Deixou de ser possível saber quem financia partidos e campanhas políticas
Partidos e candidaturas invocaram o Regulamento Geral de Proteção de Dados para se recusarem a identificar doadores. Parecer diz que “revela, direta ou indiretamente, opiniões e convicções políticas".
A Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECPF), órgão independente que funciona junto do Tribunal Constitucional, deixou de facultar o acesso à origem do financiamento dos partidos e de campanhas políticas, tal como o ECO tinha noticiado em janeiro. No entanto, a partir de agora, a posição é sustentada num parecer e a comunicação social e quaisquer outros cidadãos só têm acesso à lista de doações com os respetivos valores, “expurgados dos dados pessoais que identifiquem os doadores”.
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Um parecer da Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA), solicitado pela Entidade das Contas, considera que “a associação de um donativo a determinado partido político ou candidatura é, em regra, suscetível de revelar, direta ou indiretamente, as opiniões ou convicções políticas do doador“.
Internamente, como escreve o Público, esta entidade continua a poder identificar os doadores dos partidos para cumprir a sua função de fiscalização, mas deixa de permitir o acesso aos nomes dos financiadores por parte de terceiros, revogando, assim, um entendimento que viabilizava inúmeros trabalhos jornalísticos sobre o financiamento dos partidos e campanhas políticas.
A ECPF explica que a alteração resulta do facto de “alguns partidos e candidaturas” terem invocado “o Regulamento Geral de Proteção de Dados [RGPD] para se recusarem a enviar elementos de identificação dos doadores”. Além disso, “invocaram que os bancos se recusaram a dar informação sobre a identificação dos doadores”, recorrendo novamente ao RGPD.
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