Direto “A deslocalização da banca para Espanha é uma ameaça muito real para os escritórios portugueses”

No debate sobre o estado da advocacia, com a presença dos sete managing partners da Garrigues, VdA, CMS, SLCM, PLMJ, MLGTS e SRS, o debate aqueceu com o peso da banca espanhola em Portugal.

No último painel da Advocatus Summit debate-se o estado da advocacia. António Costa, publisher do ECO, vai moderar o debate que conta com a presença dos sete managing partners das sociedades patrocinadoras do encontro: João Miranda de Sousa, managing partner da Garrigues, João Vieira de Almeida, managing partner da Vieira de Almeida, José Luís Arnaut, managing partner da CMS Rui Pena & Arnaut, Luís Cortes Martins, managing partner da SLCM, Luís Pais Antunes, managing partner da PLMJ, Nuno Galvão Teles, managing partner da MLGTS e Pedro Rebelo de Sousa, managing partner da SRS.

A Advocatus Summit está a decorrer no Museu Fundação Oriente e recebe aquilo que pretende ser – sendo este o ano de estreia – um dos maiores encontros da advocacia de negócios com o setor empresarial.

Momentos-Chave

16 Maio, 201818:34

Damos, assim, por terminada a conferência Advocatus Summit 2018, ao fim de seis painéis. Obrigado por nos ter acompanhado!

Rita Neto
16 Maio, 201818:09

Referindo alguns dos rankings internacionais que mencionam Portugal, Anabela Pedroso mostra-se satisfeita e explica que, muitas vezes, os portugueses precisam que “sejam os outros a dizer o que sentem cá dentro”.

Rita Neto
16 Maio, 201817:59

João Miranda de Sousa: “Eu digo que isto é uma profissão apaixonante, temos sempre diversos desafios. É uma profissão muito estimulante. Todos nós quando falamos para a miudagem temos de dizer isto: que a advocacia é fantástica, que combina talentos e processos intelectuais. Ter um discurso de incentivo, entusiasmo e tentar contagiá-los com esta paixão que nos corre”.

Ana Sofia Franco
16 Maio, 201817:58

Quanto aos jovens, o managing partner da VdA diz que as sociedades têm de preparar “os jovens que não são advogados”. E exemplifica: “Vai entrar agora um miúdo na VdA que é engenheiro mecânico. E isso é importante, a envolvência de outros profissionais e de advogados formados noutras áreas. É uma tendência que vai começar porque estes miúdos precisam de ser aliciáveis pelas sociedades de advogados. E com o lema de “sangue, suor e lágrimas” é difícil convencer os miúdos do Técnico“, diz João Vieira de Almeida, em resposta a José Luís Arnaut.

Ana Sofia Franco
16 Maio, 201817:56

Arnaut: “há tempos visitei uma instituição em Londres e foi um robot que me recebeu, que me encaminhou, não havia ali ninguém. É uma coisa impressionante.

O que digo aos jovens é que garanto sangue, suor e lágrimas. Dedicação, tem de ter um profundo domínio da língua estrangeira, e não falo só do inglês. É objetivo e evoluir ouvindo. Esta nova geração é o piloto desta era da tecnologia”.
Ana Sofia Franco
16 Maio, 201817:54

Luís Cortes Martins diz: “Primeiro, todos sabemos que não se para o vento com as mãos, tudo o que for economia nós temos que ir atrás”. Aos mais jovens, aconselharia que a profissão “exige uma vocação específica” e diria: “vê lá se é isso que queres mesmo“.

Rita Neto
16 Maio, 201817:52

Pedro Rebelo de Sousa, se tivesse que dar um conselho a um jovem advogado nos dias de hoje, diria: “Têm que ter mais talento e um determinado tipo de instrumentos”.

Por sua vez, Nuno Galvão Teles é da opinião de que: “Essencialmente, o advogado hoje tem que estar verdadeiramente convencido que quer ser advogado e tem que gostar da profissão“.
Luís Pais Antunes diria: “Neste momento, estou mais interessado em ouvir o que os jovens advogados têm para dizer do que estar a prometer-lhes alguma coisa”.
Rita Neto
16 Maio, 201817:50

José Luís Arnaut diz que “relativamente à questão da tecnologia, é importante dizer que a nossa profissão está numa evolução muito grande. Temos inclusivamente um mecanismo informático que faz 40% do trabalho, do dilligence. Temos uma realidade de ver onde é mais rentável”.

Ana Sofia Franco
16 Maio, 201817:50

Paula Nunes / ECO

Rita Neto
16 Maio, 201817:48
Não sei muito bem se as sociedades de advogados que estão aqui conseguem crescer muito mais. Vai ser muito difícil, num mercado pequeno como o nosso”, diz Nuno Galvão Teles.
“Acho que, contudo, nós muitas vezes misturamos muitas coisas e depois não levamos as coisas a sério”.
É absolutamente fundamental que o país não perca centros de competência. E temos verdadeiros centros de competência que são decisivos para o nosso futuro”, continua.
Julgo que a melhor maneira de combatermos uma eventual invasão estrangeira é sermos cada vez mais sofisticados e eficientes. Aí teremos capacidade de combate. Não vamos conseguir todos lutar, mas vamos conseguir, julgo eu, como profissão organizada.”
Para o advogado da Morais Leitão, “o grande desafio de hoje para as sociedades de advogados é a tecnologia”.

Rita Neto
16 Maio, 201817:41

Pedro Rebelo de Sousa admite ainda que “a prática mudou muito”.

“A internacionalização mudou muito. E um dos fatores decisivos de mudança dessa internacionalização foi a Ásia, nomeadamente a China. A Ásia tem um modelo fundamental que ajudou a repensar o panorama”, conta o managing partner da SRS.
Outro desafio que vamos ter são as auditoras. É um fator de concorrência”.
Rita Neto
16 Maio, 201817:35

Luís Pais Antunes começa por dizer que tem “várias divergências, não de fundo, mas de ótica”. Já não há capital nacional há muito tempo, há pouco mas há muito tempo que é assim“, diz.

“Grande parte dos investimentos que se fazem no país é capital que tem as mais diferentes origens, e grande parte do que se diz capital nacional são empresas portugueses, mas atenção que esse capital está fortemente dizimado“.
Rita Neto
16 Maio, 201817:32

Luís Cortes Martins sublinha: “É evidente que a banca é fundamental. Mas convém dizer que, de facto, neste momento temos um banco 100% português — Caixa Geral de Depósitos –, mas parece que os nossos partidos andam entretidos a tentar acabar com ela“.

“Temos esta tendência suicida, parece que os nossos responsáveis políticos não têm essa noção”, explica.
Rita Neto
16 Maio, 201817:30

José Luís Arnaut diz que, voltando à internacionalização da economia, não partilha “desta ideia de que a economia portuguesa está entregue a entidades estrangeiras. Nós temos grupos económicos que dominam os setores de energia, como a Galp. O setor de distribuição ainda está na mão dos portugueses. Temos um conjunto de infraestruturas que ainda está nas nossas mãos. É português”.

“Portanto a situação não é tão negra, esquecemo-nos muito de nos valorizar, de realçar os nosso feitos. Em todas as economias há bancos e investimentos estrangeiros”, nota o advogado.

Ana Sofia Franco
16 Maio, 201817:26

João Vieira de Almeida afirma: “Acho sinceramente que a deslocalização da banca para Espanha é um dos maiores desafios que as sociedades portuguesas enfrentam agora”.

“É uma ameaça muito real para os escritórios portugueses. O mercado está na fase de ouro. Fiz umas contas rápidas e estas sociedades entre si têm, entre advogados, várias centenas de milhares de pessoas. E terão faturado, no total, cerca dos 199 milhões de euros. Esta faturação dá por advogado cerca de 240.000 euros e 900.000 euros por sócio de faturação”.

O managing partner da Vieira de Almeida adianta ainda: “A espanholização do nosso setor é importante para perceber que, por exemplo, a Garrigues (que tem base espanhola) fatura mais sozinha do que qualquer um de nós. E esse é um desafio que temos de enfrentar”.

Ana Sofia Franco
16 Maio, 201817:22

Há um excesso de peso da economia espanhola na economia portuguesa?

João Miranda de Sousa responde: “Aquilo que me pareceria melhor era uma “portuguização” da economia. Que tem de ser encontrada pela força em nós próprios e na regeneração do nosso tecido económico”.

Vivemos uma crise muito recente, e mais ou menos que percebemos porque isso aconteceu. Estamos num período de regeneração, estamos a ter muito investimento estrangeiro, temos de nos deixar invadir por estrangeiros. Agora, a pergunta é até onde temos de nos deixar invadir?“, continua.

Ana Sofia Franco
16 Maio, 201817:19

Pedro Rebelo de Sousa

Paula Nunes/ECO

Rita Neto
16 Maio, 201817:18

Pedro Rebelo de Sousa afirma que um dos problemas mais graves é o sistema financeiro... altamente debilitado”.
O sistema financeiro é um problema, que nos pode preocupar. Está débil e é muito difícil pensar que se vai regenerar”, continua.

Rita Neto
16 Maio, 201817:14

Estamos a viver do investimento estrangeiro?

Luís Cortes Martins responde, dizendo que Portugal tem um problema próprio de falta de capital, e obviamente alguém vai ter de preencher esse espaço“. Realça que o maior investidor estrangeiro em Portugal é Espanha, “de longe. É o nosso primeiro parceiro comercial, tem um investimento brutal em Portugal”.

Não há uma cultura de poupança, de aforro no país. Se não pouparmos e não reduzirmos a nossa dívida não temos soberania. Não somos donos de nós próprios. Acho que o país tem que fazer um bocadinho na ótica da consolidação orçamental para ficarmos mais independentes. Há condições para grupos portugueses poderem singrar, ao mesmo tempo que incentivamos a abertura a outros mercados“.
Rita Neto
16 Maio, 201817:10

João Vieira de Almeida ressalva que, “não é economista”, mas que da perspetiva dos advogados e “como managing partner, sem ser como cidadão, digo que os sinais são simpáticos. Há muitos clientes, muita freguesia. As coisas têm corrido bem, há muito investimento. O nosso crescimento tem sido bastante transversal, não passa só pelo imobiliário. Crescemos tanto ao nível dos clientes estrangeiros, bem como dos portugueses”.

Ana Sofia Franco
16 Maio, 201817:09

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Paula Nunes/ECO

Rita Neto
16 Maio, 201817:08

Luís Pais Antunes, da PLMJ, acrescenta: “Na resposta que dei há pouco, não falei em conflito de interesses no sentido técnico, porque acho que é uma falsa questão“.

“Nos meus escritórios, por vezes, recusamos propostas de trabalho muito interessantes, mas que envolvem conflitos de interesse”.
Acho que levamos todos a situação dos conflitos de interesse muito a sério“.
Rita Neto
16 Maio, 201817:07

“Fazer bem as coisas compensa economicamente. É mais inteligente do ponto de vista da gestão do conflito de interesses e em ter uma auto regulação mais estrita das normas nas grandes sociedades, de qualidade. O crime não compensa mesmo. Vamos pagar pelas consequências”, acrescenta João Miranda de Sousa, managing partner da Garrigues.

Ana Sofia Franco
16 Maio, 201817:05

José Luís Arnaut diz: “A nossa própria profissão tem mecanismos que regulam a gestão de conflitos de interesses. Depois há mecanismos que se podem acreditar ou não. Eu penso que todos nós asseguramos o estatuto relativamente a essa situação”.

Ana Sofia Franco
16 Maio, 201817:01

Luís Pais Antunes, da PLMJ, diz: “Pode haver um deputado que tenha um pequeno escritório aqui e ali, essas situações podem existir, e acho que o legislador pode tomar as opções que lhe considerem oportunas”.

A questão é a confusão que pode existir no exercício da advocacia e outras funções fora do exercício da advocacia“.
Rita Neto
16 Maio, 201816:59

Luís Corte Martins, da SLCM, interrompe e afirma: “Quando se fala de transparência e de divulgar a faturação pode-se falar de várias coisas. Podemos estar a falar aqui de bisbilhotices. É bisbilhotice pura”.
E explica: “há um núcleo de matérias que têm de permanecer confidenciais. O grande ponto aqui é a forma como as sociedades abordam os conflitos de interesse, porque isso pode matar e destruir a nossa profissão. Os médicos também não podem revelar os clientes que têm. Nós devemos ser muito exigentes. O tema é as pessoas serem profundamente rigorosas na gestão dos conflitos de interesse, porque uma má gestão desses conflitos pode levar ao fim de uma empresa”.

Rita Neto
16 Maio, 201816:55

“Em relação à transparência, também não vejo problema nenhum. Gostaria que fosse para a frente, de uma vez por todas, a possibilidade de acabar com a transparência fiscal“, diz Pedro Rebelo de Sousa.

Rita Neto
16 Maio, 201816:54

Pedro Rebelo de Sousa, managing partner da SRS, diz concordar com a maior parte das opiniões referidas, no entanto, acrescenta: “Não concordo que os clientes estrangeiros venham com uma estratégia que dispense um contributo maior dos advogados”.
Isto há dez anos era uma realidade totalmente contrária”, diz, e “completando o que foi dito, a minha leitura é ligeiramente diferente porque, no contexto operativo, também mudámos. Há dez anos, todos estes escritórios eram metade do que são agora”.

Rita Neto
16 Maio, 201816:51

Nuno Galvão Teles, managing partner da MLGTS, por sua vez, afirma que “não há problema nenhum que as sociedades de advogados possam ser mais transparentes”.
Já quanto aos escritórios estrangeiros que revelam números, “fazem-no porque têm outras regras… se tivéssemos que divulgar, teríamos de saber o que iríamos divulgar”, salienta

Rita Neto
16 Maio, 201816:49

Luís Pais Antunes, managing partner da PLMJ, continua: Aquilo que eu acho que mudou, e bastante, é a eficiência. Os escritórios são mais visíveis porque são muito mais eficientes. Os principais escritórios que operam em Portugal estão ao nível das melhores sociedades internacionais. Do ponto de vista da eficiência, qualidade, estamos na primeira linha”.

Relativamente à transparência, pessoalmente não vejo grande vantagem em introduzir alterações estatutárias nessa matéria. Mas isso vai acontecer, mais tarde ou mais cedo”.
Por sua vez, em matéria de indicadores de informação sobre a atividade em si, “acho que isso é, mais ou menos, inevitável. Vamos ter essa informação publicamente divulgada“.
Rita Neto
16 Maio, 201816:45

Luís Cortes Martins, managing partner da SLCM, diz: “Temos as costas largas, é sempre simpático bater nos advogados. Mas lamento não ter tanto proveito”.
Realça que “há 20 anos ninguém escrevia sobre advogados” e quehoje em dia, os clientes são internacionais”, não querem saber quem são os advogados de Portugal, continua.

Rita Neto
16 Maio, 201816:43

José Luís Arnaut, managing partner da CMS Rui Pena & Arnaut, diz que “houve uma evolução completa da sociedade e dos negócios. Acho que o papel dos advogados é exatamente o mesmo que havia e que houve quase sempre. O que há na realidade é uma alteração completa na forma como as coisas são comunicadas. Há uma visibilidade maior das empresas e uma maior transparência. Têm hoje uma exposição maior, e com elas também os advogados, do que há dez anos atrás. Tem um impacto maior nos média e dá uma percepção diferente. Mas as funções são as mesmas”, realça.

Ana Sofia Franco
16 Maio, 201816:41

João Vieira de Almeida realça, com ironia, que este painel de debate “parece um concurso de misses”.

Ana Sofia Franco
16 Maio, 201816:40

João Miranda de Sousa, managing partner da Garrigues, justifica-se dizendo que o Direito está em toda a parte. “Tem a ver com o nosso papel de zelador das leis, de acompanharmos todas as matérias. Mas não sou dono de nada, nem do meu próprio escritório“.

Ana Sofia Franco
16 Maio, 201816:40

António Costa faz realçar que este é um painel inédito, ao reunir estes managing partners no mesmo espaço. “A advocacia é uma comunidade influente. E, à falta de melhor expressão, “vocês são os novos donos disto tudo“. Porquê? O mote da conversa está assim lançado.

Ana Sofia Franco
16 Maio, 201816:36

Boa tarde,

Arrancou agora o último painel da Advocatus Summit. O tema é o estado da advocacia e conta com a moderação do publisher do ECO, António Costa, e com a presença dos sete managing partners das sociedades patrocinadoras.
Ana Sofia Franco

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