BCE: Bancos têm de implementar estratégias “realistas” para reduzirem malparado

O BCE diz que têm de ser os bancos a implementar estratégias "realistas" para reduzirem o malparado. Apesar de não impor metas, o banco tornar-se-á mais "intrusivo" quanto mais grave for o caso.

O Banco Central Europeu (BCE) diz que têm de ser os bancos a apresentar planos “realistas” e “ambiciosos” para reduzir o crédito malparado que está nos balanços das instituições financeiras. O banco central liderado por Mario Draghi não vai impor metas para a diminuição destes empréstimos em incumprimento. Mas avisa que quanto mais grave for o caso, mais “intrusivo” será junto dos bancos. Estas conclusões são apresentadas depois de a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e a S&P terem deixado alertas sobre a necessidades de diminuir este fardo que está a limitar a cedência de crédito à economia.

O BCE pede que sejam as “instituições de crédito a implementar estratégicas realistas e ambiciosas para reduzir os créditos não produtivos”, refere o regulador nas suas orientações sobre empréstimos em incumprimento dirigidas a instituições de crédito. Mas como? “A título de exemplo, as instituições de crédito devem assegurar que os quadros de direção são incentivados a aplicar estratégias de redução de NPL [crédito malparado]”.

O banco liderado por Mario Draghi não vai, por isso, estabelecer “objetivos quantitativos” para a redução do crédito malparado, pedindo aos bancos que apresentem uma série de opções em termos de “recuperação, serviços e vendas de carteiras de NPL”.

"O BCE aplicará o princípio da proporcionalidade e ajustará o grau de intrusão dependendo da magnitude e da gravidade dos NPL nas carteiras das instituições de crédito.”

Banco Central Europeu

Mas também esclarece que se vai tornar mais “intrusivo” nas instituições onde este fardo é mais pesado. “O BCE aplicará o princípio da proporcionalidade e ajustará o grau de intrusão dependendo da magnitude e da gravidade dos NPL nas carteiras das instituições de crédito”, lê-se no documento publicado no site do regulador.

Segundo o banco central, estas orientações passarão agora a fazer parte do “diálogo permanente” com os vários bancos em termos de supervisão. Um diálogo que já começou junto das instituições financeiras que apresentam níveis elevados de NPL, às quais vão enviar cartas em breve. “As cartas sobre os NPL conterão elementos qualitativos e visarão assegurar que as instituições de crédito estão a gerir e a abordar os NPL em consonância com as expectativas em matéria de supervisão”, avança.

No final do terceiro trimestre de 2016, o nível de crédito malparado dos grandes bancos da Zona Euro ascendia a 921 mil milhões euros. E Portugal contribuiu para este “bolo”. Depois de a OCDE ter dito que os empréstimos em incumprimento continuam a limitar o investimento, foi a vez de a S&P se pronunciar sobre a banca portuguesa. Se, por um lado, a agência de notação reconhece que foram feitos progressos, por outro, diz que o Governo e as instituições financeiras têm de adotar mais medidas para se reduzir o nível elevado de crédito malparado no balanço dos bancos.

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