Nove respostas para aterrar no aeroporto do Montijo

Nove perguntas e respostas para ficar a saber tudo sobre o novo aeroporto complementar do Montijo, desde os motivos da escolha até à forma como vai ser financiado o projeto.

Afinal, o que vai acontecer no Montijo? Num documento de perguntas e respostas, o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas tira tudo a limpo, e o ECO resume e complementa.

O aeroporto vai definitivamente para o Montijo?

Embora a decisão pareça estar totalmente tomada, ainda faltam alguns passos até se poder dizer com 100% de certeza que o aeroporto complementar vai mesmo ser construído na base aérea do Montijo. O memorando de entendimento a ser assinado hoje entre o Governo e a ANA — Aeroportos de Portugal é um compromisso de “estudar aprofundadamente” a hipótese do Montijo, após já terem sido avaliadas outras opções. A ANA deve agora apresentar uma proposta de solução “no prazo de seis meses”.

Que estudos são necessários?

A decisão definitiva está dependente de relatórios de impacto ambiental de acordo com as leis europeias, apesar de os impactos estarem em parte limitados por já ser uma zona com uma base aérea em funcionamento. Além disto, o Montijo é uma zona de migração de aves, um percurso que pode dificultar ou impedir o trajeto seguro dos aviões. Só quando o estudo do impacto desses fluxos migratórios estiver terminado, o que não será antes do final do ano para poder incluir “um ciclo completo de migrações”, é que poderá ser dado o “sim” final.

E depois, quando começa a construção?

O ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, disse à Rádio Renascença que as obras poderão avançar já partir de 2018, afirmando que o Governo tem intenções de acelerar o calendário.

Qual é a necessidade de um aeroporto complementar?

Nas perguntas e respostas, o Governo explica: a taxa de crescimento anual no número de passageiros que utilizam o Aeroporto Humberto Delgado, antigo Aeroporto da Portela tem aumentado 12% por ano, em média, nos últimos quatro anos, o que, entre outros sinais, aponta “para o esgotamento da sua capacidade a curto prazo”.

Porquê o Montijo?

Foram estudadas hipóteses como as bases militares de Sintra e de Alverca, após ter sido posta de parte a hipótese de construir um novo aeroporto de raiz, pelo grande investimento financeiro e de tempo que requereria. No final, o Governo dá sete razões que fazem do Montijo a melhor opção:

  1. A sua localização faz com que possa ser utilizado sem haver interferência com a utilização do Aeroporto Humberto Delgado.
  2. A capacidade atual do aeroporto poderá ser duplicada, passando a haver margem para movimentar 50 milhões de passageiros por ano em Lisboa.
  3. A utilização civil não impede que a base continue a ser usada para fins militares.
  4. Os custos são “mais reduzidos”.
  5. A execução do projeto é “bastante mais rápida”, com uma previsão de que poderá estar operacional em 2021.
  6. A base existe há já várias décadas.
  7. O Montijo tem boa acessibilidade a Lisboa.

Que companhias aéreas vão passar para o Montijo?

A concessionária, a ANA – Aeroportos, vai decidir isso com as próprias companhias. A TAP, por exemplo, já disse que está fora de questão mover parte da sua operação para o Montijo, por ser a única companhia que opera no Aeroporto Humberto Delgado no esquema de ‘hub’, ou seja, como plataforma de transferência de passageiros entre voos. É provável que sejam companhias low cost a escolher deslocar a sua operação para o Montijo, mas a decisão “será sempre de cada companhia, tendo em conta o modelo de negócio”, disse o presidente da RENA, Paulo Geisler. Além disso, as taxas aeroportuárias vão ser mais baixas no aeroporto complementar, o que pode ser atrativo para as low cost.

E os voos de longo curso?

Os voos de longo curso deverão, em princípio, ficar no Aeroporto Humberto Delgado. Isto porque a pista principal do Montijo tem uma capacidade mais limitada, podendo apenas receber aviões de maior porte “em situações de contingência ou indisponibilidade temporária do aeroporto principal”. O Governo ressalva que se houver indicação para tal nos estudos detalhados de segurança, a pista mais comprida poderá ser reabilitada.

Como se vai fazer a ligação entre os dois aeroportos?

Há várias hipóteses a serem estudadas. É possível que seja criada uma ferrovia ligeira sobre a Ponte Vasco da Gama, lê-se no documento do Governo, mas a prioridade seria uma ligação fluvial, “rápida e direta do terminal já existente no Montijo a um terminal em Lisboa com acesso ao Metro”, além dos acessos rodoviários que já existem.

Quanto vai custar e como se vai pagar?

O custo do projeto e o modelo de financiamento proposto devem vir na proposta que a concessionária apresentar. Mas no documento, o Governo dá pistas: “Deverá ser (…) um projeto de custo muito controlado, tendo em conta que se trata da adaptação de uma infraestrutura já em funcionamento”. E quanto ao financiamento? “A estimativa e pressuposto base da solução é de que o investimento seja realizado pela concessionária, verificando-se a sua recuperação através das receitas aeroportuárias“.

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