País tem de apostar no valor e não no volume
João Rui Ferreira encerrou o ECO Luxury Summit defendendo uma economia de excelência assente na marca, no talento e na sustentabilidade, e avisa que Portugal nunca será competitivo pela via do volume.
O encerramento do ECO Luxury Summit ficou a cargo de João Rui Ferreira, secretário de Estado da Economia, que optou por falar a partir da sua experiência com a indústria transformadora, as exportações e o empreendedorismo. A agenda internacional das últimas semanas levou o responsável a vários destinos, numa lógica dupla de atração de investimento e de contacto com empresários portugueses no estrangeiro, com foco na indústria transformadora e naquilo que gera valor acrescentado e exportação. E avisa: quem está mais próximo do consumidor final, distribuidores e importadores, tende a captar a maior parte da margem, um padrão que se repete em vários setores industriais portugueses.
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Para o governante, Portugal está a construir uma economia de excelência num sentido amplo, em que o luxo se aproxima cada vez mais da experiência e menos da simples materialização de um produto. “A experiência começa em todos os momentos em que ele se começa a relacionar com o país”, sublinhou, retomando uma ideia já debatida nos painéis anteriores da conferência.
Há hoje, segundo o secretário de Estado, uma perceção internacional unânime de que “Portugal está a viver um grande momento”, com uma imagem consolidada como destino turístico, gastronómico e cultural. João Rui Ferreira destacou ainda uma mudança de paradigma na perceção de preço, com o país a deixar de ser visto apenas como destino acessível, uma evolução que considera particularmente visível no mercado norte-americano.
Ligando esta perceção à componente industrial, defendeu que o desafio português passa agora por subir na cadeia de valor e criar marcas próprias, algo que reconhece não fazer parte da tradição do país. “Made in Portugal” é, na sua leitura, uma marca já consolidada ao nível do saber fazer, mas falta ainda o salto para a intangibilidade que sustenta o valor das marcas globais.
O governante recorreu a um exemplo do seu percurso profissional ligado à cortiça para ilustrar esta lógica de valorização por associação. “Consigo aumentar o preço das rolhas mostrando os sapatos do Christian Louboutin”, afirmou, reconhecendo que a comparação pode parecer desproporcionada, mas que a perceção de valor de um produto contamina positivamente todo o segmento.
Hoje não é por falta de incentivos e de instrumentos públicos para a internacionalização que as coisas não acontecem
João Rui Ferreira apontou também o facto de a matriz elétrica portuguesa ser 80% de base renovável como vantagem competitiva para o crescimento em valor de vários setores, e insistiu que a criação de marcas exige capital, tempo e, acima de tudo, consistência.
Quanto aos apoios disponíveis, o secretário de Estado garantiu que os instrumentos públicos de internacionalização já existem. “Hoje não é por falta de incentivos e de instrumentos públicos para a internacionalização que as coisas não acontecem”, afirmou, adiantando que foram colocados à disposição das empresas mais de 200 milhões de euros para esta área.
“Portugal terá que ser sempre um país de valor e nunca seremos competitivos se formos um país de volume”, rematou.
Veja aqui o encerramento:
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