Megaprojeto de cenouras bebés em Almeirim perde apoios públicos por falhar prazos
A empresa, quando o prazo para realizar o investimento já estava quase a terminar, pediu uma prorrogação justificando que a pandemia teria provocado atrasos a obtenção do licenciamento.
Incumprimento do estipulado no contrato. Esta é a razão que levou a Aicep a anular o contrato de investimento celebrado com a 52-Fresh que se comprometeu em criar uma unidade agroindustrial de produção e exportação de cenouras bebés. O projeto de 50 milhões de euros de empresários americanos, que compraram 40 hectares em Fazendas de Almeirim foi anunciado há dois anos para Almeirim nunca saiu do papel.
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“Esgotado que está, há largos meses, o período de investimento contratualmente fixado, a 52-Fresh não apresentou, até hoje, nenhuma despesa relacionada com a construção e equipamento da unidade industrial, tendo apenas submetido para alegadamente comprovar o início do projeto uma fatura, no valor de cerca de 30 mil, relativa à encomenda de uma maqueta da linha de produção projetada”, pode ler-se no despacho publicado esta terça-feira em Diário da República. “Verifica-se assim o incumprimento pela 52-Fresh da obrigação de realizar o projeto nos termos, prazos e condições contratualmente definidos, estabelecida na cláusula terceira do Contrato e na alínea a) do n.º 1 do artigo 24.º do Decreto-Lei n.º 159/2014, de 27 de outubro, aplicável por força do artigo 12.º do RECI”, acrescenta o mesmo despacho.
A AICEP e a empresa 52-Fresh assinam em junho de 2019 um contrato para a construção de uma unidade de transformação de cenouras pequenas para exportação que seria responsável pela criação de mais 183 novos postos de trabalho, dos quais 42 correspondem a postos de trabalho altamente qualificados. Em causa estava um investimento de 50 milhões de euros celebrado no âmbito de programas de incentivos fiscais e financiamento. A expectativa era alcançar, no espaço de um ano, um volume de negócios de 35 milhões de euros graças às exportações para a Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Suécia.
A empresa estimava ainda, em 2022, um ano após o arranque do projeto, que “as compras, fornecimentos e serviços com origem no mercado nacional” atingissem 19,4 milhões de euros, o correspondente a “cerca de 75% do total das compras”.
Mas nenhum destes pressupostos se verificou e o projeto, que levou quatro anos a ser negociado, acabou por perder os apoios públicos que lhe foram atribuídos. O projeto era elegível para receber um apoio de 12,2 milhões de euros do Compete.
A empresa, quando o prazo para a realização do investimento já estava quase a terminar, pediu a prorrogação do mesmo justificando os atrasos com a pandemia que teria provocado dificultado a obtenção do licenciamento para a construção da unidade produtiva. Mas, a 52-Fresh não conseguiu demonstrar que esses atrasos se deviam à pandemia, diz o despacho. Além disso, na revogação do contrato está também o facto de a empresa nunca ter comprovado “a existência de meios de financiamento do projeto” nem ter realizado o aumento do capital social e as prestações suplementares contratualmente exigidos.
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