Airbus e Leonardo pedem luz verde de Bruxelas para criar rival europeu da SpaceX
Airbus e Leonardo pressionam a União Europeia para dar luz verde à criação de um novo gigante espacial europeu com a Thales, numa tentativa de ganhar escala e rivalizar com a SpaceX, de Elon Musk.
A Airbus e a Leonardo pressionaram Bruxelas para aprovar a proposta de fusão pan-europeia no setor espacial com a Thales, argumentando que a consolidação é essencial para competir com rivais globais como a SpaceX, empresa de Elon Musk. As empresas europeias, que assinaram um memorando de entendimento (MoU) no ano passado, estão a preparar uma submissão formal do processo às autoridades da concorrência da União Europeia.
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“Sem cooperação, as indústrias europeias nunca alcançarão a massa crítica e a capacidade necessárias para serem verdadeiros campeões mundiais, como alternativa não só às empresas norte-americanas, mas também a muitos outros concorrentes que estão a surgir no mercado”, afirmou Lorenzo Mariani, recentemente nomeado CEO da Leonardo, citado pelo Financial Times.
O projeto do grupo aeroespacial europeu Thales e das empresas francesa e italiana, apelidado de Bromo, prevê a integração de atividades que vão desde o fabrico de satélites até sistemas e serviços espaciais.
O diretor-executivo da Leonardo e o CEO da Airbus, Guillaume Faury, consideram que a falta de escala continua a ser uma das principais fragilidades da indústria espacial europeia.
“Temos as competências, as capacidades e as tecnologias, mas falta-nos escala”, afirmou Guillaume Faury, em Bruxelas, citado pelo jornal britânico. O gestor acrescentou que os níveis de investimento nos Estados Unidos e na China são significativamente superiores e que as empresas europeias enfrentam “um mercado global com concorrentes muito grandes”.
O CEO da Airbus acrescentou que existe uma “boa compreensão da relevância estratégica do sucesso do projeto Bromo”, sobretudo porque o segmento espacial está a assumir uma natureza cada vez mais ligada às áreas militar e da defesa, onde a consolidação é necessária e a soberania europeia está em causa.
A proposta surge num contexto de crescente pressão sobre a indústria espacial europeia por parte de concorrentes norte-americanos e chineses.
Nesse sentido, a União Europeia tem reforçado o foco na soberania espacial do bloco, numa altura em que vários governos procuram reduzir a dependência dos Estados Unidos através do desenvolvimento de constelações de satélites para reconhecimento, inteligência e comunicações, como a Ucrânia que procura “alternativa” ao Starlink de Musk.
“Estou otimista quanto ao resultado porque todos sabem que este é um passo crucial para a presença e relevância da Europa no espaço. O setor espacial está a crescer e a evoluir muito rapidamente. Temos assistido a desenvolvimentos importantes nos Estados Unidos e no resto do mundo. O mínimo que a Europa pode fazer é unir forças“, vincou o líder da Leonardo, mencionado pelo mesmo jornal.
Lorezno Mariani ainda sublinhou que “a única forma de desenvolver toda a cadeia de fornecimento é criar este campeão” do setor aeroespacial, promovendo e protegendo o ecossistema europeu.
Apesar do otimismo das três empresas, a operação enfrenta a oposição de outros operadores europeus, como a alemã OHB e a espanhola Indra Space, que alertam para o risco de concentração excessiva no mercado de satélites.
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