Desemprego jovem: Portugal é dos que mais recuperou mas ainda está entre os piores
O FMI assinala que, embora a UE tenha recuperado bastante no desemprego jovem, tal não se deve só à criação de emprego, mas também ao desencorajamento e prolongamento dos estudos de milhões de jovens.
Portugal é um dos países onde o desemprego jovem mais recuperou desde a crise, tendo caído mais do que dez pontos percentuais, mas permanece entre aqueles que têm valores mais altos para o desemprego nesta faixa etária. A recuperação, embora tenha sido das mais acentuadas, não bastou para retirar Portugal do fundo da lista, revela esta quinta-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI) num relatório sobre as políticas implementadas na União Europeia.
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Recentemente, assinalam os responsáveis do FMI, os países da União Europeia têm registado uma queda do desemprego jovem, com “as melhores melhorias (…) a acontecer na Irlanda, Eslováquia, Lituânia, Letónia e Portugal, onde o desemprego jovem caiu mais de dez pontos percentuais”. No entanto, em muitos países as taxas continuam altas, e Portugal está entre os oito com as mais elevadas.
Portugal recuperou mais mas continua em alta
Dados: Eurostat.
Na União Europeia, porém, a queda no desemprego jovem não tem acontecido principalmente pela criação de emprego. O FMI assinala que quase dois terços da recuperação na taxa de desemprego jovem se deve à saída de muitos do mercado de trabalho, seja por estarem desencorajados, seja por apostarem na formação ou educação. São quase três milhões de jovens a menos no mercado de trabalho entre 2008 e 2017, acrescenta o FMI. Só desde 2013, foram criados 300 mil trabalhos mas o desemprego jovem reduziu-se em 900 mil pessoas — ou seja, 600 mil “desapareceram”.
Para onde foram os três milhões desaparecidos?
Há várias razões para a diminuição do número de jovens no mercado de trabalho, que se reflete, por sua vez, na redução do desemprego jovem. Por um lado, assinala o relatório do FMI, o número de jovens diminuiu devido a uma imigração menor para os países europeus na consequência da crise económica. Por outro lado, muitos jovens decidiram dedicar-se à educação e formação. “A proporção de jovens na educação aumentou cinco pontos percentuais desde 2008, para chegar aos 57% em 2017”, assinalam os técnicos do FMI.
Desemprego jovem tardou a recuperar na UE
Portugal também continua a ser um dos países com taxas mais altas de jovens que não estão empregados nem em formação ou educação, assinala o FMI, juntamente com os restantes sete países com a taxa mais alta de desemprego jovem (a Bélgica, o Chipre, a Finlândia, a França, a Grécia, a Itália e Espanha). Em conjunto, o número de jovens apelidados “nem nem” nestes países ascende a uma taxa de 14,1%.
O que dificultou a recuperação do emprego jovem mesmo à medida que a taxa geral de emprego aumentava? O estudo do FMI mostra que a maior parte dos empregos disponíveis para os jovens eram em regime de part-time. Para além disso, os jovens quase só tinham acesso a contratos com termo certo ou de trabalho temporário, o que os deixava mais vulneráveis a choques económicos do que os adultos.
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