Entre subidas e descidas, o que faz mexer o preço dos combustíveis?
- Ana Batalha Oliveira
- 13 Julho 2026
Os preços dos combustíveis estão sob os holofotes com a pressão da guerra no Irão e depois do Governo pedir uma análise aos reguladores. Saiba o que os faz mexer.
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Como têm evoluído os preços dos combustíveis em Portugal, desde que começou a guerra no Irão?
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Que questões levantou o Governo quanto à evolução dos preços dos combustíveis?
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Mas, afinal, o que faz mexer os preços dos combustíveis?
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Como tem evoluído o preço do petróleo?
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Mas se os preços do petróleo caíram quase para níveis pré-guerra, os preços da gasolina e gasóleo não deviam já estar nesses níveis também?
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Mas porque é que as cotações da gasolina e do gasóleo não acompanham completamente as do petróleo bruto?
Entre subidas e descidas, o que faz mexer o preço dos combustíveis?
- Ana Batalha Oliveira
- 13 Julho 2026
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Como têm evoluído os preços dos combustíveis em Portugal, desde que começou a guerra no Irão?
A 28 de fevereiro de 2026, iniciou-se a guerra que opôs Estados Unidos e Israel ao Irão, e que deixou os mercados de petróleo num rebuliço. Na véspera, sexta-feira, o preço médio da gasolina simples 95 em Portugal marcava os 1,681 euros por litro e o gasóleo simples os 1,596 euros, de acordo com os dados disponibilizados pela Direção Geral da Energia e Geologia.
O conflito fez-se notar e os preços do gasóleo, que estavam abaixo dos da gasolina, “passaram para a frente” no início de março. A 9 de abril registou-se um máximo de 2,145 euros neste combustível e foi só em maio que o preço médio do litro da gasolina 95 voltou a ultrapassar o do gasóleo. No caso da gasolina, o máximo destes últimos meses foi de 2,024 euros, marcado no final de maio. Contas feitas, o conflito chegou a impulsionar os preços do gasóleo em 34% e da gasolina em 17%, face aos preços pré-guerra.

No mês de junho começou a sentir-se um alívio nos preços, na sequência de acordos de paz anunciados entre os Estados Unidos e o Irão, apesar de se seguirem alguns vaivéns perante incertezas quanto à solidez das tréguas.
Esta sexta-feira, 10 de julho, o gasóleo simples custava 1,793 euros enquanto o preço médio da gasolina totaliza 1,893 euros. De acordo com as previsões da Automóvel Club de Portugal, esta semana, o gasóleo fica 7 cêntimos mais caro e a gasolina aumenta 2,5 cêntimos por litro, perante o reacendimento do conflito no Médio Oriente, depois de Donald Trump ter declarado o fim do acordo de cessar-fogo com o Irão e de ter bombardeado vários pontos do país durante a semana.
Proxima Pergunta: Que questões levantou o Governo quanto à evolução dos preços dos combustíveis?
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Que questões levantou o Governo quanto à evolução dos preços dos combustíveis?
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirmou perante o Parlamento que não vê “razão de ser” para “os preços do combustível agora não estarem a descer com a mesma velocidade com que subiram”, colocando em causa a forma como estes espelham os movimentos das cotações de produtos petrolíferos no mercado. Neste sentido, pediu à Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) e à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) que analisassem a evolução dos preços.
Proxima Pergunta: Mas, afinal, o que faz mexer os preços dos combustíveis?
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Mas, afinal, o que faz mexer os preços dos combustíveis?
Os preços dos combustíveis “carregam” o peso de várias partes da respetiva cadeia de valor, as quais permitem levar o petróleo desde o seu berço, debaixo do solo, até ao depósito do carro.
De acordo com o site das Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes (Epcol), e olhando ao preço médio de venda ao público de 1,898 euros por litro que é atribuído à gasolina 95, relativo a dia 6 de junho, as componentes do preço distribuíam-se da seguinte forma: 46% corresponde a impostos, 38% à cotação em mercado, 11% junta os custos com armazenagem, distribuição e comercialização (a margem dos vendedores) e, finalmente, 5% diz respeito à componente de biocombustível que integra o litro de gasolina.

Já quanto ao gasóleo, cujo preço médio no mesmo dia marcava os 1,795 euros por litro, a cotação da matéria-prima ultrapassava ligeiramente o valor dos impostos: pesavam, respetivamente, 43% e 41% no preço final. No que diz respeito às restantes componentes, os biocombustíveis pesam 5%, atrás da componente de Armazenagem, Distribuição e Comercialização, que se fica pelos 11%.

Proxima Pergunta: Como tem evoluído o preço do petróleo?
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Como tem evoluído o preço do petróleo?
O preço do barril de Brent, que é negociado em Londres e é referência para a Europa, foi severamente afetado pela guerra no Irão. Isto porque o conflito no Médio Oriente afetou a circulação no Estreito de Ormuz, por onde passava 25% do comércio mundial de petróleo por via marítima.
O preço do barril de Brent, um dia antes de a guerra no Irão começar, marcava os 72,48 dólares. Logo em meados de março ultrapassou a barreira dos 100 dólares e chegou mesmo a fechar acima dos 118 dólares no final de março e de novo em abril. Na última sessão, de 10 de julho, o barril já havia recuado para perto dos níveis pré-guerra, para os 76 dólares.
Proxima Pergunta: Mas se os preços do petróleo caíram quase para níveis pré-guerra, os preços da gasolina e gasóleo não deviam já estar nesses níveis também?
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Mas se os preços do petróleo caíram quase para níveis pré-guerra, os preços da gasolina e gasóleo não deviam já estar nesses níveis também?
Não necessariamente.
“Não há uma relação imediata e direta, nem nas subidas, nem nas descidas, do crude [petróleo] com os produtos refinados [gasolina e gasóleo]”, afirma João Reis, porta-voz da Epcol. Os preços na bomba seguem as cotações do gasóleo e da gasolina no mercado europeu, e não as cotações do barril de Brent, explica fonte do setor.
Embora exista alguma relação entre os preços do petróleo bruto e os preços dos produtos refinados, já que o petróleo bruto é a sua matéria-prima, estes não andam sempre de mão dada. Fonte do setor nota que, desde o máximo registado após o início da guerra no Irão, as cotações do petróleo em Londres (Brent) caíram 50%. No mesmo período, a quebra nos preços das cotações que servem de referência aos preços do gasóleo também caíram, mas menos: apenas 41%.

Acima, encontra representados em gráfico as cotações internacionais de gasóleo e gasolina e a comparação com os preços destes combustíveis em Portugal, sendo visíveis as semelhanças.
Sendo que os produtos refinados são cotados em dólares, a desvalorização do euro que se tem vindo a verificar contribuiu para amortecer a descida de preços.
Em paralelo, como referido acima, os impostos são outra componente muito relevante dos preços da gasolina e gasóleo — não são só as cotações. O desconto aplicado pelo Governo sobre o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) também tem vindo a reduzir-se, pelo que o alívio sentido através desta componente é menor.
Proxima Pergunta: Mas porque é que as cotações da gasolina e do gasóleo não acompanham completamente as do petróleo bruto?
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Mas porque é que as cotações da gasolina e do gasóleo não acompanham completamente as do petróleo bruto?
Os contratos que servem de referência na Europa para os preços dos produtos refinados são os “CIF NWE – Cost, Insurance, and Freight”, que incluem o valor do produto, o navio para o trazer e o seguro da viagem, assim como custos portuários, explica a Epcol.
Uma diferença importante, que tem vindo a separar as cotações do petróleo bruto das dos refinados é que, quando uma refinaria é destruída, como aconteceu durante a guerra em territórios do Médio Oriente, a procura por petróleo diminui, já que este é usado nas refinarias para ser transformado em gasolina e gasóleo. Desta forma, os preços do petróleo a nível internacional baixam, dada a menor pressão sobre a oferta. Em oposição, uma vez que há menos gasóleo e gasolina a serem produzidos, cresce a pressão sobre a oferta, o que faz aumentar os preços destes produtos.
Além disso, medidas como a libertação coordenada de reservas, que foi acordada entre os membros da Agência Internacional da Energia, servem para aliviar os preços do crude, mas não tão diretamente os preços dos refinados.
Existem ainda eventos pontuais que podem afetar mais um mercado do que o outro. Por exemplo, esta semana, a Rússia anunciou que ia parar de exportar gasóleo, numa tentativa de aumentar a disponibilidade de combustível no mercado interno face à escassez provocada pelos ataques aéreos relacionados com a guerra na Ucrânia. Esta decisão impacta a oferta de gasóleo no mercado internacional e portanto pressiona os preços deste refinado em alta, mas não tem o mesmo efeito no mercado de petróleo bruto.