FMI: Impostos já são bastante elevados em Portugal
O chefe de missão do Fundo Monetário Internacional para Portugal não concorda com a aposta do Governo nos impostos indiretos e diz que já é tarde para tomar medidas para corrigir o défice.
Subir Lall, chefe de missão do FMI para Portugal, diz ao jornal Público que está preocupado com o crescimento fraco da economia e que não concorda com a aposta do Governo nos impostos indiretos como forma de cumprir as metas orçamentais do próximo ano.
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“A partir de determinada altura, aumentar os impostos já não nos leva muito longe”, diz o chefe de missão, alertando que os “impostos, incluindo os impostos indiretos, já são bastante elevados em Portugal”.
Numa altura em que a Comissão Europeia está a pedir mais medidas para que o défice de Portugal cumpra as regras europeias, Lall diz que “agora já é tarde para se tomar medidas que corrijam o défice deste ano” e que o foco deve agora virar-se para 2017 e perceber que medidas devem ser aplicadas que garantam um ajustamento adequado nos próximos anos.
A partir de determinada altura, aumentar os impostos já não nos leva muito longe (…) os impostos, incluindo os impostos indiretos, já são bastante elevados em Portugal
Subir Lall diz que o que existe é um problema estrutural com o crescimento. “Estamos numa situação em que estamos a chegar ao que nós pensamos ser o crescimento potencial de médio prazo da economia, que é bastante baixo, na ausência de novas reformas”, nota o responsável do FMI.
Questionado sobre se este crescimento baixo mostra que aquilo que foi feito durante o programa da troika foi um fracasso, Lall refere que “é preciso ter em conta que fazer mexer a agulha para um crescimento potencial mais elevado exige muitas reformas” e que os processos de reformas duram “entre cinco a 10 anos” porque têm de ser feitos de uma forma aceitável para os cidadãos.
Em relação às reformas, o chefe de missão diz que “as reformas propostas pelo Governo teriam algum impacto, mas gostaríamos de vê-las mais detalhadas e especificadas, com um calendário definido”.
Falando sobre o mercado laboral, Subir Lall refere que o FMI está bastante preocupado e que prevê uma descida muito mais moderada da taxa de desemprego ao longo dos próximos anos.
“É por isso que não somos favoráveis a um aumento do salário mínimo. Isso não cria empregos”, nota o responsável.
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