Presidente da Ucrânia reivindica papel de Kiev numa Europa que aposta no rearmamento
Zelensky reivindicou o lugar da Ucrânia numa Europa em que deixará de ser um "mero observador" para assumir um papel de "liderança", fruto dos avanços de capacidades militares alcançados por Kiev.
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, reivindicou esta quarta-feira o lugar do país numa Europa em que, “pela primeira vez”, deixará de ser um “mero observador” para assumir um papel de “liderança” graças aos projetos de armamento desenvolvidos por Kiev.
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Num discurso proferido por ocasião do Dia do Estado da Ucrânia, Zelensky defendeu também um país sem guerra e sem a “ameaça” representada pela Rússia.
“Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para construir um sistema antimíssil para a Europa, reunindo todas as capacidades europeias de defesa antimíssil, para que os céus dos nossos povos estejam protegidos”, afirmou o Presidente ucraniano.
Na intervenção, Zelensky destacou também os progressos alcançados pela Ucrânia no domínio da defesa nas últimas semanas, referindo os ataques de longo alcance contra território russo, os acordos de armamento celebrados com França e a autorização concedida pelos Estados Unidos para o fabrico de mísseis Patriot.
“Já não existem limites inalcançáveis para a justiça ucraniana em território inimigo. Os nossos 500 drones diários atingem dezenas de refinarias, navios-tanque da frota clandestina e infraestruturas militares russas, que sofrem o impacto. Não faz sentido atentar contra a soberania da Ucrânia”, afirmou.
“O nosso principal objetivo não é uma Rússia sem gasolina, mas uma Ucrânia sem a Rússia, uma Ucrânia sem guerra, uma Ucrânia com a Europa e uma Ucrânia e uma Europa sem a ameaça de Moscovo“, resumiu, agradecendo a todos os países que contribuíram para reforçar o arsenal e a indústria de armamento ucranianos.
“Esta é a Ucrânia de hoje. Um Estado ao qual deram 72 horas, mas que resistiu a 12 anos de agressão e a 1.603 dias de guerra em grande escala”, sublinhou Zelensky, assegurando que até os “propagandistas russos” admitem que “a Ucrânia é um Estado que a Rússia não consegue derrotar” e de que a “NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte] necessita”.
Estas declarações de Volodymyr Zelensky surgem no mesmo dia em que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está em Kiev e anunciou a celebração de uma parceria entre a União Europeia (UE) e a Ucrânia com o objetivo de reforçar a produção conjunta de drones.
A deslocação de Von der Leyen a Kiev, que só hoje foi divulgada, acontece um dia depois de a UE ter aberto um segundo grupo de capítulos de negociação com a Ucrânia – concretamente o capítulo 6, que trata da política externa -, apenas um mês após o início das negociações formais de adesão ao bloco comunitário.
Kiev apresentou o pedido de adesão à UE pouco tempo depois do início da invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022. A Ucrânia recebeu o estatuto de país candidato em junho desse mesmo ano.
Durante a visita, Zelensky condecorou Ursula von der Leyen com a primeira Ordem da Europa do país, uma distinção criada em reconhecimento do “mérito pessoal excecional” no apoio à Ucrânia no seu caminho para a adesão plena à UE.
Trata-se da 11.ª visita de Von der Leyen e acontece cinco meses depois da sua última deslocação à Ucrânia, onde esteve em fevereiro com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, por ocasião dos quatro anos de conflito.
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