O meu reino por um carro. 67% não largam o transporte individual na Grande Lisboa
Estudo do Observatório ACP traça cenário de utilização do carro individual versus o transporte público. Autoridades recebem críticas, ao mesmo tempo que se pede o reforço da sua ação.
Sete anos após a instituição do passe Navegante, que por 40 euros permite viajar em todos os autocarros, elétricos, metropolitanos, comboios urbanos e barcos, de Mafra a Setúbal e de Cascais a Vila Franca de Xira, dois terços dos cidadãos da Área Metropolitana de Lisboa continuam a preferir o automóvel como meio de deslocação. E se 67% consideram o automóvel o seu modo de deslocação preferido, 59% têm-no mesmo como o meio de transporte das suas deslocações, ainda que 46% não percorra mais de 10 quilómetros para chegar ao destino nas suas deslocações diárias.
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Estas são alguma das conclusões do estudo “Tendências Urbanas de Mobilidade 2026”, do Observatório do Automóvel Club de Portugal (ACP). Através da auscultação a 1,850 cidadãos maiores de idade residentes na Área Metropolitana de Lisboa (AML), avaliaram-se, entre outros aspetos, padrões de deslocação, modos de transporte e oferta, infraestruturas, segurança e disciplina rodoviária.

Apesar de o preço do passe mensal significar atualmente menos de 5% do valor do salário mínimo nacional, 17% (um terço daqueles que sabem dizer quanto custa o passe) ainda vê os 30 e 40 euros do Navegante e Navegante Metropolitano (respetivamente) como elevados.
Apesar de as duas áreas metropolitanas serem, de longe, territórios privilegiados face à média nacional no que concerne à oferta de transporte público, o estudo do Observatório do ACP indica uma fraca adesão entre os 2,9 milhões de residentes dos 18 municípios da AML.
Do total, 34% afirmam não mudar de meio de transporte por falta de alternativa conveniente, ao passo que 22% apontam a flexibilidade do automóvel como razão de escolha. Praticamente 50%, contudo, sentir-se-ia incentivado a usar transportes públicos caso a frequência aumentasse.
Sem surpresa, quase metade dos inquiridos apontam o excesso de trânsito (46%) e a falta de estacionamento (42%) como maiores preocupações. Neste contexto, a satisfação dos inquiridos com o modo de transporte que adotam nas suas deslocações fica-se por cerca de um quarto. Já a opção por teletrabalho, num cenário em que 61% dos inquiridos se desloca todos ou quase todos os dias para o trabalho, ganha claramente o papel de remédio para estes males.
Adicionalmente, 32% apontam como preocupação a insuficiente fiscalização e presença policial, com 46% dos residentes a acusarem os condutores de exagero na velocidade e 48% a identificarem o problema das distrações ao volante.
Não obstante os perigos identificados, a ação das autoridades na gestão do trânsito e no estacionamento tem mais opositores do que defensores, com os residentes de Odivelas e Sintra a apresentarem a maior insatisfação neste particular.
Na satisfação com as medidas tomadas pelo Executivo camarário de cada concelho, a margem direita do Tejo vence a esquerda por 2-1, com Cascais, Oeiras e, a sul, o Barreiro, a levarem nota positiva. Negativa é a apreciação mais a sul, em Setúbal, onde só chegam autocarros e o comboio, com os problemas conhecidos na operação da Fertagus. Mais nenhum município entre os 18 da AML merece nota negativa.
Entre os pontos mais favoráveis para os executivos municipais estão o ordenamento do tráfego, a sinalização e gestão de semáforos e ainda a acessibilidade e segurança para os peões.
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