M&M: o que eles querem para a economia do Porto e de Lisboa

Moreira e Medina vão continuar a comandar os destinos das duas maiores autarquias do país. Mas afinal o que querem para a economia local nos próximos quatro anos?

Sem surpresas, a julgar por aquilo que diziam as sondagens, Fernando Medina, em Lisboa, e Rui Moreira, no Porto, vão continuar à frente das respetivas autarquias.

No Porto, Moreira conseguiu a maioria absoluta, deixando para trás Manuel Pizarro do PS e Álvaro Almeida que concorreu pelo PSD. Depois de quatro anos à frente da autarquia, no discurso de vitória este domingo, o independente Rui Moreira tratou de balizar aquilo que serão as suas grandes apostas para o próximo mandato, numa linha de continuidade face aos últimos quatro anos:

“Continuaremos a apostar na cultura, na diplomacia económica, na afirmação da cidade em todas as suas vertentes, na coesão social e na sustentabilidade”, afirmou, recuperando algumas das bandeiras com que fez campanha e que inscreveu no seu programa, nomeadamente a da “diplomacia económica”.

Também Fernando Medida, que governa a cidade desde a saída de António Costa para a liderança do PS, conseguiu uma vitória clara, com mais de 40% dos votos, à frente de Assunção Cristas do CDS-PP e de Teresa Leal Coelho que concorreu pelo PSD.

No discurso de vitória também não deixou de dizer ao que vinha: “ganhámos energia para dinamizar a economia e para reduzir o desemprego”, referindo-se ainda a um programa de habitação com “rendas acessíveis para os jovens e para a classe média”.

Numa altura em que Medida e Moreira preparam-se para mais quatro anos de governação, o ECO foi revisitar o programa económico com que ambos se apresentaram aos lisboetas e portuenses.

Medina: Startup City, Web Summit e o comércio de proximidade

No seu “programa de governo da cidade de Lisboa”, no capítulo “dar força à economia”, Fernando Medina traça seis prioridades e várias medidas para as concretizar, num programa bastante mais discriminado do que o de Moreira.


1) Mais serviços qualificados, mais empregos. Neste ponto, Medina diz que vai promover, por exemplo, “intervenções integradas que permitam aumentar com rapidez a oferta de espaços de escritórios de qualidade, em particular nos eixos de I) Entrecampos, Av. de Berna, Praça de Espanha, Av. José Malhoa, Amoreiras; II) 24 de Julho, Alcântara, III) Alta de Lisboa, IV) Lispolis/IAPMEI, V) Beato”.

Se Moreira privilegia a InvestPorto, Medina o Invest Lisboa. E por isso diz que quer “desenvolver a ligação com a Invest Lisboa como entidade parceira na promoção internacional de Lisboa, no apoio aos investidores e empresas que se querem instalar na cidade e na conceção e desenvolvimento de projetos de dinamização económica”.

2) Mais empreendedores, mais atitude empreendedora. Neste capítulo, Medina diz que quer posicionar e promover Lisboa “como uma Startup City a uma escala internacional, designadamente através do aumento da promoção internacional da economia e do empreendedorismo de Lisboa e do apoio a eventos e programas internacionais, permitindo reforçar o posicionamento da cidade no ranking Startup Genome”. E aqui sublinha naturalmente a aposta no evento do Web Summit.

3) Fomentar o talento. Aqui, propõe-se a criar “um fundo de cinco milhões de euros para, em cooperação com as universidades, desenvolver programas de investigação, apoiar bolsas de doutoramento, promover jovens cientistas e investigadores, atrair cientistas de topo, melhorar os métodos de ensino e os currículos, e garantir o desenvolvimento de redes internacionais”.

4) Cidade inteligente. No seu programa, Medina diz que quer, por exemplo, lançar um concurso para a rede wi-fi da cidade e ainda “aplicar em projetos de larga escala as soluções do Projeto Sharing Cities”.

5) Aposta no comércio de proximidade. O presidente da Câmara de Lisboa afirma querer “promover a revitalização do comércio tradicional, facilitando a instalação de novos estabelecimentos de comércio tradicional nos bairros da cidade através de programas de promoção de ocupação de espaços vazios, tais como o Programa ‘Loja no Bairro’ que disponibiliza espaços municipais não habitacionais para comércio de proximidade ou empreendedorismo local”.

6) Turismo sustentável. Medina pretende ainda “assegurar junto do Governo a rápida concretização da expansão da capacidade do aeroporto Humberto Delgado e dos investimentos necessários na cidade à sustentabilidade do sistema de mobilidade (rede viária e extensão do Metro ao Aeroporto ao Campo Grande).”

Medina quer ainda “criar novos polos de atração na cidade e definir novas centralidades para o turismo, promovendo a distribuição dos fluxos turísticos e a dinamização económica noutras áreas da cidade”. Destaca, “o Eixo ribeirinho (a nascente e a poente), a Praça de Espanha, a Pontinha/Nova Feira Popular e o Paço do Lumiar”.

Clique aqui para ver o programa completo de Fernando Medina.

Moreira: diplomacia económica, expansão do Metro e o francês e alemão para receber os turistas

No seu manifesto eleitoral “O nosso partido é o Porto”, Rui Moreira diz que tem como objetivo “dinamizar a economia” e promover a “criação de emprego”. Como? “Por via das políticas de atração de investimento direto, da promoção e incentivos ao empreendedorismo”.

O Presidente da Câmara refere que o Porto tem de “atrair negócios e pessoas” e, apesar de não concretizar as medidas em detalhe, fixa sete objetivos estratégicos para que tal aconteça:

1) “Promover a captação de investimento nacional e internacional, fomentando a ligação com os centros de saber da cidade e potenciando a criação de um ecossistema económico que dinamize a criação de emprego de forma transversal”.

2)Criar o departamento de Gestão de Talento no seio da estrutura municipal de atração de investimento (InvestPorto), enfatizando o talento criado na região e atraindo talento nacional e internacional”.

3) “Sustentar um ecossistema de empresas locais nas áreas dos serviços e da indústria, permitindo a criação de empregos para pessoas com diversos perfis e áreas de conhecimento, contribuindo assim para a coesão social na cidade.

4) “Reforçar o posicionamento aberto, cosmopolita e inovador da cidade em termos económicos — a Câmara assume-se como um articulador, orquestrador e agilizador — , exponenciando assim a capacidade de crescimento da cidade ser endógena e sustentável em termos económicos e financeiros”.

5)Retirar o máximo partido dos instrumentos de natureza fiscal ao dispor do município, por forma a contribuir para que os objetivos estratégicos de política de desenvolvimento da cidade a tornem o mais atrativa possível a quem nos procura como polo de criação de emprego e de riqueza”.

6) “Aumentar o investimento no eixo estratégico — informação, inteligência competitiva e assistência técnica, na esfera da Divisão Municipal Desenvolvimento Económico e Atração de Investimento –, no sentido de cimentar de forma definitiva o posicionamento internacional do Porto como cidade relevante para o investimento empresarial”.

7)Fomentar a eficácia da diplomacia económica, projetando ainda mais a cidade em termos internacionais, promovendo e exponenciando o seu potencial.

No capítulo dedicado ao turismo, Moreira destaca a necessidade “de manter um esforço constante de profissionalização na forma como se recebe os turistas, aumentando os níveis de customer care e o leque de idiomas utilizados, com foco especial no francês e no alemão”. E aposta em levar o turismo para fora do do eixo central Baixa – Ribeira, “desde a Foz a Miragaia, de Massarelos a Ramalde, sem esquecer a zona oriental da cidade.”

Nos transportes, já aparecem medidas mais concretas, nomeadamente “corredores de autocarro de alta qualidade, em complementaridade à rede de Metro, nos eixos: Av. Fernão de Magalhães (Praça Francisco Sá Carneiro/Campo 24 de Agosto) e Constituição/Damião de Góis”. E ainda “consolidar a rede de interfaces da cidade do Porto através da construção do interface do Hospital de S. João e do Terminal Rodoviário das Camélias”.

Recorda ainda o que aí vem em termos de expansão da rede do Metro do Porto, com a “construção de uma nova linha e de quatro novas estações na cidade, num investimento próximo dos 200 milhões de euros e um horizonte de execução de quatro anos”.

Clique aqui para ver o programa completo de Rui Moreira.

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