Ataques de drones ucranianos obrigam Rússia a importar combustível

  • Tiago Martins d'Oliveira
  • 23 Julho 2026

A Rússia vai começar a importar gasolina da Índia depois de os ataques de drones ucranianos deteriorarem a capacidade de refinação do país, agravando a escassez de combustível.

A Rússia deverá começar a recorrer à importação de combustível da Índia para responder à escassez provocada pelos sucessivos ataques ucranianos a refinarias russas, numa inversão inédita para um dos maiores produtores mundiais de petróleo.

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Um navio com cerca de 42 mil toneladas de combustível, carregado na refinaria de Vadinar, na Índia, deverá chegar este domingo ao terminal petrolífero de Beloye More, no norte da Rússia, segundo dados da empresa de análise Kpler vistos pelo Financial Times.

A operação representa um dos maiores carregamentos de combustível importado desde o início do conflito entre Kiev e Moscovo e evidencia o impacto que a campanha de drones ucranianos está a ter sobre a infraestrutura energética russa, reduzindo em cerca de 40% a capacidade de refinação da Rússia.

Durante as últimas semanas, várias regiões russas limitaram a venda de combustível por consumidor, enquanto longas filas nos postos de abastecimento se tornaram frequentes em diferentes zonas do país. Em algumas áreas, a população russa enfrenta horas ou até mesmo dias de espera para conseguir combustível e a crise já terá afetado cerca de 50 milhões de russos, de acordo com uma estimativa do jornal britânico.

Apesar das medidas adotadas pelo Kremlin, persistem dificuldades em várias regiões. Embora cidades como Moscovo e São Petersburgo já registem alguma estabilização do abastecimento, continuam a ser reportadas filas de dezenas de veículos em localidades como Astracã, Lipetsk ou Voronezh.

O Governo russo confirmou, no final de junho, que iria recorrer à importação de combustíveis para estabilizar o mercado interno. Já no início de julho, o vice-primeiro-ministro Alexander Novak confirmou oficialmente o início das importações de produtos petrolíferos.

Além da Índia, Moscovo também aumentou significativamente as compras à Bielorrússia. Segundo dados do Price Benchmark Centre partilhados com o Financial Times, Minsk vendeu à Rússia 184 mil toneladas de combustível em junho, um volume três vezes superior ao registado no mês anterior.

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