FMI prevê novo agravamento do défice externo até 1,4% do PIB

  • Margarida Peixoto
  • 10 Outubro 2017

As principais projeções para Portugal ficaram quase todas inalteradas. Menos uma: a da balança corrente. Mantendo-se o rumo atual, o défice externo vai voltar e em 2022 já será de 1,4% do PIB.

A manter-se o rumo atual, Portugal volta ao défice externo e dentro de cinco anos, em 2022, a balança de conta corrente portuguesa já deverá registar um défice de 1,4% do PIB. A projeção é do Fundo Monetário Internacional (FMI) e consta do World Economic Outlook, publicado esta terça-feira. Em poucas semanas, o Fundo ficou mais pessimista.

Menos de um mês depois de se ter debruçado sobre a economia portuguesa — por ocasião da avaliação feita ao abrigo do Artigo IV — o FMI aproveitou a publicação do World Economic Outlook para fazer ligeiros acertos nas projeções.

Nos indicadores fundamentais, como o PIB ou o desemprego, as perspetivas do Fundo liderado por Christine Lagarde mantêm-se inalteradas. O PIB deverá crescer este ano 2,5% (o que implica um abrandamento do ritmo já no final deste ano) e o desemprego deverá cair para 9,7%. Em 2022, Portugal vai ver o ritmo de crescimento da atividade económica regressar a valores baixos: 1,2%.

Mas há um indicador onde se fazem ajustamentos nas expectativas: a balança de conta corrente. Este indicador mostra o saldo de um determinado país face ao exterior — é o resultado da balança comercial (troca de bens e serviços), balança de rendimentos e balança de transferências (como por exemplo as remessas de emigrantes).

E em menos de um mês, o FMI ficou mais pessimista: os excedentes externos são mais curtos e em 2022 o défice já será de 1,4% (em vez dos 1,2% anteriormente estimados). O próximo gráfico mostra as projeções mais recentes.

Como vai evoluir a balança corrente?

Fonte: FMI

Ou seja, o Fundo avisa que depois do caminho de recuperação que a economia portuguesa fez — e que lhe permitiu subir significativamente o peso das exportações em relação ao PIB e conquistar excedentes comerciais relevantes — regressará ao endividamento externo. Um gráfico que recue até 2009 ajuda a ver o caminho feito:

A recuperação dos últimos anos

Projeções para 2017 e 2018. Fonte: FMI

O relatório publicado esta terça-feira não é específico sobre Portugal e não não acrescenta quaisquer detalhes sobre a questão — tal como não apresenta as projeções para todos os anos desde 2017 a 2022.

Contudo, no relatório realizado ao abrigo do Artigo IV, o Fundo já avisava que, apesar de em 2017 a balança de conta corrente se manter superavitária, os défices regressariam dentro de poucos anos. Estas eram as projeções a 15 de setembro:

O que o FMI já esperava a 15 de setembro

Projeções a partir de 2017. Fonte: FMI

E no corpo do documento estes eram os avisos: “Os peritos avaliam os excedentes da balança corrente como insuficientes, tendo em conta o elevado défice da Posição de Investimento Internacional, que precisa de ser colocado numa trajetória descendente sustentável.” A insuficiência desse excedente da balança corrente foi avaliada entre 2% e 4% do PIB que, para serem alcançados, exigem “políticas para uma consolidação orçamental sustentada e reformas estruturais para melhorar a competitividade e o crescimento potencial de Portugal.”

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