Praias com má qualidade da água em Portugal aumentam para 12. Veja onde não deve mergulhar

Número absoluto de praias com água de excelente qualidade aumentou, mas em termos relativos houve uma quebra, fruto da maior quantidade de praias analisadas pela Agência Europeia do Ambiente.

A lista de praias portuguesas com água balnear excelente aumentou em 2025, face ao ano anterior, mostram os dados da Agência Europeia do Ambiente (AEA). Contudo, tal ocorre num contexto de crescimento ainda maior da quantidade de águas balneares analisadas pela AEA, pelo que a quota de praias com a melhor classificação apresenta uma queda para o pior resultado da década. Por outro lado, o número de praias com águas merecedoras da pior classificação aumentou de nove para 12 (ver lista abaixo).

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

Segundo os dados conhecidos na última terça-feira, em 2025 foram monitorizadas 682 praias, das quais 559 foram classificadas como de qualidade excelente, uma percentagem de 82%. Em 2024, a associação Zero notava a existência de 673 águas balneares, das quais 556 (82,6%) com excelente qualidade.

Reagindo à classificação da AEA relativa a 2024, os ambientalistas salientavam então que Portugal reduzira a percentagem de águas excelentes face a 2021. Em 2025, a quota de praias com água excelente atingiu o pior resultado desde 2021.

Na comparação com os valores de 2024, o número de praias com água “excelente” aumentou de 556 para 559, a água “boa” passou de 73 para 75, as águas de qualidade “suficiente” são 19 (mais quatro) e as águas balneares de qualidade “má” aparecem em 12 praias. Note-se ainda que as águas “não classificadas” diminuíram de 20 para 17.

Relativamente aos dados das águas de má qualidade em 2024, a Zero ressalvava, há um ano, que “a seca pode ter reduzido caudais nas águas balneares interiores e agravado alguma contaminação presente, dado que cinco das nove praias más foram praias interiores”. Entretanto, com o agravamento da seca até ao verão de 2025, o número de praias fluviais com má qualidade da água subiu para nove, a que se juntam mais três na costa marítima.

Na costa sul, o Algarve tem a esmagadora maioria das praias classificadas de excelentes, com a nota mais baixa a pertencer à praia do Camilo, em Lagos, como suficiente.

Ao longo da restante costa, a classificação mais alta, excelente, é a nota dominante. Apenas seis são designadas pela AEA como suficiente, o terceiro escalão.

A norte, encontramos Vila Praia de Âncora (segundo ano consecutivo com suficiente, depois de uma sequência de excelente desde 2015) e, em Matosinhos, o Castelo do Queijo, vizinha da única praia com má qualidade de água em todo o mar continental (as restantes estão na Madeira ou são praias fluviais no continente).

Duas estão no concelho da Figueira da Foz, na foz do Rio Mondego: Cabedelo e Forte. Aquela, tem a pior classificação de sempre, esta já foi má em 2016 e 2017 e chegou a ter classificação de boa entre 2020 e 2024. A água balnear da restante frente marítima da Figueira da Foz é apontada como excelente.

Praia de Caxias, concelho de Oeiras

 

No concelho de Oeiras, a praia de Caxias, junto ao pontão onde desagua a Ribeira de Barcarena, teve, entre 2018 e 2021, a classificação de excelente, mas em 2022 baixou para o terceiro escalão, suficiente.

Também como suficiente, mas no município vizinho, a praia da Duquesa, acessível pelo centro de Cascais, tem a sua pior classificação desde 2015, primeiro ano de avaliação da qualidade da água das praias europeias indicado pela AEA.

No quarto escalão, água considerada má, existe uma praia marítima no continente e duas na Madeira – na Região Autónoma mantém-se a quantidade, mas este ano entra na lista a Quinta do Norte, enquanto a Maiata, na costa norte, passa de má a suficiente. As demais estão localizadas em margens de ribeiras e rios do continente.

Destaque ainda, mas pela positiva, para as albufeiras de Castelo de Bode e do Alqueva, com todas as praias consideradas excelentes.

Face aos parceiros europeus, Portugal aprofundou a distância para a média europeia, com 82%, face a 85% da Europa a 29 (UE mais Albânia e Suíça). Há um ano, havia 82,6% de águas balneares excelentes e a média europeia estava nos 85%.

Veja aqui a lista das praias com as piores águas classificadas pela Agência Europeia do Ambiente. Para a lista entram, este ano, Bitetos, Poço do Lagar, Ponte da Barca e Ponte do Sótão.

  • Almaceda

Ao longo de 11 anos, teve duas classificações como excelente, sete como boa e há dois anos que a água é classificada como má. Esta praia da ribeira de Almaceda, bacia hidrográfica do Tejo, no concelho de Castelo Branco, também é conhecida como Poço do Lagar, homónima de outra em Seia, bacia do Mondego, também incluída nesta lista.

  • Benfeita

Localizada no Rio Alva, numa aldeia de xisto com o mesmo nome, é, segundo a AEA, má pelo segundo ano consecutivo. Em 2017 e 2018 era excelente.

  • Bitetos

Praia no Douro, mereceu a classificação de excelente entre 2020 e 2022, baixando para boa no ano seguinte e depois para suficiente. Em 2025, a Agência Europeia do Ambiente designa a qualidade da água de má.

  • Fragas de São Simão

Praia em Figueiró dos Vinhos, na Ribeira de Alge, bacia hidrográfica do Tejo, foi considerada excelente de 2018 a 2023, mas há dois anos que é classificada de má.

  • Matosinhos

Classificada de 2015 a 2021 como excelente, em 2022 esta praia marítima baixou para a classificação boa, desceu para suficiente em 2023 e tornou-se má em 2024 e 2025.

  • Poças do Gomes – Doca do Cavacas

Se em 2015 e 2016 a água era má, a partir daí houve uma melhoria, surgindo como suficiente no ano seguinte e como boa até 2021. De lá para cá, a zona balnear madeirense constituída por piscinas naturais já soma três anos de água considerada má.

  • Poço do Lagar

Com o primeiro ano de classificação pela AEA em 2017, a água da praia na Ribeira de Alvôco, na bacia hidrográfica do Mondego, em Seia, foi considerada excelente até 2021 e depois começou a descer de escalão. Em 2025, foi classificada de má.

  • Ponte da Barca

De 2021 a 2024, a praia fluvial tinha estado classificada como Suficiente. Já tinha sido má em 2018 e em 2015 e 2017 chegou a ser boa.

  • Ponte do Sótão

Localizada no concelho de Góis, no Rio Sótão, começou a ser classificada pela AEA em 2022. Estava no escalão de suficiente, até que em 2025 caiu para má.

  • Quinta do Lorde

Localizada na costa leste, esta praia ficou interdita à prática balnear em julho de 2025, após contaminação microbiológica. Considerada excelente em 2019 e 2020, só voltou a ser avaliada em 2024, quando a AEA a considerou suficiente, caindo para má no ano passado.

  • Relva da Reboleira

Excelente entre 2015 e 2021, a qualidade da água do Zêzere nesta praia em Manteigas teve dois anos de classificação como boa e agora soma o segundo ano como má.

  • Sandomil

Entre 2015 e 2023, a classificação da água nesta praia fluvial do Rio Alva, em Seia, foi, à exceção do excelente de 2021, sempre boa. Agora, tem o segundo ano como má.

 

 

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Praias com má qualidade da água em Portugal aumentam para 12. Veja onde não deve mergulhar

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião