De 75 euros a mais de mil, há alojamentos estudantis para várias carteiras. Saiba onde
É cada vez mais difícil encontrar um quarto com preços acessíveis principalmente em Lisboa e no Porto. Conheça as opções para várias carteiras.
Com os alunos colocados no ensino superior longe de casa, começa a procura por alojamento. Um quarto privado ou partilhado, uma residência de estudantes ou até viver com um idoso. São várias as opções que os estudantes têm, mas nem todas são acessíveis a qualquer carteira. Conheça as opções.
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De acordo com os dados do Observatório do Alojamento Estudantil, estavam disponíveis em junho deste ano 5.896 quartos com um custo médio nacional de 415 euros. Com 43.899 novos estudantes colocados na primeira fase, não será uma tarefa fácil encontrar um quarto a preços acessíveis.
Já conscientes desta dificuldade, não só pelos preços elevados em muitas cidades, mas também pela falta de oferta, há relatos de estudantes a procurarem casa meses antes de saberem se entram na universidade.
Em Lisboa, por exemplo, a renda mensal de um quarto é, em média, 500 euros, de acordo com os dados do Observatório do Alojamento Estudantil, que faz a monitorização da oferta privada de alojamento para estudantes.
Na Invicta, o valor médio das rendas é 400 euros, e em Faro ronda os 380 euros, descendo ligeiramente para 330 euros em Aveiro e 280 euros em Coimbra, mostram os dados do Observatório do Alojamento Estudantil. Por outro lado, é em Bragança (181 euros), na Guarda (184 euros) e em Beja (230 euros) que se encontram os quartos mais baratos.
Na primeira fase, foram colocados quase 14 mil estudantes nas universidades e politécnicos de Lisboa, de acordo com os dados da Direção-Geral de Ensino Superior (DGES), enquanto no Porto entraram quase 7.800 jovens.
A esmagadora maioria precisa de um lugar para ficar e grupos no Facebook, Olx ou Custo Justo são alguns dos recursos mais utilizados para encontrar alojamento. Mas há também quem recorra à Uniplaces, plataforma fundada em 2012 por Miguel Amaro que verifica todos os alojamentos antes de os anunciar online.
De acordo com dados cedidos pela Uniplaces ao ECO, o preço médio de um quarto na Invicta ronda os 315 euros por mês e representa 30% dos pedidos, enquanto um apartamento T1 custa, em média, 750 euros por mês, correspondendo a 14% dos pedidos.
No entanto, há zonas onde os preços são bastante superiores. A zona da Foz do Douro (350 euros por mês para um quarto individual) é a mais cara, à frente de Massarelos (348 euros) e Bonfim (340 euros). Mas também há zonas mais baratas, como Vila do Conde (200 euros por quarto individual), Lordelo de Ouro (275 euros) e Mafamude (250 euros).
Mais a sul, em Coimbra, os quartos individuais são mais baratos — em média custam 244 euros por mês —, representando 49% dos pedidos. Se a opção for um estúdio, o preço dispara para os 450 euros mensais. Assim como no Porto, há também zonas onde o valor médio é superior ao da própria cidade. Alta Universitária é a zona mais cara, com uma média de 400 euros por quarto, à frente de Casal do Bispo, com 308 euros. Depois, há zonas mais baratas, como Penedo de Saudade e Alto de São, com os quartos a custar em média 173 e 180 euros, respetivamente.
Por fim, em Lisboa, o valor médio por quarto individual situa-se nos 380 euros, correspondendo a 36% dos pedidos. Quando se trata de um apartamento T1 o preço médio da renda dispara para os 900 euros por mês.
Contudo, também há zonas que ultrapassam essa fasquia, como o Campo Grande, com um custo de 530 euros por mês para um quarto individual, o Rossio (520 euros) e Pena (513 euros). As zonas mais baratas para arrendar um quarto individual na capital são Olivais (320 euros), Benfica e Anjos (ambos com uma média de 350 euros).

O ECO fez uma pesquisa no portal Olx, Custo Justo e até mesmo na Uniplaces e verificou que há quartos a custar mais de mil euros seja na capital ou na Invicta, com despesas incluídas.
A Place Me, empresa de Braga que nasceu quase há uma década com o objetivo de facilitar o alojamento da comunidade académica da Universidade do Minho, tem na plataforma quartos que vão desde os 275 euros aos 425 euros.
Encontrar um quarto abaixo dos 300 euros é raro mas, quando estes existem, são partilhados com duas ou três pessoas. Esta é uma opção cada vez mais comum usada pelos senhorios, que optam por colocar no mesmo espaço várias camas ou beliches, de forma a rentabilizar o espaço.
No último ano, Lisboa e Porto registaram um aumento de 8,5% no número de camas disponíveis, cerca de 1.500 novas unidades. Apesar deste crescimento, a taxa de cobertura (rácio cama/estudante) mantém-se muito aquém da média europeia de 12%, reforçando o desequilíbrio entre oferta e procura, mostra o estudo da Cushman & Wakefield divulgado esta terça-feira.
Apesar do aumento da oferta nos últimos anos, a procura continua a superar largamente a capacidade, pressionando as rendas e atraindo cada vez mais investidores para este setor.
“O mercado de alojamento para estudantes em Portugal está a ganhar maturidade e atratividade internacional”, diz a head of research na Cushman & Wakefield. “Apesar do aumento da oferta nos últimos anos, a procura continua a superar largamente a capacidade, pressionando as rendas e atraindo cada vez mais investidores para este setor”, destaca Ana Gomes.
Para o próximo ano letivo, estima-se que as rendas voltem a aumentar, em torno dos 9% (média ponderada para Lisboa e Porto), avança a consultora.
Face à escassez de oferta, os proprietários estão disponíveis para colocar mais imóveis no mercado para arrendar a estudantes, mas pedem incentivos fiscais e garantias que mitiguem riscos, segundo uma sondagem da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP) divulgada na segunda-feira.
Os proprietários estão disponíveis para fazer parte da solução da crise de alojamento estudantil, mas para isso é fundamental que lhes sejam dados incentivos justos e garantias adequadas.
“Os proprietários estão disponíveis para fazer parte da solução da crise de alojamento estudantil, mas para isso é fundamental que lhes sejam dados incentivos justos e garantias adequadas. Este inquérito prova que, com benefícios fiscais em IRS e IMI e mecanismos de proteção contra riscos, muitos mais imóveis poderão ser colocados no mercado estudantil“, afirma o presidente da ALP, Luís Menezes Leitão.
Faculdades têm residências mais baratas
Para quem não tem possibilidades de pagar por um quarto, há sempre a possibilidade de ficar alojado na residência da própria faculdade, cujos preços são bastante mais acessíveis.
A Universidade de Lisboa oferece 13 residências universitárias. De acordo com o site da própria universidade, os preços dos quartos nestas unidades começam nos 75,06 euros para alunos bolseiros e nos 160 euros para não bolseiros.

Mais a norte, a Universidade do Porto tem dez residências, cujos preços começam nos 77 euros para estudantes bolseiros e nos 160 euros para não bolseiros. Os estudantes de doutoramento, pós-doutoramento, mestrado e investigadores têm de pagar valores superiores.
Outra opção é a possibilidade de partilhar casa com um idoso. No Porto existe um programa criado para esse efeito. A ideia é o idoso disponibilizar a casa ao estudante e este contribui, através da sua companhia, para a “diminuição do sentimento de solidão e de isolamento”.
O Programa Aconchego é uma iniciativa que visa “apoiar e promover o bem-estar dos mais velhos, através do alojamento de estudantes universitários nas suas casas”, lê-se no site da FAP. Podem inscrever-se seniores até aos 60 anos e estudantes entre os 18 e os 35 anos, que não residam no concelho do Porto.
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