Uma em cada quatro casas vendidas em 2025 foi parar a mãos estrangeiras
Os estrangeiros compraram 41 mil casas em Portugal no ano passado, e os brasileiros, com quase 10 mil aquisições, tornaram-se de longe os maiores compradores estrangeiros de habitação no país.
- O mercado imobiliário português registou um aumento histórico de 17,6% nos preços em 2025, com 169.812 transações, o maior número desde 2009.
- Os compradores estrangeiros, especialmente brasileiros, continuam a ter um papel relevante, representando 27,6% do total de transações realizadas pelas famílias.
- O aumento do crédito à habitação por estrangeiros, que atingiu 13,56% do total, reflete a crescente procura, apesar da pressão sobre os preços.
O mercado imobiliário nacional viveu um ano histórico em 2025: os preços dispararam 17,6%, o maior aumento desde que o Instituto Nacional de Estatística (INE) começou a medir o indicador, em 2009, e o número de transações atingiu um máximo histórico, com 169.812 alojamentos vendidos.
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“A taxa de variação média anual do Índice de Preços da Habitação foi a mais elevada na série disponível”, sublinha o INE no destaque estatístico divulgado esta segunda-feira.
Num contexto em que os preços sobem como nunca, o apetite pelos imóveis portugueses não abrandou e os compradores estrangeiros continuam a ser uma parte relevante dessa equação.
Segundo os dados do INE, os compradores com naturalidade diferente de Portugal foram responsáveis pela aquisição de 41.086 casas no âmbito das compras de habitação pelo setor institucional das famílias, um aumento de 6,6% face a 2024, em linha com o crescimento de 6,7% já registado entre 2023 e 2024.
Desse total, 34.838 transações foram realizadas por estrangeiros com domicílio fiscal em território nacional, mais 11,4% do que no ano anterior. Já as 6.248 transações atribuídas a compradores com domicílio fiscal fora de Portugal registaram uma queda de 14,1% face a 2024 “pelo terceiro ano consecutivo”, como o próprio INE assinala.
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Brasil dispara e Angola consolida-se no pódio das casas
Dentro do universo de compradores estrangeiros de habitação, os brasileiros assumiram, em 2025, uma posição de claro destaque, ao serem responsáveis por 9.808 transações, um crescimento expressivo de 27,5% relativamente às 7.694 registadas em 2024. “Do universo de aquisições de habitação pelos compradores com naturalidade diferente de Portugal, o Brasil concentrou 23,9% do total”, refere o INE.
No segundo lugar ficou Angola, com 4.145 alojamentos transacionados, mais 2,2% do que no ano anterior. A completar o pódio estiveram os franceses, ao serem responsáveis por 3.765 transações, mas registaram um recuo de 6,2% e a maior redução em termos de peso relativo entre as principais naturalidades, de -1,3 pontos percentuais, fixando a sua quota em 9,2%.
Destaque ainda para o dinamismo de compradores originários da Ucrânia, Cabo Verde e Venezuela, três naturalidades que, segundo o INE, “registaram crescimentos do número de transações superiores a 25%” em 2025.
O peso relativo dos estrangeiros no total de aquisições de habitação pelas famílias caiu para 27,6% em 2025. Ainda assim, os estrangeiros continuam a adquirir imóveis bem mais caros que os nacionais.
Apesar do crescimento em número absoluto, o peso relativo dos estrangeiros no total de aquisições de habitação pelas famílias caiu para 27,6% em 2025, a percentagem mais baixa desde 2021, quando se situava nos 24,4%. No pico, em 2023, os estrangeiros tinham chegado a representar 31% das compras de casas feitas por famílias.
Ainda assim, os estrangeiros continuam a adquirir imóveis bem mais caros que os nacionais: enquanto cada habitação adquirida por um comprador com domicílio fiscal em Portugal custou, em média, 234.120 euros, os compradores da União Europeia pagaram 335.640 euros e os oriundos de outros países 470.277 euros — mais do dobro.
Entre as naturalidades com maior número de transações, o INE destaca os britânicos e os norte-americanos, com valores médios por transação de 512.585 euros e 479.403 euros, respetivamente, “mais de 120% acima do valor médio dos adquirentes com naturalidade Portugal”.

Estrangeiros também pedem mais crédito para comprar casa
O crescimento do papel dos estrangeiros no mercado imobiliário português não se reflete apenas nas escrituras. Também no crédito à habitação a tendência é ascendente.
Segundo dados do Banco de Portugal, os estrangeiros representaram 13,56% do montante total contratado em crédito habitação própria permanente em 2025, cerca de 2,6 mil milhões de euros do total de mais de 19 mil milhões, quase o dobro dos 7,38% registados em 2021. O número de contratos segue a mesma direção: a população estrangeira teve um peso de 11,74% nos contratos de crédito à habitação em 2025, face a apenas 6,05% em 2021.
E tal como nas compras de casas, também no crédito à habitação são os brasileiros que dominam: mais de quatro em cada dez estrangeiros (44%) que contraíram um crédito para habitação no ano passado eram de nacionalidade brasileira, uma fatia que cresceu face aos 35% de 2021. Seguem-se os angolanos (6%), os ucranianos e os italianos, ambos com 4%.
O contexto geral em que todos estes números se inserem é de uma aceleração sem precedentes do mercado habitacional. Em 2025 foram transacionadas 169.812 habitações, “o registo mais elevado da série disponível”, assinala o INE, num crescimento de 8,6% face ao ano anterior. Em valor, as transações totalizaram 41,2 mil milhões de euros, mais 21,7% do que em 2024.
Para quem compra casa, seja português ou estrangeiro, 2025 foi o ano mais exigente de sempre no mercado da habitação em Portugal.
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