Guerra no Médio Oriente provoca maior aumento do custo da energia desde a invasão a Ucrânia, prevê Banco Mundial
Instituição financeira internacional antecipa que, além do petróleo, os preços das várias matérias-primas subam 16% este ano, alimentando a inflação e abrandando o crescimento mundial.
Já se sente o efeito da guerra do Médio Oriente no quotidiano: na passagem pelos postos de combustível, nas idas ao supermercado ou nas viagens internacionais (ou tentativas de). Os custos energéticos estão a elevar as faturas dos consumidores – e tudo indica que assim continuará.
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O Banco Mundial antecipa esta terça-feira que o conflito no Golfo Pérsico deve provocar o maior aumento dos preços da energia em quatro anos. Os preços da energia deverão subir 24% este ano até ao patamar mais alto desde a invasão russa à Ucrânia pela Rússia em 2022, concluiu o Commodity Markets Outlook divulgado pela instituição financeira internacional.
“A guerra está a atingir a economia global em ondas cumulativas: primeiro com o aumento dos preços da energia, depois com o aumento dos preços dos alimentos e, finalmente, com o aumento da inflação, o que fará subir as taxas de juro e encarecerá ainda mais a dívida”, diz o economista-chefe e vice-presidente sénior de Economia do Desenvolvimento do grupo Banco Mundial, Indermit Gill.
Segundo o economista norte-americano, “as pessoas mais pobres, que gastam a maior parte do seu rendimento em alimentos e combustíveis, serão as mais afetadas, tal como as economias em desenvolvimento que já lutam contra o pesado fardo da dívida”. “Tudo isto nos recorda uma dura verdade: a guerra é o desenvolvimento ao contrário”, afirma Indermit Gill.
Supondo que os maiores entraves no Estreito de Ormuz – que é responsável por cerca de 35% do comércio global de crude transportado por mar – terminam em maio, o preço médio do barril de Brent vai ser de 86 dólares em 2026, o que corresponde a um aumento significativo em relação aos 69 dólares por barril no ano passado, de acordo com o Banco Mundial.
Mas o cenário pode ser pior. O relatório indica que os preços das matérias-primas podem subir ainda mais se as hostilidades se intensificarem ou se as interrupções no fornecimento resultantes da guerra se prolongarem por mais tempo do que o previsto. Neste quadro mais pessimista, em que os ataques causem danos em complexos de petróleo e gás, a cotação do Brent toca uma média de 115 dólares por barril em 2026.
Dos fertilizantes ao alumínio. Matérias-primas sobem 16%
O Banco Mundial antecipa que este aumento vá além do petróleo. O choque nos mercados globais de matérias-primas fará com que, em geral, os valores das commodities subam 16% em 2026 devido à energia e fertilizantes, além da valorização de outros metais. É o caso do alumínio, do cobre e do estanho, que podem chegar a máximos históricos com a procura por parte de centros de dados, veículos elétricos e infraestruturas ligadas a energias renováveis.
“Os metais preciosos continuam a bater recordes de preço e volatilidade, prevendo-se um aumento de 42% nos preços médios em 2026, à medida que a incerteza geopolítica alimenta a procura de ativos de refúgio”, lê-se ainda no Commodity Markets Outlook.
Banco Mundial prevê que os preços dos fertilizantes aumentem 31% em 2026 por causa da subida de 60% da ureia. Acesso cairá para o pior nível desde 2022, penalizando o rendimento dos agricultores mundiais e ameaçando as próximas colheitas.
Perante a perspetiva de que os aumento dos preços das matérias-primas aumentará a inflação e reduzirá o crescimento mundial, o economista-chefe Adjunto do Banco Mundial Ayhan Kose deixa uma alerta: “Os governos devem resistir à tentação de medidas de apoio fiscal amplas e não direcionadas que possam distorcer os mercados e corroer as reservas fiscais” e, por outro lado, “concentrar-se num apoio rápido e temporário direcionado às famílias mais vulneráveis”
Tudo porque a “sucessão de choques ao longo da década reduziu drasticamente o espaço fiscal disponível para responder à atual crise histórica de abastecimento de energia”.
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