“Hoje as previsões do Banco de Portugal são técnicas e isentas.” Álvaro defende técnicos do regulador

Governador defende equipa que elabora projeções económicas e orçamentais e garante que "nunca" vai interferir. Declarações surgem após ministro deixar no ar dúvidas sobre independência no passado.

O governador do Banco de Portugal defendeu esta quarta-feira que as previsões económicas e orçamentais da instituição são feitas por uma equipa “do melhor” que já encontrou, garantindo serem “isentas”. Álvaro Santos Pereira sublinhou ainda que nunca interferiu no processo.

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As declarações de Santos Pereira ocorreram durante uma audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), um dia após o PSD e o CDS-PP terem decidido chamar ao Parlamento o antigo governador Mário Centeno e a presidente do Conselho das Finanças Públicas (CFP) para explicar as diferenças entre as projeções orçamentais e os resultados obtido pelo INE e o ministro das Finanças ter deixado no ar dúvidas sobre a independência das instituições.

As previsões do BdP são técnicas. Hoje as previsões dos técnicos do BdP são técnicas e isentas”, afirmou o governador do Banco de Portugal numa audição parlamentar sobre o “cartel da banca” e a reforma antecipada do seu antecessor.

Perante as questões colocadas pelos deputados da COFAP sobre as projeções, Álvaro Santos Pereira saiu em defesa dos técnicos do regulador bancário. “Trabalhei nos últimos 15 anos em questões de previsões económicas e posso dizer-lhe que a equipa técnica do Banco de Portugal que faz as previsões económicas e orçamentais são do melhor que vi em todo o mundo. Vou defender a minha equipa com toda a intransigência“, disse.

A equipa técnica do Banco de Portugal que faz as previsões económicas e orçamentais é do melhor que vi em todo o mundo. Vou defender a minha equipa com toda a intransigência.

Álvaro Santos Pereira

Governador do Banco de Portugal

O governador deixou ainda garantias que não se irá imiscuir nesse trabalho. “Nunca interferi uma vírgula que seja, uma décima que seja em previsões económicas, e nunca vou interferir”, garantiu.

O ministro das Finanças acusou na terça-feira o Conselho das Finanças Públicas (CFP) de fazer críticas, que denominou de “políticas”, apenas desde que o atual Governo está no poder. Joaquim Miranda Sarmento deixou ainda um recado, pouco subtil, a Mário Centeno, sobre o Banco de Portugal ter desde junho de 2023 começado a divulgar projeções orçamentais.

O Banco de Portugal faz previsões orçamentais desde 2023. Não é frequente os bancos centrais fazerem previsões orçamentais. O BCE não faz, a Reserva Federal também não”, disse, em alusão à decisão tomada durante o mandato do antecessor de Álvaro Santos Pereira no regulador bancário — ainda com Sarmento no Parlamento como líder parlamentar do PSD.

O governante destacou ainda que as projeções para o saldo orçamental desde então “estão perfeitamente em linha com aquilo que é o resultado final”, “com exceção de 2025”. “Cada um que está no espaço político e no espaço público poderá fazer os seus corolários. Não tenho dúvidas de que as pessoas que dirigem estas instituições tudo farão para continuar a ter previsões credíveis, porque isso é o mais importante para o futuro da economia portuguesa”, disse.

Para 2025, o Ministério das Finanças projetava um excedente de 0,3% do PIB. Com o decurso do ano, o ministro das Finanças foi revelando-se mais otimista e começou a sublinhar que o saldo seria de “pelo menos” aquele valor. Os dados conhecidos na semana passada revelaram que, entre a receita e a despesa, o resultado foi mais favorável do que o esperado, situando-se em 0,7% do PIB, uma diferença de 0,4 pontos percentuais (p.p.) face à previsão do Orçamento do Estado.

Em dezembro de 2024, o Banco de Portugal projetava um défice de 0,1%, alertando para a evolução da despesa corrente primária, na sequência dos diversos acordos de carreiras especiais na Administração Pública, mas em junho de 2025, quando já o ministro das Finanças garantia o cumprimento do saldo excedentário, o regulador manteve a previsão.

Depois, no “Boletim Económico” de 2025, já com um novo governador em funções há poucos dias, o regulador bancário reviu em ligeira alta as projeções, passando para um resultado de 0% em 2025. No primeiro caso, verifica-se uma diferença de 0,8 pontos face ao resultado final, reduzindo-se para 0,7 pontos com a atualização de dezembro de 2025.

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