Há o risco de alguns beneficiários terem de devolver verbas do PRR
"Estou convencido que haverá projetos cujos beneficiários vão ter de devolver dinheiro”, disse o Pedro Dominguinhos, por as despesas efetuadas não se enquadrarem no projeto aprovado.
O presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) alerta que poderá haver beneficiários que vão ter de devolver dinheiro por as despesas efetuadas não se enquadrarem no projeto aprovado.
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“Estou convencido que haverá projetos cujos beneficiários vão ter de devolver dinheiro”, disse o Pedro Dominguinhos, numa conferência de sobre “Como medir o impacto do PRR”, realizada esta quinta-feira no ISEG.
Depois de a procuradora-geral adjunta, Ana Carla Almeida, ter sublinhado o risco de algumas verbas do PRR serem mal gastas, Pedro Dominguinhos concordou com o alerta e sublinhou a importância de os beneficiários intermediários, que têm contratos assinados com a Estrutura de Missão Recuperar Portugal, irem ao terreno validar o que está a ser feito.
A lógica de os beneficiários receberem um adiantamento e só, posteriormente, ser feita a validação elimina esse risco, explicou o presidente da CNA.
“Nenhum beneficiário vai receber a totalidade dos investimentos que fizeram”, defende, dando como exemplo os projetos no âmbito da componente C6 das Qualificações e Competências, “uma das mais avançadas, já que recebeu adiantamento e já fez dois pedidos de pagamentos” e na qual “qual “houve despesas que não foram validadas”, revelou.
O facto de o PRR ter objetivos bem definidos, que têm de ser cumpridos, poderá dificultar a execução. Ou seja, se está definido que a meta é formar 500 mestres, é preciso que comprovar um a um remetendo os diplomas. Uma metodologia diferente do que tem sido feito até aqui.
Por exemplo, quando a compra de computadores para as escolas foi financiada por fundos europeus, bastava apresentar a fatura, mas agora é preciso comprovar que os computadores chegam a cada uma das crianças. Outro ponto da discussão é saber esses computadores têm o resultado desejado.
Ora é a medição do impacto do PRR é uma dificuldade porque os indicadores escolhidos não medem adequadamente os impactos. “As metas e os marcos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) não vão alterar o perfil económico do país”, alertou o economista Paulo Trigo Pereira, um dos autores do estudo apresentado.
“Para cada problema estrutural temos de dedicar indicadores específicos”, acrescentou recordando que “muitos dos indicadores de satisfação têm a ver com indicadores de resultados”. “Se isso não for feito é depois feito na rua que é muito pior”, disse Trigo Pereira numa referência ao aumento da contestação social por as pessoas não sentirem que a bazuca lhes tenha, de facto, mudado a vida, muito milhões de euros depois. “Portugal não aguenta mais uma década a crescer 0,5%”, frisou.
Daniel Traça, membro do think Tank. Iniciativa Anti-fraude, lamentou o facto de tanto o Orçamento do Estado como o Portugal 2030 apenas olharem para a execução, mas “a Comissão Europeia obrigou Portugal a olhar pelo menos um nível acima, o dos resultados”.
“A política pública em Portugal não se preocupa com o impacto das decisões a melhoria da vida os portugueses”, acrescentou Daniel Traça.
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