social-democrata, ressalvando, contudo: “Isto não é contra Lisboa, até é a favor de Lisboa que beneficia de não termos um país monocêntrico onde tudo converge para a capital”.

Igualmente Luís Filipe Menezes vê na nova ponte pedonal e ciclável sobre o rio Douro um projeto com impacto que vai muito além da mobilidade suave, considerando que a infraestrutura poderá reforçar a “imagem de marca” e atratividade das duas cidades, nomeadamente como “uma obra de arte de grandes engenheiros e de grandes arquitetos”.

Tal como Pedro Duarte, o presidente da Câmara de Gaia também considerou que a infraestrutura contribuirá para valorizar o território do Grande Porto do ponto de vista económico e turístico. Nessa linha de pensamento, Menezes ambiciona “reivindicar para o Grande Porto o estatuto da Barcelona do Oeste”.

Ponte pedonal e ciclável ligará as margens de Porto e Gaia até 2029.23 junho, 2026

Também Bento Aires, presidente da Ordem dos Engenheiros da Região Norte, que vai liderar o júri do concurso da obra, espera que a infraestrutura seja “um novo ícone de urbanidade e sustentabilidade”, com nomes sonantes da arquitetura e engenharia na sua génese. O objetivo é que seja construído “pelos engenheiros e arquitetos mais qualificados, e por empresas de construção mais preparadas para o fazer”, sublinhou Bento Aires durante a apresentação do projeto na Casa do Infante, no Porto.

Diante casa cheia, o engenheiro revelou alguns detalhes técnicos da travessia: “Estimamos que o vão desta ponte será de 250 metros e estamos a falar de uma ponte a cerca de 350 metros a jusante da ponte D. Luiz I”.

O concurso para a conceção e construção, limitado por prévia qualificação, será lançado até ao final do ano, segundo avançou Pedro Duarte, à margem da cerimónia de apresentação da nova travessia. “O nosso objetivo é lançarmos o concurso até ao final deste ano e fazermos todos os esforços para até ao final de 2029 termos a obra concluída“, anunciou o autarca, considerando ainda ser prematuro pensar em nomes para a futura ponte.

Mas uma coisa é certa para os autarcas: desta vez a ponte, que vai ligar as zonas ribeirinhas das duas cidades, é mesmo para sair do papel, ao contrário de antigos projetos que não avançaram. O edil portuense assegura haver uma “vontade política muito clara” nesse sentido.

Questionados sobre a ponte ferroviária Maria Pia, que está desativada desde 1991 e é gerida pela Infraestruturas de Portugal, ambos os presidentes de câmara asseguraram estar a “estudar alternativas”.

Este anúncio da nova ponte serviu de mote de lançamento das festividades da noite de S. João, cortando com a “parolice” do cumprimento que os dois anteriores autarcas, Rui Moreira e Eduardo Vítor Rodrigues, tinham por costume fazer a meio da ponte que liga as duas margens.

“Nós não nos vamos cumprimentar a meio da ponte, porque essas parolices acabaram com estes mandatos“, afirmou Luís Filipe Menezes.

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