Artemis parte hoje rumo à Lua e a bordo leva tecnologia europeia

A primeira missão tripulada da Artemis, que terá uma duração de dez dias, parte do Kennedy Space Center esta quarta-feira. A Agência Espacial Europeia está envolvida no projeto.

A manterem-se as condições de 80% de tempo favorável previstas pela NASA, esta quarta-feira a missão Artemis II parte com quatro astronautas num voo orbital à Lua. É a primeira missão tripulada do programa Artemis, e a primeira em 50 anos à Lua. A bordo da nave espacial Orion vai tecnologia made in Europa.

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“Esta missão Artemis II, com lançamento previsto para 1 de abril, é a primeira missão tripulada do programa Artemis e tem, para a indústria espacial europeia, um significado muito concreto: demonstra que a Europa não é apenas um parceiro institucional, mas sim fornecedor de um elemento crítico da missão: o European Service Module (ESM)”, destaca Hugo André Costa, diretor executivo da Agência Espacial Portuguesa, em declarações ao ECO/eRadar.

“Desenvolvido e construído totalmente pela indústria europeia no quadro da Agência Espacial Europeia (ESA), o EMS é essencial para a missão, assegurando funções fundamentais à operação da Orion e à sobrevivência dos quatro astronautas, incluindo propulsão, energia, água, oxigénio e controlo térmico”, descreve Hugo André Costa.

O módulo é um cilindro com cerca de quatro metros de altura e largura, com um sistema de propulsão, composto por um motor principal, oito motores auxiliares e 24 propulsores menores para controlo de altitude, um total de 33 propulsores que vai permitir conduzir a nave Orion para o seu destino.

Construído pela Airbus Defence and Space para a ESA, “com muitas empresas por toda a Europa a fornecerem componentes”, e montagem final em Bremen (Alemanha), o EMS transporta 90 kg de oxigénio e 240 kg de água potável, que serão bombeados para o módulo da tripulação para manter os astronautas vivos; tendo ainda um sistema de controlo da temperatura para regular a temperatura da cabine mantendo a tripulação confortável, face às variações extremas de temperatura do espaço profundo. Tem ainda painéis solares que irão gerar 11,2 kW de energia, “o suficiente para abastecer a nave espacial e os novos sistemas de comunicação de alta velocidade“, detalha a Airbus em comunicado.

Esta missão Artemis II, com lançamento previsto para 1 de abril, é a primeira missão tripulada do programa Artemis e tem, para a indústria espacial europeia, um significado muito concreto: demonstra que a Europa não é apenas um parceiro institucional, mas sim fornecedor de um elemento crítico da missão: o European Service Module (ESM).

Hugo André Costa

Diretor executivo da Agência Espacial Portuguesa

Se tudo correr como previsto, esta quarta-feira a primeira missão tripulada da Artemis parte do Kennedy Space Center, com os astronautas da NASA Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, tripulação à qual se junta o astronauta da Agência Espacial do Canadá, Jeremy Hansen.

O motor principal da nave Orion irá impulsionar a tripulação até a Lua, a cerca de 393.000 quilómetros de distância. A trajetória de retorno livre, que se tornou famosa na missão Apollo 13, depende da gravidade da Lua e da Terra, minimizando a necessidade de combustível, explica a Associated Press.

A missão terá uma duração de 10 dias. “No sexto dia de voo, a Orion atingirá o seu ponto mais distante da Terra, navegando 8.000 quilómetros (5.000 milhas) além da Lua. Isso superará o recorde de distância da Apollo 13, tornando os astronautas do programa Artemis os viajantes mais remotos da história. Após emergir de trás da Lua, a tripulação retornará diretamente para casa, pousando na água no décimo dia de voo — nove dias, uma hora e 46 minutos após o lançamento”, detalha a agência noticiosa Associated Press.

No momento de reentrada na atmosfera, o foco das atenções estará no escudo térmico da Orion, pois foi essa a zona da nave que sofreu os maiores danos durante o voo de teste de 2022, na missão Artemis I. À semelhança do que sucedeu com a missão Apollo, a missão Artemis termina com um pouso, com recurso a paraquedas, no Oceano Pacífico. Navios de recuperação da Marinha americana estarão posicionados na costa de San Diego para recolher a tripulação.

“Mais do que sublinhar o caráter internacional do regresso à Lua, esta contribuição [com o módulo] confirma a confiança na capacidade da indústria europeia para participar em missões tripuladas de elevada exigência”, destaca Hugo André Costa.

“A indústria portuguesa não participa diretamente nesta missão, mas já tinha sido identificada no contexto do Lunar Gateway, cujo desenvolvimento foi agora suspenso pela NASA. Eventualmente, com novos planos para uma base lunar, poderão surgir oportunidades”, explica o diretor da Agência Espacial Portuguesa.

“Ainda assim, isso não altera o essencial: qualquer participação portuguesa em missões lunares passará pela ESA. É por isso importante assegurar a coesão europeia e manter uma ESA forte, enquanto um dos principais atores internacionais de cooperação em exploração espacial”, destaca.

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