Maria Luís Albuquerque: “Os juros aproximam-se perigosamente de níveis insustentáveis”

O aviso surge um dia depois dos juros da dívida ultrapassarem a barreira dos 4%, outrora um limite que traria preocupação à DBRS. A agência de rating já veio desvalorizar esse limite.

“A dívida pública continua a crescer e os juros aproximam-se perigosamente de níveis insustentáveis”, escreve, esta sexta-feira, Maria Luís Albuquerque, na nova newsletter do PSD. A primeira edição foi divulgada no início desta semana e foi assinada pelo presidente do partido, Pedro Passos Coelho: “Já desperdiçamos demasiado tempo”, escreveu na segunda-feira.

O aviso da social-democrata vem um dia depois dos juros da dívida ultrapassarem a barreira dos 4%, outrora um limite que traria preocupação à DBRS. Ao ECO, a agência de rating que mantém Portugal elegível para o programa de compra de dívida soberana do BCE veio acalmar os ânimos: “Não há taxa mágica” para a DBRS.

Ainda assim, esta sexta-feira os juros da dívida pública portuguesa continuam acima dos 4% e isso, para a ex-ministra das Finanças, é preocupante. Maria Luís Albuquerque critica o Governo por desvalorizar os avisos, “ensaiando o discurso de desculpabilização”. “A fragilidade da economia e das finanças públicas é evidente para todos”, escreve a atual vice-presidente e deputada do PSD, cargo que acumula com o de administradora não executiva da gestora britânica Arrow.

Para a ministra das Finanças do Governo anterior, o tempo está a esgotar-se, com o Banco Central Europeu a diminuir o ritmo e volume de compra de dívida soberana na Zona Euro. “Até o BCE, a quem se deve única e exclusivamente o facto de ainda não termos voltado a cair no abismo, acabará responsabilizado quando decidir que já nos deu tempo suficiente para fazer o que tem de ser feito, para levar a cabo as reformas que trariam estabilidade e perspetivas de crescimento ao país”, considera Albuquerque.

Apesar de não os elencar na opinião que assina, Maria Luís Albuquerque garante que “os números desmentem a versão da maioria”, a qual “vai tentando convencer todos que a situação está melhor”. Para a social-democrata este é o retrato da situação económica e financeira de Portugal:

  • “O crescimento deverá manter-se abaixo do alcançado em 2015 pelo menos até 2019”;
  • “O investimento público caiu como nunca”;
  • “O investimento privado, dependente da confiança, não arranca”;
  • “Os pagamentos em atraso aumentam, com as consequências negativas sobre a economia”;
  • “Os serviços públicos estão asfixiados com as cativações, que é como agora se chama aos cortes cegos”;
  • “Os cada vez mais e cada vez mais altos impostos indiretos recaem sobre todos, reduzindo o poder de compra”;
  • “A dívida pública continua a crescer e os juros aproximam-se perigosamente de níveis insustentáveis”.

A deputada social-democrata concluiu assim que “nada justifica os riscos a que este Governo e esta maioria estão a expor Portugal”. “Pouco nos importará se a causa imediata dos problemas for interna ou externa, de pouco nos servirá o lamento sobre as injustiças relativas, de que há países que podem tudo e outros que não podem nada”, remata a ex-ministra das Finanças.

Editado por Paulo Moutinho

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