Porto enterra três troços da VCI e avança com bicicletas partilhadas nos próximos 10 anos
Plano de mobilidade para a cidade do Porto, a 10 anos, prevê enterramento da VCI no Foco, em Faria Guimarães e nas Antas, além da implementação de um sistema de bicicletas partilhadas.
Do enterramento de três troços da Via de Cintura Interna (VCI) do Porto à implementação de um sistema de bicicletas partilhadas até à expansão das faixas bus em mais 11,5 quilómetros — seis dos quais o autarca Pedro Duarte prevê acrescentar já este ano. Estas são algumas das medidas do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) da Invicta a executar durante a próxima década e que prevê ainda a construção de um novo interface intermodal junto ao Hospital de São João, com o enterramento da linha amarela do Metro do Porto.
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Este plano, que já começou a ser desenhado pela consultora Otimização e Planeamento dos Transportes (OPT) ainda no mandato de Rui Moreira, representa, assegurou o seu sucessor Pedro Duarte, “um momento de viragem no paradigma de mobilidade da cidade [que retira] o protagonismo ao automóvel” em prol do transporte público e dos modos suaves de mobilidade.

Apesar de admitir que há ainda um longo caminho a percorrer para “privilegiar o transporte público e depois devolver a rua às pessoas” nos próximos dez anos — até porque poderá haver alguma “resistência à mudança” —, Pedro Duarte manifesta-se otimista quanto à concretização deste plano arrojado que foi apresentado esta quarta-feira, no Pequeno Auditório do Rivoli.
Enquanto isso, o autarca social-democrata vai acenando aos munícipes com alguns “incentivos positivos“, como classifica as medidas para dissuadir o recurso ao automóvel na Invicta. Como é o caso da entrada em vigor, a 10 deste mês de julho, da gratuitidade dos transportes públicos em toda a Área Metropolitana do Porto (AMP), para os residentes na cidade. Desde então, a autarquia já registou cerca de 30 mil adesões e ativações do Passe Metropolitano Gratuito no cartão municipal Porto.
A implementação de um sistema de bicicletas partilhadas com 56 estações distribuídas ao longo da rede ciclável é outra das ações inscritas neste plano de mobilidade para a próxima década. Contudo, o município quer antecipar algumas dessas medidas e deverá apresentar, em breve, um plano para a rede ciclável, como adiantou o presidente da Câmara do Porto, eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL.
Um momento de viragem no paradigma de mobilidade da cidade [que retira] o protagonismo ao automóvel.
Entre os eixos estratégicos a executar a 10 anos está ainda “a cobertura da VCI em troços específicos”, como Faria Guimarães, Antas e o Foco, “ou seja, nas zonas onde a VCI se desenvolve numa cota inferior ao território adjacente”, detalhou Sandra Lameiras, da consultora OPT, durante a sessão que decorreu com casa cheia. Esta iniciativa permitirá, acrescentou, construir espaços verdes de proximidade e equipamentos desportivos, salvaguardando, contudo, “o papel da [VCI] como via estruturante de ligação no interior da cidade”.
A 12 de março deste ano, o primeiro-ministro anunciava, no Porto, uma nova via de cintura externa que seria uma “ligação intermédia” entre a VCI — uma das vias com mais tráfego no país — e a Circular Regional Exterior do Porto (CREP/A41). Na ocasião, Luís Montenegro explicou que esta via seria “uma alternativa à VCI, [de modo a] desviar o trânsito entre o Sul e o Norte relativamente à travessia da cidade do Porto”.
Três meses depois, a 25 de junho, o Conselho de Ministros viria a proibir a circulação dos veículos pesados de mercadorias na VCI durante o dia, ao longo da semana, a partir de 15 de setembro.
O “prolongamento dos túneis do Campo Alegre e de Faria Guimarães“, para libertar mais espaço à superfície, e o “reperfilamento integral da Estrada da Circunvalação” são mais algumas das medidas propostas. Para a zona da Circunvalação, avançou Sandra Lameiras, está prevista a construção de um interface junto ao Hospital São João, com “o enterramento da linha de metro, do canal rodoviário da Circunvalação, um parque de estacionamento subterrâneo, um terminal rodoviário à superfície e uma ligação pedonal eficiente à Linha de Leixões”.
“É muito importante conseguirmos congregar os términos, ou o início, das linhas [de metro] da Maia [II] que está prevista em Roberto Frias, da linha de São Mamede de Infesta e desta linha de Leixões que traz agora os comboios suburbanos de Aveiro para o Hospital São João”, assinalou a coautora deste plano de mobilidade.
A estratégia prioriza ainda os peões, mediante o reforço da acessibilidade pedonal em eixos prioritários, nomeadamente a construção de pontes pedonais e cicláveis, e de oito meios mecânicos (elevadores ou escadas rolantes) na zona da Batalha, Galiza, Palácio de Cristal, Virtudes e Via Panorâmica, e Antas.
Outra das ações previstas no PMUS passa pela redução do limite máximo de velocidade para 30 quilómetros por hora em vários quarteirões da cidade e que já vai arrancar na zona Oriental da Avenida da Boavista.
Este plano prevê igualmente o aumento em 11,5 quilómetros destas vias dedicadas ao bus na próxima década, mas Pedro Duarte prepara-se para cumprir mais de metade da meta já este ano. Em cima da mesa está também novo impulso à expansão da rede do Metro do Porto com o regresso ao estudo da linha do Campo Alegre e propostas de prolongamento das linhas Rosa (linha circular) e Rubi.
Outro incentivo à utilização do transporte público arranca já a 22 deste mês com a retoma da ligação fluvial entre o Porto e Vila Nova de Gaia. Uma das travessias vai ligar o Cais do Ouro (Porto) à Afurada (Gaia) e a outra a Ribeira do Porto ao Cais de Gaia. A reativação da linha do elétrico também está em cima da mesa.
A partir de setembro o PMUS estará em consulta pública para recolha de contributos, devendo ser aprovado pelo executivo portuense até ao final deste ano, segundo avançou Pedro Duarte que quer “tornar o transporte público mais apetecível” em detrimento do automóvel.
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