Novas bolsas para alunos carenciados arrancam em setembro. Como vão funcionar?
- Isabel Patrício
- 30 Julho 2026
Ainda que Governo entenda que não há condições para implementar de forma integral o novo sistema de bolsas a partir de setembro, vai avançar já com o novo apoio destinado aos alunos mais carenciados.
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O sistema de ação escolar no ensino superior vai mudar?
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A quem se destina nova bolsa de incentivo?
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A atribuição desta nova será automática?
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Mas o ministro da Educação não tinha dito que esta bolsa seria só para o primeiro ano?
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Mas, afinal, qual será o valor desta nova bolsa?
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Será cumulativa com a bolsa "normal" de ação social?
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Que outras medidas de ação escolar avançam já?
Novas bolsas para alunos carenciados arrancam em setembro. Como vão funcionar?
- Isabel Patrício
- 30 Julho 2026
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O sistema de ação escolar no ensino superior vai mudar?
Sim, vai. Há pouco mais de uma semana, o Governo fez publicar em Diário da República um decreto-lei que estabelece um novo modelo para a política de ação social escolar no âmbito do ensino superior. A intenção é criar um “sistema mais justo, transparente e eficaz“, conforme já tinha indicado anteriormente o Ministério da Educação.
“A evidência disponível demonstra que a origem social continua a exercer uma influência determinante nos percursos educativos, com probabilidades substancialmente distintas de atingir o ensino superior em função do nível de escolaridade dos pais. Atendendo a esta realidade, a promoção da igualdade de oportunidades no acesso e na frequência do ensino superior impõe uma intervenção pública ativa e consistente, orientada para contrariar a reprodução das desigualdades sociais e para reduzir os obstáculos económicos que condicionam as escolhas educativas dos estudantes e das suas famílias“, sublinha o Executivo de Luís Montenegro, no referido diploma.
O novo modelo prevê mudanças não só nos apoios sociais direitos (as bolsas de estudo), mas também nos apoios sociais indiretos (nomeadamente, as residências estudantis).
Esta quarta-feira, o Ministério da Educação anunciou, contudo, que decidiu aplicar este novo sistema de forma faseada, tendo em conta que a coincidência entre a conclusão deste processo legislativo e a primeira fase de apresentação das candidaturas ao concurso nacional de acesso de 2026.
Assim, o novo modelo que determina que as bolsas de estudo passam a ser calculadas com base no custo real de estudo em determinada localidade e no rendimento que pode ser disponibilizado ao estudo pelo agregado só será aplicado a partir do ano letivo de 2027/2028.
Mas há alterações que arrancam já no ano letivo que se avizinha (2026/2027), nomeadamente a criação das chamadas bolsa de incentivo, um apoio que visa “atenuar o custo de oportunidade associado à decisão de prosseguir estudos no ensino superior“.
Proxima Pergunta: A quem se destina nova bolsa de incentivo?
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A quem se destina nova bolsa de incentivo?
A bolsa de incentivo será atribuída aos alunos que beneficiem do primeiro escalão do abono de família, de acordo com a nota enviada pelo ministério da tutela às redações.
Proxima Pergunta: A atribuição desta nova será automática?
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A atribuição desta nova será automática?
Sim e não. No primeiro ano de matrícula, a atribuição da bolsa de incentivo será, sim, automática. Contudo, nos anos letivos seguintes, as regras serão diferentes. Nesse caso, a atribuição fica dependente da obtenção, no ano letivo anterior, de uma “classificação final entre as 25% classificações mais elevadas“.
Proxima Pergunta: Mas o ministro da Educação não tinha dito que esta bolsa seria só para o primeiro ano?
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Mas o ministro da Educação não tinha dito que esta bolsa seria só para o primeiro ano?
Sim, chegou a ser discutida essa possibilidade. Ainda no final de maio, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, referia que a proposta que estava em cima da mesa passava pela atribuição apenas no primeiro ano, confirmando a notícia avançada pelo Público.
No entanto, o comunicado divulgado esta quarta-feira indica que os alunos poderão continuar a receber este apoio, nos anos seguintes, desde que se mantenham entre os melhores classificados.
Proxima Pergunta: Mas, afinal, qual será o valor desta nova bolsa?
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Mas, afinal, qual será o valor desta nova bolsa?
Segundo a nota enviada às redações, a bolsa de incentivo corresponderá a 1.075 euros, no ano letivo de 2026/2027.
Proxima Pergunta: Será cumulativa com a bolsa "normal" de ação social?
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Será cumulativa com a bolsa "normal" de ação social?
O decreto-lei publicado ainda não dá resposta a essa questão, mas a informação que tem sido dada pelo Governo permite perceber que a bolsa de incentivo deverá acrescer às bolsas “normais”.
No ano letivo passado, foram atribuídos cerca de 84 mil destes apoios, a maioria dos quais no valor mínimo previsto (que corresponde, praticamente, ao valor da propina).
Aguarda-se agora a publicação de uma portaria que venha confirmar as regras de atribuição e acumulação das bolsas.
Proxima Pergunta: Que outras medidas de ação escolar avançam já?
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Que outras medidas de ação escolar avançam já?
Há também mudanças no que diz respeito ao alojamento estudantil que vão avançar já em setembro, de acordo com o Ministério da Educação.
O Governo explica que o decreto-lei já referido prevê que o preço cobrado por cama nas residências está limitado aos custos da disponibilização dessa cama ao estudante, definindo um teto máximo no caso dos estudantes bolseiros de 30% do Indexante dos Apoios Sociais (IAS), o que corresponde a cerca de 161 euros.
Ora, atualmente, o teto máximo é de 17,5% do IAS (94 euros) e as instituições recebem uma compensação adicional por cama ocupada por bolseiro de 40 euros. “Assim, em termos de financiamento mensal por cama, as instituições poderão passar a receber 161 euros por cama ocupada por bolseiro, em comparação com os atuais 134 euros“, detalha a tutela.
“Este aumento, em linha com os custos estimados por cama de manutenção das residências, garante às instituições de ensino superior as condições para a promoção da melhoria do bem-estar dos estudantes“, nota ainda o Governo.
Além disso, os alunos bolseiros deslocados, que receberão o apoio de alojamento de 161 euros, terão prioridade na ocupação de camas nas residências académicas, mas optar por alojamento privado, assegura a tutela.
“Com o aumento do valor por cama e da liberdade de escolha dada ao estudante, pretende-se incentivar um novo modelo de gestão das residências académicas, focado na melhoria das condições de integração dos estudantes no ensino superior, condição essencial para o seu sucesso académico”, frisa o Governo.