Comissário para a Defesa defende a fusão de empresas e a consolidação do setor na Europa
Kubilius afirma que as empresas europeias devem ser maiores para competir com os gigantes dos Estados Unidos ou da China.
O comissário europeu para a Defesa e o Espaço, Andrius Kubilius, afirmou esta segunda-feira no Fórum Europa, em Bruxelas, que a Comissão Europeia está «preparada para apoiar todos os desenvolvimentos possíveis» no domínio da Inteligência Artificial (IA), «incluindo a atração de empresas estrangeiras».
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Foi o que afirmou Andrius Kubilius num pequeno-almoço organizado na capital comunitária pelo Nueva Economía Fórum, durante o qual respondeu a uma pergunta sobre o peso que a Inteligência Artificial está a adquirir no domínio da defesa e, mais concretamente, sobre a sua utilização na guerra.
Mais concretamente, foi-lhe apresentado o caso da empresa norte-americana Anthropic, uma das mais avançadas no desenvolvimento da IA, que tem mantido um confronto com o Departamento de Defesa dos EUA, uma vez que a empresa se recusou a eliminar as restrições éticas da sua tecnologia.
Kubilius afirmou que, no seio da UE, se compreende a importância da IA para as tecnologias de defesa modernas e disse que a Comissão está «preparada para apoiar todos os desenvolvimentos possíveis, incluindo a atração de empresas estrangeiras».
A este respeito, salientou que, mesmo que fossem empresas dos EUA a «procurar a possibilidade de vir e tornar-se uma empresa europeia, não nos oporíamos». Neste momento, afirmou, «estamos a investir bastantes recursos financeiros da UE no desenvolvimento das nossas capacidades de IA e creio que podemos, e devemos, estar a progredir».
O comissário argumentou que, na Europa, «costumamos começar devagar, mas depois conseguimos demonstrar a elevada qualidade dos nossos desenvolvimentos tecnológicos», e, a título de exemplo, citou o sistema Galileo, que teve início alguns anos depois da implantação do GPS para navegação nos Estados Unidos.
«Sim, chegámos tarde, mas agora o Galileo é três vezes mais preciso do que o GPS, pelo que, tecnologicamente, estamos muito avançados», sublinhou. «Os nossos problemas residem no facto de, por vezes, começarmos devagar e tarde», admitiu, mas mostrou-se confiante de que, no domínio da inteligência artificial, «também seremos fortes».
A chave, sustentou, é que «sejamos, por assim dizer, ambiciosos, e não nos permitamos acreditar que somos tão maus em tecnologia que não há nada a fazer na Europa».
No final do evento, tomou a palavra a diretora de relações governamentais do Banco Santander em Bruxelas, Alicia Sanchís, que destacou que o contexto geopolítico «mudou radicalmente, expondo as vulnerabilidades da arquitetura de segurança europeia».
Sanchís considerou que, no futuro, a segurança da Europa «não dependerá apenas das grandes empresas de defesa» e reivindicou o papel «de milhares de pequenas e médias empresas ao longo de toda a cadeia de abastecimento da defesa».
Por isso, destacou o papel dos bancos para que essas empresas possam aceder ao capital «rapidamente e na quantidade necessária», uma vez que, caso contrário, «a capacidade de defesa europeia não se expandirá ao ritmo necessário».
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