IRGAwards. Pedro Castro e Almeida é o CEO do ano

Prémios da Deloitte distinguiram ainda Guy Pacheco, dos CTT, enquanto CFO, e António da Silva Rodrigues, da Simoldes, pela sua carreira.

IRGAwards 2026. Membros do júri e vencedores dos prémiosHugo Amaral/ECO

Pedro Castro e Almeida venceu o principal prémio na 38ª gala de entrega dos Investor Relations and Governance Awards (IRGAwards), uma iniciativa da Deloitte, que decorreu esta quinta-feira à noite num Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, lotado. O responsável foi eleito pelo júri como o melhor CEO pelo trabalho realizado em 2025 à frente do Banco Santander em Portugal.

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Agora que foi sucedido no cargo por Isabel Guerreiro e assumiu o papel de Chief Risk Officer do grupo a nível internacional, Castro e Almeida falou de humildade e de sorte na hora de subir ao palco para receber o prémio. “Tive a sorte de nascer numa família com dois pais licenciados, pelo que tive a sorte de ter um ponto de partida um pouco mais à frente do que outros“, afirmou, lembrando que a dinâmica da sociedade funciona se o elevador social também o fizer. E lamentou “a quantidade de talento que fica para trás por não ter tido a mesma sorte do que eu”.

Conforme o tempo passa, vamos ficando mais pequenos. Deixamos de ser o centro das atenções, ganhamos experiência humana, vamos ouvindo mais, percebendo que não temos sempre razão. A grandeza na nossa vida é ser-se pequeno

Pedro Castro e Almeida

Vencedor do Prémio CEO nos IRGAwards 2026

Dedicando o prémio à sua mulher, Maria, Pedro Castro e Almeida fez questão de lembrar o pai e uma lição que este lhe deixou. “Disse-me que conforme o tempo passa, vamos ficando mais pequenos. Deixamos de ser o centro das atenções, ganhamos experiência humana, vamos ouvindo mais, percebendo que não temos sempre razão”, recordou. E terminou com um lema: “a grandeza na nossa vida é ser-se pequeno”, na capacidade de continuar a aprender com os outros.

Nesta categoria, estavam ainda nomeados Paulo Macedo, da Caixa Geral de Depósitos, João Bento, dos CTT, Cláudia Azevedo, da Sonae, e Miguel Maya, do BCP, que venceu no ano passado.

Os CTT não venceram na categoria de CEO mas tiveram um CEO premiado e a subir ao palco. Guy Pacheco foi CFO até há pouco tempo, quando sucedeu a João Bento, e foi naquela qualidade que venceu um troféu, que dedicou às pessoas dos CTT e à sua equipa e colegas, “passados e presentes”. No prémio CFO, Guy Pacheco tinha como colegas finalistas Ana Luísa Virgínia, da Jerónimo Martins, Maria João Carioca, da Galp, Rui Teixeira, da EDP, e Miguel Bragança, do BCP.

IRGAwards 2026. Entrega do Prémio CFO a Guy PachecoHugo Amaral/ECO

Já no que toca aos Investor Relations Officer, a vitória coube a Vera Martins Bastos, da Sonae, que ultrapassou os outros finalistas Bernardo Collaço, do BCP, Cláudia Falcão, da Jerónimo Martins, e Miguel Viana, da EDP.

IRGAwards 2026. Entrega do prémio IRO a Vera Martins Bastos, da SonaeHugo Amaral/ECO

O momento final da noite foi preenchido com a entrega do prémio Lifetime Achievement, recebido pelo fundador da Simoldes, António da Silva Rodrigues. Nas palavras de António Lagartixo, CEO da Deloitte em Portugal, Silva Rodrigues “é uma fonte de inspiração para as gerações presentes e futuras” e “tem um percurso excecional, marcado por elevados padrões de rigor, independência e compromisso com a excelência“.

A tecnologia é importante, mas o que faz a diferença são as pessoas

António da Silva Rodrigues

Fundador da Simoldes

António Silva Rodrigues admitiu estar “muito sensibilizado pela distinção”, sendo esta “o resultado de uma vida inteira de trabalho com pessoas e equipas com quem tive o privilégio de trabalhar. Sem essas equipas eu não teria chegado até aqui”. Lembrou que “a tecnologia é importante, mas o que faz a diferença são as pessoas”. Deixou uma mensagem de alento às novas gerações, “com muito talento e muito melhor formação do que a que eu tive”, pedindo empenho e a consciência de que “uma carreira não se faz em dois ou três anos”. E exortou o poder político a ter mais medidas de apoio às empresas, muitas das quais enfrentam uma concorrência internacional desleal, porque não sujeita às mesmas regras.

IRGAwards 2026. António Silva Rodrigues e António LagartixoHugo Amaral/ECO

Ainda nos prémios, Emílio Rui Vilar recebeu uma distinção especial do júri pelos seus contributos na área da Governance, um dos focos originais destes prémios.

IRGAwards 2026. Emílio Rui Vilar e João Moreira Rato, membro do júriHugo Amaral/ECO

A Fundação Champalimaud venceu o prémio sustentabilidade, pelo seu projeto de cortar para metade a sua pegada carbónica nos sistemas de imagiologia, distinção recebida em palco por Leonor Beleza.

IRGAwards 2026Hugo Amaral/ECO

Na área da transformação e inovação, a vencedora foi a Ubbu, pelo seu projeto de escalar a literacia digital nas escolas através do “Programa o futuro”, recebido pelo fundador, João Magalhães.

IRGAwards 2026. Entrega do prémio Transformação e Inovação a João Magalhães, fundador da UbbuHugo Amaral/ECO

A misteriosa China e as pessoas na incerteza

Incerteza terá sido a palavra mais vezes repetida nesta noite, dado todo o enquadramento internacional, a transformação tecnológica da inteligência artificial, as tensões geopolíticas e o seu impacto económico. António Lagartixo focou também este momento de dúvida, de falta de visibilidade e de transição, ilustrado pela presença em palco do robot Ubi, com quem teve uma conversa baseada em IA. O CEO da Deloitte procurou centrar a mensagem naquilo que os novos tempos podem significar para a valorização das pessoas, aproveitando o mote desta edição: “Transforming unlocking human potential”. Pediu que este caminho, juntamente com a tecnologia, se faça junto com as pessoas, integrando a automatização com o lado “da humanidade”.

IRGAwards 2026. António Lagartixo, CEO da Deloitte PortugalHugo Amaral/ECO

O que se pede aos líderes hoje é que não apenas acompanhem a evolução mas que ajam com intenção, líderes capazes de traçar um caminho consistente e conduzir a organização para essa visão

António Lagartixo

CEO da Deloitte Portugal

Aos líderes, pediu arrojo e a tomada de algum risco, ainda que sempre controlado. “O que se pede aos líderes hoje é que não apenas acompanhem a evolução mas que ajam com intenção, líderes capazes de traçar um caminho consistente e conduzir a organização para essa visão”.

A oradora convidada principal foi Keyu Jin, economista e uma das maiores especialistas atualmente sobre a economia chinesa. Jin explicou que na última dezena de anos a China passou de um país no qual muitos não queriam investir para um em que toda a gente pensa como pode investir e salientou que isso se deve sobretudo a uma grande capacidade de planeamento de longo prazo, bem como à capacidade de execução das políticas definidas.

Em termos geopolíticos, apesar das relações com a Rússia ou com o Irão, a especialista afirmou que “há algum apoio mas não alianças”. “A China quer estabilidade e algum respeito internacional” mas não quer surgir no palco internacional como o agente que fala mais alto, mas sim agir assente numa “postura sobretudo realista”. E defende que “a China não fez nada de muito diferente nos últimos cinco anos, o mundo é que mudou muito” em termos geopolíticos e de formas de agir publicamente no palco internacional, o que faz o país parecer uma fonte de estabilidade e de equilíbrio.

IRGAwards 2026. Keyu JinHugo Amaral/ECO

Para terminar, olhou para a frente, focando os quatro pilares do novo plano estratégico de longo prazo da China: Autonomia, tecnologia, energia e mudança do sistema financeiro, procurando que este se desligue mais do imobiliário e se vire mais para os mercados de capitais e financiamento empresarial.

E deixou a nota: “há oportunidades cruzadas, nomeadamente entre China e a Europa, mas continua a haver alguma incompreensão e mal-entendidos, nomeadamente culturais acerca da forma de pensar”.

IRGAwards 2026Hugo Amaral/ECO

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