Substituir rede aérea por subterrânea? Talvez “nalguns casos”, mas há que “balancear” investimentos, diz E-Redes
Portugal tem mais redes aéreas que "alguns" países da UE. E-Redes admite que pode fazer sentido criar redes subterrâneas – mais caras – nalgumas localizações, mas há que "balancear" o investimento.
A depressão Kristin causou danos significativos na infraestrutura de distribuição de eletricidade em várias regiões do país. E-Redes admite que pode fazer sentido substituir redes aéreas por subterrâneas – mais caras – nalgumas localizações, mas há que “balancear” o investimento.
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Às 6 horas da manhã de quarta-feira, registou-se um pico de cerca de 1 milhão de clientes sem fornecimento de energia. Numa atualização feita pelas 14 horas de quinta-feira, contavam-se ainda 400 mil clientes – famílias e empresas – que continuavam sem acesso à eletricidade, de acordo com declarações do presidente da E-Redes, José Ferrari, à RTP Notícias, a partir de Leiria. Cerca de 300 mil destes clientes concentravam-se no distrito de Leiria, 40 mil no distrito de Coimbra e 50 mil no distrito de Santarém.
O presidente da E-Redes afirmava, pelas 14h de quinta-feira, que contava ter “uma quantidade significativa de pontos de entrega energizados rapidamente”, mas que a reposição total da energia “pode demorar mais tempo”. Não quis comprometer-se com uma data concreta, apesar de ter negado prontamente que demorasse semanas.
“A devastação que foi criada pela tempestade é muito significativa. Houve muita infraestrutura que foi danificada fisicamente. Há muitos postes que estão partidos, muitas linhas caídas no chão“, descreveu o presidente da E-Redes. O gestor afirmou que iria também visitar outras localidades afetadas. O mesmo indicou que era, inclusivamente, difícil ter acesso à infraestrutura danificada, e fazer o levantamento dos danos, mas garantiu ter mobilizado equipa e meios que vieram do norte e do sul do país.
Rede frágil? Investimentos têm de ser “balanceados”
Confrontado com a questão de se a rede portuguesa é demasiado frágil, o presidente da E-Redes explicou que “nenhuma rede aérea é dimensionada para suportar uma queda de uma árvore de largo porte, ou de outras infraestruturas, em cima dessas mesmas linhas e postes”. Isto quer em Portugal ou em qualquer outro país. “Não há aqui uma fragilidade da rede”, rematou.
Contudo, Ferrari reconhece que o país tem uma fatia maior de rede aérea do que alguns países europeus, por oposição a redes subterrâneas. Ressalvou, ainda assim, que as redes subterrâneas acarretam um investimento superior.
Neste sentido, há dois fatores a ter em conta. Por um lado, que estes eventos climatéricos são cada vez mais frequentes. Por outro, que já está aprovado um “investimento muito significativo na rede”, e que tem de se fazer investimento não só na modernização da mesma como na sua expansão, para dar resposta à transição energética.
Assim, “temos de balancear aquilo que é a parte de investimentos que queremos dedicar a enterramento de linhas“, diz Ferrari, que entende que não se pode mudar “totalmente” a abordagem de um momento para o outro, mas que, “nalguns casos”, pode ser “aconselhável” substituir a linha aérea por linha subterrânea.
“Olharemos para isso à luz dos ensinamentos que tiramos deste tipo de eventos”, afirma.
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