Colapso da PT afasta investidores dos produtos complexos

A colocação de novos produtos financeiros complexos está em forte queda. Receios dos investidores também leva ao reforço da aposta numa oferta mais conservadora, revela a CMVM.

Surgiram no seguimento da sofisticação da oferta de produtos financeiros, mas parecem cada vez mais condenados ao esquecimento. O valor colocado em produtos financeiros complexos atingiu um novo mínimo de pelo menos quatro anos, em 2017, mostram dados da CMVM, que atribui esta queda ao efeito negativo do colapso da dívida da PT. Os investidores passaram a assumir uma postura mais conservadora, levando os bancos a reduzirem a aposta neste tipo de instrumento financeiro.

De acordo com o Relatório Anual sobre os Mercados de Valores Mobiliários divulgado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o valor dos produtos financeiros complexos colocados no mercado no ano passado ascenderam a 402 milhões de euros. Este valor representa uma quebra de 37% face aos 639 milhões de euros colocados no ano anterior. Compara ainda com os 2.823 milhões registados em 2014 e os 1.283 milhões que se verificaram em 2015.

O regulador do mercado de capitais atribui essa redução à maior aversão ao risco dos investidores que levou à necessidade de as entidades emitentes adaptarem a sua oferta que passou também a ser mais conservadora.

Produtos complexos em queda

Fonte: CMVM

De salientar que os produtos complexos são instrumentos financeiros cujo retorno está dependente do desempenho de um outro ativo ou carteira de ativos a que se associa. Exemplo disso mesmo são as obrigações estruturadas comercializadas pelos bancos, em que a rentabilidade ou mesmo o respetivo capital está dependente do desempenho de um cabaz de ações, de um índice, matéria-prima ou outro tipo de ativo cotado.

No que respeita à tendência observada no mercado nacional, a CMVM associa a redução dos montantes colocados ao default dos títulos da Portugal Telecom International Finance (PTIF), que se constituía como ativo subjacente de vários produtos financeiros complexos, lembrando que esse evento de crédito que aconteceu no terceiro trimestre de 2016 levou a que os investidores perdessem pelo menos quatro em cada cinco euros investidos em diversos produtos que tinham obrigações da PTIF como subjacente.

“Este evento terá prejudicado a confiança dos investidores e levado à diminuição da procura, pressionando os emitentes a ajustar a oferta para produtos de menor risco”, especifica o relatório anual da entidade liderada por Gabriela Figueiredo Dias.

Apesar da quebra de montantes, o número de novos produtos financeiros complexos a entrarem no mercado até cresceu, dos 78 registados em 2016, para 111, em 2017. Contudo, as respetivas características também mudaram.

A CMVM explica que os produtos financeiros complexos com alerta verde (têm capital totalmente protegido, salvo risco de crédito do emitente) aumentaram tanto em número como em peso relativo. Mas avisa que apesar dessa tendência, “a compreensão plena de como funcionam estes produtos financeiros complexos continua a ser um desafio para o investidor médio”.

Apesar da quebra registada nos novos produtos, o montante vivo de produtos financeiros complexos comercializados em Portugal aumentou para 4,2 mil milhões de euros no final de 2017. No que respeita ao número total de produtos disponíveis ocorreu uma quebra para 325.

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