Confiança dos consumidores cai para mínimos de novembro de 2023

  • Joana Abrantes Gomes
  • 29 Abril 2026

Depois da queda observada em março, o indicador do clima económico teve uma evolução positiva este mês, impulsionada pela maior confiança nos setores do comércio e da construção.

O conflito no Médio Oriente veio definitivamente instalar um clima de incerteza, perante um novo aumento generalizado dos preços, em particular dos combustíveis. Segundo mostram os inquéritos de conjuntura divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a confiança dos consumidores caiu pelo terceiro mês consecutivo em abril, mês em que registou o valor mais baixo desde novembro de 2023. O clima económico, que tinha diminuído em março para valores próximos aos de há um ano, aumentou graças aos setores do comércio e da construção.

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Os dados do serviço estatístico, recolhidos entre 2 e 16 de abril, indicam que o indicador de confiança entre 1.211 consumidores inquiridos recua “expressivamente” há três meses.

A quebra da confiança dos consumidores desde fevereiro é marcada, em primeiro lugar, pelos estragos causados pelo “comboio de tempestades” que assolou o país no início do ano, com particular impacto na região Centro. A partir de março, as respostas aos inquéritos já evidenciam os constrangimentos decorrentes da guerra dos EUA e de Israel contra o Irão, desencadeada ainda no final de fevereiro, nomeadamente a subida dos preços — sobretudo da energia –, com a inflação em Portugal a tocar os 2,7%.

Indicador de confiança dos consumidores:

Fonte: INE

De acordo com o INE, esta diminuição reflete, sobretudo, os “contributos negativos das opiniões sobre a evolução passada da situação financeira do agregado familiar e das perspetivas futuras sobre a evolução futura da situação financeira do agregado familiar e da situação económica do país“.

No caso da evolução passada da situação financeira do agregado familiar, a diminuição “significativa” observada no último mês foi a maior desde abril de 2020, enquanto a da situação económica do país foi a maior desde maio desse ano.

Em sentido oposto, as expectativas sobre a evolução futura da realização de compras importantes por parte das famílias registaram um contributo positivo em abril, contrariando o sentimento do mês anterior.

Os inquéritos de conjuntura referem também que o saldo das apreciações sobre a evolução passada dos preços registou em abril o maior aumento desde maio de 2008. Por sua vez, o saldo das expectativas sobre a evolução futura dos preços diminuiu, depois dos aumentos registados nos três meses anteriores — “de forma expressiva em março, mês em que registou o segundo maior aumento da série, atingindo o valor mais elevado desde março de 2022”.

Comércio e construção impulsionam clima empresarial

Entre as empresas, após a diminuição observada em março, o clima económico aumentou este mês, devido, sobretudo, à subida da confiança nos setores do comércio e da construção e obras públicas.

Indicador de clima económico:

Fonte: INE

Depois de quatro meses em queda, o indicador de confiança no comércio aumentou em abril, refletindo o “contributo positivo das apreciações sobre o volume de stocks e, de forma particularmente expressiva, das opiniões sobre o volume de vendas”.

Quanto ao setor da construção e obras públicas, cuja confiança tinha caído em fevereiro e março, a subida registada no último mês eleva o indicador para o “valor mais elevado desde junho de 2025”, em resultado dos contributos positivos de ambas as componentes, designadamente as perspetivas de emprego e as apreciações sobre a carteira de encomendas.

A indústria transformadora e os serviços, por seu lado, não acompanharam esta evolução. O primeiro, que tinha aumentado nos dois meses anteriores, diminuiu em abril para o valor mais baixo desde outubro de 2023, devido ao “contributo negativo das apreciações relativas aos stocks de produtos acabados e, de forma expressiva, das perspetivas de produção”.

À semelhança do setor da indústria, o indicador de confiança dos serviços caiu no último mês após ter aumentado em fevereiro e março, com contributos negativos nas perspetivas relativas à evolução da procura, apreciações sobre a atividade da empresa e opiniões sobre a carteira de encomendas, referem os inquéritos do INE, que no caso das empresas decorreram entre os dias 1 e 23 de abril.

O saldo de respostas das expectativas dos empresários sobre a evolução futura dos preços de venda voltou a aumentar nos quatro setores, de forma expressiva na construção, para o “valor mais elevado desde novembro de 2022”.

As empresas foram também inquiridas sobre as perspetivas para o próximo ano ao nível do investimento. A maioria das empresas na indústria transformadora (65,8%) e nos serviços (69,7%) preveem uma estabilização no investimento face a 2026, enquanto 22,7% das empresas na indústria transformadora e 17,5% das empresas nos serviços antecipam um aumento do investimento em 2027. Somente 11,5% e 12,8% das empresas inquiridas preveem uma diminuição do investimento nos respetivos setores.

(Notícia atualizada pela última vez às 10h43)

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