Prejuízos em Alcácer do Sal já atingem 107 milhões de euros; a maioria é municipal
Este diagnóstico ainda não abrange os prejuízos nos setores da agricultura e pescas. A câmara garante que continua à espera da ajuda do Governo e que "ainda está a negociar com as seguradoras".

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Os prejuízos provocados pelo mau tempo em Alcácer do Sal já atingem 107 milhões de euros, com a maioria, cerca de 80 milhões, a dizer respeito a equipamentos municipais, revelou esta sexta-feira o vice-presidente da câmara, António Grilo.
“Nestes 107 milhões que temos apurados, cerca de 80 milhões são respetivos ao município de Alcácer, essencialmente [danos em] infraestruturas, equipamentos e edifícios”, precisou à agência Lusa o autarca desta câmara do distrito de Setúbal.
O vice-presidente, que também é vereador com o pelouro da Proteção Civil, explicou que este diagnóstico mais atualizado engloba os prejuízos do município, do tecido económico, de particulares, de instituições particulares de solidariedade social e de juntas de freguesia, mas ainda não abrange os danos provocados nos setores da agricultura e das pescas.
No dia 3 deste mês, num balanço mais preliminar, a presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, disse à Lusa que estavam, nessa altura, contabilizados cerca de 30 milhões de euros de prejuízos, após as cheias que atingiram o concelho, e reclamou “apoio urgente” para “salvar os negócios”.
Na altura, dia em que recebeu a visita de uma delegação de deputados da comissão parlamentar de Agricultura e Pescas, a autarca precisou que o levantamento apontava para “cerca de 10 milhões de euros [de prejuízos] nos particulares [e] cerca de 20 milhões” a nível municipal.
Agora, quase dois meses após as cheias que atingiram o concelho e a cidade, sobretudo a zona junto ao Rio Sado, cujo nível subiu e inundou ruas, comércios, casas, um lar e equipamentos municipais, danificando também estradas e pontes, entre outros prejuízos, o balanço dos prejuízos já está mais ‘afinado’.
Nestes 107 milhões que temos apurados, cerca de 80 milhões são respetivos ao município de Alcácer, essencialmente a [danos em] infraestruturas, equipamentos e edifícios.
“A grande ‘fatia’ obviamente que é do município, à volta de 80 milhões, mas estamos a falar de um valor dinâmico, em que pode haver um ajuste”, ressalvou o número dois da autarquia, António Grilo.
No montante global apurado, estão contabilizados, até ao momento, prejuízos de 12,5 milhões de euros, no comércio e serviços, tal como danos em infraestruturas do Estado “na ordem dos 10 milhões de euros”, acrescentou.
“Este valor está praticamente fechado, mas temos a expectativa de, até ao final deste mês ou meados do próximo, termos um valor consolidado daquilo que são os prejuízos apurados”, afiançou o vice-presidente.
Além da Ponte de São Romão do Sado, que “ficou inoperacional e carece de uma intervenção com um custo elevadíssimo”, do Parque Urbano, da frente ribeirinha e de muitas vias danificadas por todo o concelho, o autarca realçou ainda os prejuízos ao nível do património histórico.
Neste caso, a autarquia não consegue “apurar exatamente um valor relativamente ao prejuízo, porque não há um referencial de reposição de artefactos que ficaram danificados”, acrescentou.
Apesar de o montante elevado dos prejuízos nos equipamentos municipais, António Grilo garantiu que a câmara “está ainda, ao dia de hoje, a negociar com as seguradoras” e continua a aguardar pela ajuda do Governo.
“Estamos a aguardar ainda pelo encerramento de alguns pacotes para podermos aceder a algum tipo de incentivo. Neste momento, não fomos ressarcidos, nem acedemos a qualquer tipo de montante para fazer face aos nossos prejuízos”, garantiu.
Mas, na quinta-feira, realçou, “começaram a ser pagos os apoios ao nível das habitações”, através da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, tendo sido submetidos, até à data, “109 processos” de particulares. “Vinte e seis processos estão em condições de serem ressarcidos dos montantes“, especificou.
Questionado sobre os apoios a fundo perdido ao comércio local, que tem sido uma das reivindicações da autarquia, António Grilo disse que “o ‘timing’ nunca será o desejado” para as necessidades urgentes dos comerciantes. “Estamos na expectativa de nos serem apresentadas medidas concretas para o apoio ao comércio e serviços, no sentido de haver uma alavancagem na reabertura dos negócios”, frisou.
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