Metrobus do Algarve em risco. Municípios têm de decidir “nas próximas semanas”

Dos 100 milhões de euros necessários, Faro, Loulé e Olhão têm de assegurar 40%, o que está a atrasar a linha dedicada entre Loulé, o novo hospital, o aeroporto, Faro e Olhão, explica José Apolinário.

ECO Fast
  • A falta de disponibilidade dos municípios em financiar 40% dos 100 milhões de euros necessários pode comprometer a implementação do metrobus no Algarve.
  • A fase inicial do projeto, que liga Faro à Universidade do Algarve e ao aeroporto, já conta com 60 milhões de euros garantidos pelo FEDER, mas enfrenta prazos apertados.
  • Se o metrobus não avançar, poderá ser necessário considerar alternativas de mobilidade que contribuam para a descarbonização da região.
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A falta de disponibilidade dos municípios para assegurarem 40% dos 100 milhões de euros necessários para implementar a primeira fase do metrobus no Algarve ameaça levar à queda do projeto.

José Apolinário, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, explica ao ECO/Local Online que “há um problema de montagem financeira” e que “tem de haver uma decisão nas próximas semanas”, sob pena de se perder a janela de oportunidade para executar o Bus Rapid Transit (BRT), modelo também conhecido por metrobus.

Abordando a ligação da CCDR aos concelhos de Faro, Olhão e Loulé, José Apolinário é claro:

"O trabalho preparatório foi feito com três municípios. Agora, há um problema de montagem de modelo financeiro. Ou há uma solução que permita viabilizar o avanço do projeto, ou, numa lógica de gestão do programa regional, teremos de equacionar a reprogramação e não avançar com o metrobus.”

O plano final para esta linha dedicada prevê a ligação de Loulé a Olhão, com passagem no futuro Hospital Central do Algarve e no vizinho Mar Shopping, e ainda no Aeroporto Internacional Gago Coutinho e Universidade do Algarve, para lá da própria cidade de Faro.

Contudo, aquilo que está em causa neste estágio do projeto é apenas a fase inicial de ligação da capital do Algarve à universidade em Gambelas e ao aeroporto.

Este troço inicial tem um custo estimado de 100 milhões de euros, em que se incluem os veículos (autocarros elétricos) e expropriações de terrenos no município de Faro, esclarece José Apolinário. Já aprovada pela Comissão Europeia, esta fase tem financiamento de 60 milhões de euros assegurado pelo FEDER no Programa Regional Algarve 2030.

O prazo de conclusão da obra até 2029 é, precisamente, o ponto que coloca em risco o avanço de uma solução de mobilidade que leva anos de preparação. Só para “fazer o projeto de execução e avançar levará até nove meses”, nota José Apolinário. Uma solução alternativa poderá ser, avança, “um corredor dedicado que retire carros particulares, para fazer mudança modal”. Assim, ou avança o metrobus, “ou um corredor dedicado que, não sendo metrobus, se enquadre na lógica de descarbonização“.

Numa nota divulgada nesta sexta-feira pela CCDR do Algarve, a entidade liderada por José Apolinário indica, precisamente, que “a fase seguinte deste projeto está agora dependente dos Municípios envolvidos”.

O metrobus deverá, segundo os estudos efetuados, retirar 30 mil a 40 mil carros das estradas, estimativa baseada numa previsão de utilização diária por cerca de 39,5 mil passageiros. A procura anual irá superar os 11 milhões de passageiros, antevê-se nos trabalhos técnicos citados pela CCDR.

Os efeitos para a região da implementação do BRT (Bus Rapid Transit), ou metrobus, meio de transporte em via segregada (proibida a outros veículos), vão sentir-se também no impacto ambiental, com uma redução entre 5.100 e 6.300 toneladas de CO2.

A CCDR do Algarve nota que neste triângulo Loulé-Faro-Olhão residem cerca de 150 mil habitantes, “a maior bacia de emprego da região, com numerosas deslocações pendulares casa-trabalho, a maioria das quais em viatura própria”.

A existência de prazos para concretização do Portugal 2030 levou à proposta de implementação faseada do projeto, com um primeiro troço composto por dez estações e dez quilómetros, a concluir até 2029, ligando a estação de Faro com a universidade e o aeroporto.

Nos estudos de traçado analisou-se ainda uma posterior ligação de Loulé a Quarteira, o que, desde logo, permitiria a aproximação à estação ferroviária de Loulé, afastada alguns quilómetros da sede de concelho do maior município algarvio.

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