Estado injeta mais de 6,5 mil milhões na CGA para atenuar défice do sistema
Há quatro anos seguidos que a Caixa Geral de Aposentações recebe mais de 5 mil milhões de euros do Orçamento de Estado para tentar equilibrar as suas contas. No próximo ano receberá um valor recorde.
Desde 2020 que a Caixa Geral de Aposentações (CGA) recebe, anualmente, mais de cinco mil milhões de euros do Orçamento do Estado para minorar o saldo deficitário deste sistema social. Só este ano, foram mais de 5,7 mil milhões de euros que entraram nas contas da CGA por via da conta do Estado.
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No entanto, estas injeções têm sido incapazes de retirar as contas da CGA do vermelho. De acordo com dados do IGFSS, da Direção-geral do Orçamento e cálculos da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), o sistema da CGA encerrará este ano com um saldo deficitário de 126 milhões de euros – salvaguardando que este número, presente também na proposta do Orçamento de Estado, não contempla a transferência extraordinária de mais de 3 mil milhões de euros do Fundo de Pensões do Pessoal da CGD (FPCGD) para a CGA.
Para o próximo ano, apesar das contas melhorarem, o saldo da CGA deverá manter-se deficitário em 29 milhões de euros, revela a UTAO no documento de apreciação final da Proposta de Orçamento do Estado para 2024, publicado esta segunda-feira.
Para o próximo ano, segundo a proposta do Orçamento do Estado para 2024, a CGA receberá mais de 6,5 mil milhões de euros do Orçamento de Estado. É o valor mais elevado que o sistema receberá da conta do Estado desde pelo menos 2015 e cerca de 29,4% acima do montante executado em 2022.
A CGA é um sistema fechado a novos subscritores desde 31 de dezembro de 2005. No entanto, o efeito de redução do saldo deficitário do sistema entre 2023 e 2024 “é atenuado pelo incremento nas contribuições e quotizações dos beneficiários no ativo, resultante do aumento na despesa com pessoal prevista para 2024 nas Administrações Públicas que decorre, essencialmente, de progressões e promoções na generalidade e de atualizações salariais previstas para 2024”, refere a UTAO.
A equipa da UTAO liderada por Rui Baleiras salienta ainda “que o aumento de despesa prevista com pensões e abonos da responsabilidade da CGA (mais 10%) influencia decisivamente o incremento da comparticipação financeira proveniente do Orçamento de Estado para o equilíbrio da CGA (mais 14,3%).”
Aliás, para o próximo ano, segundo a proposta do Orçamento do Estado para 2024, a CGA receberá mais de 6,5 mil milhões de euros do Orçamento de Estado. É o valor mais elevado que o sistema receberá da conta do Estado desde pelo menos 2015 e cerca de 29,4% acima do montante executado em 2022.
Além disso, será também o ano com o maior gap entre o montante recebido do Orçamento de Estado e as receitas geradas pelo sistema com contribuições e quotizações. Este fosso, que será de 2,6 mil milhões de euros em 2024, é 125% superior ao diferencial registado em 2022.
A UTAO sublinha que, como a CGA está encerrada desde 1 de janeiro de 2006 à entrada de novos contribuintes, espera-se que a distância vertical ente as duas curvas [receitas e transferências do Orçamento do Estado] aumente no futuro.

CGA deficitário e Sistema Previdencial excedentário
As contas negativas da CGA comparam com um saldo excedentário de 4,6 mil milhões do Sistema da Segurança Social este ano e superior a cinco mil milhões de euros em 2024 — o valor mais elevado dos últimos 12 anos.
O Sistema da Segurança Social é composto pelo Sistema de Proteção Social de Cidadania, o Sistema Previdencial e o Sistema Complementar nos termos da Lei de Bases da Segurança Social. Mas, para 2023, “o excedente global (ajustado) consolidado da Segurança Social de 5.026 milhões de euros é obtido exclusivamente através do contributo do excedente do sistema Previdencial”, refere a UTAO. O mesmo deverá suceder no próximo ano.
“Para 2024, a proposta do Orçamento de Estado para 2024 prevê um excedente no saldo global ajustado no montante de 5.026 milhões de euros, sendo que este resultado é obtido através do contributo do sistema Previdencial, o qual deverá registar o excedente de 5.196 milhões de euros”, lê-se no documento de apreciação final da Proposta de Orçamento do Estado para 2024 da UTAO.
A equipa liderada por Rui Baleiras esclarece ainda que “este excedente no sistema Previdencial é alcançado por via do contributo do saldo dos regimes gerais (sistema Previdencial sem FEFSS) no montante de 4.062 milhões de euros e do contributo de 1.134 milhões de euros provenientes do saldo global do FEFSS, obtido por via das consignações de receita fiscal (IRC, Adicional ao IMI e Adicional à Contribuição do Sector Bancário) e de rendimentos de aplicações. Em sentido oposto, é projetado um contributo negativo do Sistema de Proteção Social de Cidadania para o saldo global em 170 milhões de euros.”
Por imposição legal, o excedente orçamental do sistema Previdencial da Segurança Social é consignado ao Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) e contribui positivamente para o resultado orçamental das Administrações Públicas.
Numa altura em que se questiona a utilização dos excedentes orçamentais das Administrações Públicas, os técnicos da UTAO referem que “existe legislação que obriga a canalizar para o FEFSS os excedentes anuais do sistema previdencial da Segurança Social, ou seja, só depois de satisfeita esta condição é que eventuais verbas remanescentes poderão ser afetas a outro fim.”
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