Nunca houve tanto dinheiro à ordem. Mas rende?

Há casos onde ter o dinheiro numa conta à ordem compensa mais do que aplicá-lo em depósitos a prazo da própria instituição ou de outros bancos.

Nunca houve tanto dinheiro em contas à ordem como agora. São mais de 44 mil milhões de euros, o que corresponde a quase um terço do valor total que os portugueses têm depositado nos bancos nacionais. As famílias preferem assim manter a disponibilidade imediata do seu dinheiro, perante um contexto em que a remuneração dos depósitos a prazo nunca foi tão baixa. Mas há bancos onde o dinheiro parado à ordem rende juros, remunerações que em determinadas situações chegam a superar as taxas oferecidas nos melhores depósitos de muitos bancos, ou mesmo dentro da própria instituição. A melhor taxa chega aos 5%.

Os dados mais recentes do Banco Central Europeu (BCE), indicam que no final de abril os portugueses detinham um total de 44.282 milhões de euros em contas à ordem. Este valor está próximo do máximo histórico traçado no mês anterior, quando este valor chegou a atingir os 44.345 milhões de euros. Trata-se do valor mais elevado de sempre, tendo em conta um histórico da entidade liderada por Mario Draghi que remonta ao início de 2003.

O dinheiro colocado à ordem corresponde a quase um terço face ao bolo total dos depósitos. No total, as famílias têm 141.071 milhões de euros depositados nos bancos. Cerca de 31,4% desse valor está à ordem, o que corresponde à proporção mais elevada desde julho de 2007. Os portugueses preferem assim manter o dinheiro imediatamente disponível, numa altura que as taxas de juro oferecidas nos depósitos a prazo se encontram em níveis historicamente baixos, afastando os aforradores desse tipo de produtos. A remuneração média das novas aplicações a prazo fixou-se em abril, nos 0,32%, um valor ligeiramente face ao mínimo de sempre estabelecido no mês anterior. Em março, a taxa média tinha-se fixado nos 0,31%.

Ainda recentemente Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, chamou a atenção para o facto de os portugueses terem tanto dinheiro nas contas à ordem. “Nunca houve tanto dinheiro à ordem em Portugal”, assinalou o responsável durante um jantar debate no ISEG, justificando-o precisamente com a situação das baixas taxas de juro oferecidas pelos bancos nos depósitos bancários, e revelando a sua preocupação com as consequências que daí podem advir. Segundo Paulo Macedo, face à fraca remuneração dos depositantes, os portugueses acabam por preferir consumir, baixando os níveis de poupança existentes. Contudo, em determinados casos ter o dinheiro à ordem pode compensar mais do que tê-lo aplicado em depósitos a prazo.

Numa ronda por 16 instituições, o ECO identificou seis bancos que disponibilizam contas à ordem remuneradas. A melhor taxa é oferecida pelo Bankinter, onde a domiciliação o ordenado rende uma taxa de juro bruta de 5%, no primeiro ano, a quem domicilie o ordenado. No segundo ano, a taxa de juro baixa para 2%, e é nula nos anos seguintes. A remuneração oferecida pelo Bankinter não só bate a disponibilizada por qualquer um dos depósitos a prazo da instituição, como as dos restantes bancos que operam em Portugal.

A oferta de uma rentabilidade desta deste nível numa conta à ordem e que bate a concorrência poderá ser justificada pela vontade de o Bankinter em alimentar a sua carteira de clientes em Portugal. De recordar que o banco opera em Portugal apenas desde há cerca de um ano, quando ficou com os ativos do retalho que eram do Barclays.

A necessidade de cativar novos clientes é um facto que também estará por de trás das restantes instituições que se mostram disponíveis a remunerar o dinheiro dos portugueses que está à ordem. Basta ter e conta que os restantes cinco bancos que remuneram o dinheiro depositado à ordem terem uma dimensão reduzida ou estarem a operar em Portugal há pouco tempo. Para além do Bankinter, também o Banco BNI Europa, o banco Invest, o Banco Atlântico Europa, o BiG e o Popular disponibilizam contas à ordem remuneradas.

Entre as contas à ordem remuneradas, o BiG e o Popular apresentam as taxas de juro menos atrativas. No caso do banco online ter o dinheiro depositado na “Super Conta” rende 0,1%, em termos brutos. A mesma taxa é oferecida em depósitos superiores a 50 mil euros. Em valores entre 10 mil e 50 mil euros a taxa cai para 0,05%. Apesar de ser uma taxa reduzida, ultrapassa por exemplo a remuneração que é disponibilizada no BPI. Nesse banco, os depósitos a prazo rendem 0%.

Abaixo, conheça as seis contas à ordem que pagam juros, bem como os requisitos necessários para ter direito a essas remunerações.

5%! Ninguém dá mais, mas só no primeiro ano

O Bankinter apresenta a remuneração mais atrativa nas contas à ordem, mas para tal é necessário que o cliente domicilie o ordenado no banco. A quem subscreva a “Conta Mais Ordenado”, a instituição financeira espanhola que entrou em Portugal há cerca de um ano remunera as quantias lá aplicadas com uma taxa de juro de 5%, uma taxa que bate a oferta de depósitos a prazo de qualquer banco. O único senão, é que esta remuneração apenas é válida no primeiro ano. No segundo ano, a taxa de juro é revista em baixa, para os 2%, sendo que depois desse prazo passa a ser de 0%.

“Remuneração semestral calculada sobre os saldos diários da ‘Conta Mais Ordenado’, até um limite máximo de saldo diário de 5.000 euros, durante os dois primeiros anos de vigência do contrato a contar da data de adesão”, explica precisamente o Bankinter no seu site. Para beneficiar destas remunerações, o cliente precisa de domiciliar um ordenado no mínimo de 800 euros, proceder à domiciliação de despesas domésticas, com pelo menos um movimento de débito por mês, e aderir ao cartão de crédito.

1%, dos mil aos cinco mil

Precisa apenas de 100 euros para aderir à “Conta à Ordem Remunerada” do BNI Europa, mas para ter direito a receber juros necessita depositar pelo menos mil euros. A partir desse valor e até ao limite de cinco mil euros, o banco angolano paga 1% de juros nesta conta à ordem. Fora deste intervalo não há direito a remuneração. O cálculo dos juros é feito diariamente, sendo o respetivo valor pago no final de cada mês.

Qualquer saldo vale 0,7%

A “Invest Money Box”, do Banco Invest, propõe um depósito à ordem para o qual devem ser criados débitos diretos de outras contas. “Através da sua conta no Banco Invest, cria um esquema de transferências regulares onde, com a regularidade escolhida, credita a sua ‘Conta Invest Money Box’ com o montante que determinar”, refere a instituição financeira. Neste produto, o banco propõe uma taxa de juro bruta de 0,7%, independentemente do saldo (os débitos não podem superar os 30 mil euros). Os juros da conta são calculados diariamente, sendo os juros depositados na conta ao final de cada mês.

Poupança à ordem vale juros de 0,2%

O banco angolano “Atlântico Europa” dispõe da “Conta Poupança à Ordem”, produto onde dispõe-se a paga uma taxa de juro bruta de 0,2% a quem lá deposite o seu dinheiro. Esta remuneração é independente do saldo da conta e para montantes mínimos de constituição de 100 euros. Já o limite máximo são 100 mil euros. “Os juros são calculados diariamente sobre a totalidade do saldo”, diz a ficha do produto, sendo estes pagos trimestralmente. Esta conta apenas pode ser subscrita online e para clientes registados no MyATLANTICO esclarece o Atlântico Europa.

Uma “Super Conta” que paga 0,1%

O BiG apresenta a solução “Super Conta”, uma conta à ordem remunerada sem um montante mínimo de constituição. A taxa bruta anual oferecida pelo banco é a mesma para todos os saldos em conta: 0,1%. “Os juros são calculados diariamente sobre a totalidade do saldo, sem arredondamento”, explica o banco na ficha do produto. Contudo, só são “creditados trimestralmente na conta principal do cliente”, acrescenta o banco.

Juros? A partir de 0,05% e só acima de dez mil euros

O Banco Popular disponibiliza a “Conta D.O. Progressivo”, uma conta à ordem que oferece juros diferenciados consoante o valor depositado. Até dez mil euros não há lugar ao pagamento de juros, aplicando-se uma remuneração de 0,05% em montantes entre dez mil e 50 mil euros. Acima deste valor, a taxa de juro sobe para 0,1%. O cálculo dos juros “é determinado com base na taxa de juro que corresponde ao escalão em que se encontre compreendido o saldo médio líquido mantido no total de dias do período”, refere o Banco Popular no seu preçário para explicar o método de cálculo da remuneração oferecida por este produto. O pagamento dos juros é feito numa base mensal, estando a conta disponível apenas em constituições mínimas de 2.500 euros.

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