Guerra com Irão já custou 37,5 mil milhões de dólares aos EUA. Pentágono pede mais verbas ao Congresso

Secretário da Defesa dos EUA alertou que os custos do conflito no Médio Oriente continuam a aumentar e defendeu um reforço do financiamento para assegurar a continuidade das operações militares.

Com quase cinco meses de conflito no Médio Oriente, que envolve EUA, Israel e Irão, e ainda sem fim à vista, os custos da guerra continuam a aumentar. Segundo o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, citado pela NBC News, o conflito com o Irão já custou 37,5 mil milhões de dólares.

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Numa audição tensa no Congresso, o responsável defendeu que a administração Trump necessita de quase o dobro desse montante para manter as operações militares nos próximos meses. A nova estimativa, revelada durante uma audiência da Comissão de Apropriações do Senado, representa um aumento face aos cerca de 30 mil milhões de dólares apresentados aos legisladores no início deste mês. O Departamento da Defesa está agora a pedir ao Congresso um financiamento suplementar de 67 mil milhões de dólares.

A NBC noticiou na semana passada que a estimativa interna do Pentágono aponta para um custo total da guerra entre 80 e 100 mil milhões de dólares. Este valor inclui a reparação de bases militares norte-americanas danificadas, a substituição de aeronaves destruídas e a reposição integral do arsenal dos EUA, segundo três responsáveis norte-americanos.

O Pentágono explicou aos legisladores que a estimativa, que não era atualizada desde abril, contempla os custos de reposição de munições, mas exclui a reconstrução de bases militares. Já Hegseth afirmou que o cálculo apresentado por si inclui despesas com salários, operações, manutenção e outros custos “previstos” até ao final do atual ano orçamental.

EUA disponíveis para negociar. Irão deixa aviso após novos ataques

Apesar da escalada do conflito, Washington garante que a via diplomática continua em cima da mesa. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou esta quarta-feira que os Estados Unidos permanecem disponíveis para negociar uma solução para a crise, mas acusou Teerão de não demonstrar um compromisso genuíno com as conversações.

“O problema que temos neste momento é que eles não estão a levar as negociações a sério. Se estiverem, nós também estaremos. Se não estiverem, faremos o que for necessário para proteger os nossos interesses e os interesses dos nossos aliados”, afirmou Rubio, durante uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros do Sudeste Asiático, em Manila.

O chefe da diplomacia norte-americana reiterou ainda que o Irão não pode ser autorizado a controlar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado a nível mundial. Segundo Rubio, permitir que Teerão imponha restrições à navegação naquela rota estratégica criaria “um precedente muito perigoso”, com potenciais consequências para outras vias marítimas internacionais.

Entretanto, o Irão ameaçou atacar interesses dos Estados Unidos e dos aliados no Médio Oriente, caso Washington lance ataques contra as instalações nucleares iranianas, numa altura em que se agravam tensões militares. O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, o comando conjunto das Forças Armadas iranianas, condenou as ameaças dos Estados Unidos sobre ataques a “instalações nucleares e outros locais sensíveis” da República Islâmica, afirmando que as operações norte-americanas seriam encaradas como uma expansão da guerra na região.

O alerta iraniano ocorreu após o anúncio do Presidente norte-americano, Donald Trump, de atacar “muito em breve e com grande força” o “Mountain Peak”, um complexo subterrâneo que Washington afirma estar ligado ao programa nuclear do Irão. A instalação está situada numa zona montanhosa, o que dificulta a eventual destruição através de ataques convencionais e levanta questões sobre as capacidades necessárias para atingir às estruturas subterrâneas.

São já 11 noites consecutivas de bombardeamentos dos EUA contra o território do Irão, particularmente no sul do país. Em resposta, Teerão lançou nos últimos dias mísseis e drones contra alvos norte-americanos em várias nações do Médio Oriente, incluindo o Bahrein, o Kuwait e a Jordânia.

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