Novo regime de mobilidade elétrica orienta para o modelo dos postos de combustível, diz regulador

  • Lusa
  • 4 Fevereiro 2026

Presidente da ERSE afirma que o novo regime jurídico da mobilidade elétrica orienta na direção de "um modelo de organização muito semelhante ao dos postos de combustíveis".

O presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), Pedro Verdelho, afirmou que o novo regime jurídico da mobilidade elétrica orienta na direção de “um modelo de organização muito semelhante ao dos postos de combustíveis”.

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“O AFIR (‘Alternative Fuels Infrastructure Regulation’) vem orientar para um modelo de organização muito semelhante ao dos postos de combustíveis, onde a concorrência é feita pelo que se designa o ‘shopping ground‘”, afirmou o presidente.

Pedro Verdelho, que falava na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, afirmou que com este novo modelo, “os vários utilizadores de veículos elétricos, como se podem movimentar, escolhem os postos de carregamento mais favoráveis em termos de preços”.

O dirigente da entidade referiu também que para isso acontecer são necessários operadores, “exige capilaridade, exige opções, o que não era o que se passava no princípio”, e acrescentou o modelo tem de ser visto numa “perspetiva dinâmica”

“Também é expectável que no futuro (…) também possa haver concorrência em plataformas de itinerância, que possam aparecer outras plataformas de itinerância que podem contestar inclusivamente a plataforma pública”, referiu o presidente da entidade reguladora, acrescentando que “este modelo cria grandes desafios” para a ERSE.

“No outro modelo, o papel da ERSE era relevante, porque nós tínhamos uma plataforma de itinerância regulada”, disse, explicando que “com a definição de parâmetros de qualidade de serviço […] e não sendo cumpridos, a ERSE tem o seu regime sancionatório, infelizmente não o tem em alguns setores de atividade”.

Referindo que tem poder sancionatórios “no setor elétrico, no setor do gás, mas não tem noutros setores de atividade” o que considera “uma questão preocupante” porque a entidade regula, “mas depois falta a questão da sanção“.

O presidente da ERSE mencionou também a tentativa do regulador de “democratizar” a mobilidade elétrica transpondo os carregamentos para as habitações. “Nós temos, por exemplo, situações […] e estamos a fazer trabalho nessa área, que é democratizar, de facto, a mobilidade elétrica, que tem a ver como é que nós promovemos a mobilidade elétrica em condomínios, sem necessidades de redes”, disse.

Associação defende fim de regime transitório da mobilidade elétrica em 2027

A Associação Portuguesa do Veículo Elétrico (APVE) considera que “o regime transitório se deve prolongar no máximo até ao final de 2027”, mantendo ambos os decretos em vigor simultaneamente.

“Sobre o regime transitório, nós achamos, tendo em conta aquilo que são os contratos existentes dos operadores e comercializadores e alguns com centenas de contratos, que o regime transitório se deve prolongar no máximo até ao final de 2027”, afirmou o vice presidente da APVE, Pedro Nunes, que falava na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação.

Pedro Nunes defendeu ainda que “não se deve ir além do que está previsto no AFIR (‘Alternative Fuels Infrastructure Regulation’)”. A APVE “defende uma cobrança de valor por KWh e depois por minuto no fim do período de carregamento”.

Relativamente à interoperabilidade, a associação “acha que não é obrigatório garantir essa interoperabilidade”.

Relativamente ao roubo de cobre nos postos de carregamento, Pedro Nunes diz estar a par do tema, e refere que a APVE está em contacto com “empresas parceiras para desenvolverem em Portugal soluções para evitar o roubo de cabos”.

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