A chave do sucesso da HomeIt? Deitar as chaves fora

  • ECO
  • 15 Maio 2017

Para a HomeIt, as chaves são só um acessório: as portas abrem-se com um telemóvel. É um produto português que se está a tornar popular na área do alojamento local e quer habitar ainda mais lares.

O Airbnb está a crescer em Portugal — e há uma startup portuguesa para a qual estas portas se abrem de par em par. A HomeIt convida os turistas a entrarem nas casas que alugam… só com a ajuda de um telemóvel, que nem precisa de ser um smartphone. Um produto que vem simplificar o alojamento local e entra neste mercado com chave de ouro.

André Roque vivia em Londres quando decidiu investir num apartamento em Lisboa. Com a ajuda de um amigo, encarregue da manutenção do apartamento e de entregar as chaves, este parecia um bom negócio. Rapidamente, o simples se tornou insustentável: as horas irregulares das chegadas e partidas, os hóspedes que perdiam as chaves…uma fonte de stress que pedia soluções. O André tentou: escondeu as chaves em pontos estratégicos da cidade combinados com os hóspedes, mas frequentemente se perdiam; um smartlock à distância, mas não abria a porta do prédio.

Não havia uma solução fácil, por isso André decidiu construí-la. Contactou um engenheiro em Lisboa para a desenvolver. Entre 2015 e 2016, os quatro fundadores da HomeIt foram formando o molho: a André Roque juntaram-se Pedro Mendes e Carlos Silva, ambos engenheiros, e Pedro Viana, que trabalhava para a Google Maps em Londres. André deixou o ofício de consultor de cyber segurança na capital inglesa e dedicou-se a desbloquear o potencial deste novo negócio.

Assim nasceu a homeItBOX, o produto da HomeIt. Tal como o nome indica, uma caixa. Arruma-se, convenientemente, no interior da habitação, onde se liga não só à fechadura como ao intercomunicador, apoiada por um transformador e um router. Ocupa pouco espaço, mas poupa muito tempo: permite que o hóspede, o anfitrião e a pessoa encarregada da manutenção tenham acesso imediato ao imóvel através de uma SMS ou, mais recentemente, da app. Veremos o papel de cada um dentro desta família.

Está tudo nas mãos dos arrendatários…

São eles que solicitam o serviço. Não existem parcerias entre a Homeit e as principais plataformas de arrendamento, o Airbnb e o Booking. A mensalidade é de 19,99 euros, quantia à qual acresce um custo fixo de instalação. A mensalidade pode decrescer consoante o número de casas nas quais o sistema seja instalado e existem ainda promoções para quem possa pagar adiantado. A HomeIt instala. A seguir, os arrendatários vão criar as chaves – online – e inscrever os clientes que querem receber: um perfil com nome, número de telefone, datas de entrada e saída. São dados que agora migram automaticamente das plataformas de alojamento.

…Até os hóspedes pegarem no telemóvel

Os hóspedes podem escolher entre a modalidade SMS ou app. Depois, recebem instruções sobre como abrir a porta. No caso da SMS, o hóspede envia uma mensagem de cada vez que a quer abrir e ela destranca automaticamente. A app é recente e ainda só está disponível em IOS, mas apresenta muitas vantagens em relação à SMS. Primeiro de tudo, não tem custos. Depois, tem novas funcionalidades, como um serviço GPS.

E se o telemóvel não funcionar? Por mais inseparáveis que as pessoas sejam do seu telemóvel, também é possível que aconteçam azares: perderem-no, ficarem sem bateria, não terem sinal por ser um país estrangeiro. Nesse caso, ninguém fica fora de casa: a solução é o teclado que se instala em ambas as portas (do condomínio e de casa) e onde o hóspede pode inserir o código associado à sua chave. Novo hóspede, novo código: o acesso limita-se ao tempo da estadia. Ou para evitar o teclado, um contacto com o arrendatário através de outro telefone seria suficiente para este abrir a porta à distância. Para além do mais, se tudo falhar, pode ainda recuar-se para a saída tradicional: a fechadura e respetivas chaves da casa continuam a funcionar independentemente do sistema.

A Caixa de Pandora

“Eu próprio uso o produto na minha casa e não uso chaves”, revela o fundador André Roque. Mas olhando para o mercado, existem questões que poderiam travar o crescimento da empresa. André esclarece porque é que nenhuma delas o preocupa.

Em termos da segurança, “não tem sido uma barreira comercial porque os anfitriões e os hóspedes confiam no produto”, que garante ser “seguro”. Quanto às pressões que o Bloco de Esquerda e a indústria hoteleira têm exercido para limitar o alojamento local, André responde: “Somos um negócio B2B, portanto temos todo o interesse em que haja uma regulação forte na atividade, de forma a evitar problemas” e reafirma o foco nas estadias curtas sem receio.

Por fim, a concorrência não apresenta produtos suficientemente semelhantes para serem uma ameaça. Uma das grandes vantagens da HomeIt é não exigir que se substitua a fechadura, como é o caso na maioria dos hotéis. Na Alemanha, existe uma tecnologia parecida mas focada no serviço de entregas ao domicílio. O mais parecido seria o produto do August Smart Lock, que até tem uma parceria com o Airbnb. Mas “em Portugal e na Europa não funciona porque não fazem a instalação”, adianta um dos colaboradores, Fábio Martins.

Novas portas que se abrem

É já no próximo mês de junho que a HomeIt irá lançar uma campanha de crowdfunding na plataforma luso-britânica Seedrs, com o objetivo de angariar 250.000 euros em cerca de 45 dias, quantia que permitirá a concretização de novos objetivos. A entrada em bolsa através de programas como a Techshare, lançados pela Euronext para captar PMEs, “não faz sentido” para André Roque, porque “há alturas certas” e não será agora, quando a empresa tem pouco mais de um ano. Quanto à opção de entrar no mercado secundário da Seedrs, ainda não existe uma opinião formada, será uma questão a analisar.

A campanha de crowdfunding é uma viagem a dois: a HomeIt contratou outra startup, a britânica Tribefirst, para garantir o sucesso da angariação de investidores mas também um aumento da visibilidade da empresa, a grande vantagem que André vê neste tipo de financiamento em relação às restantes opções. O objetivo é que os anfitriões do Airbnb tomem conhecimento desta campanha, pois serão à partida dos mais interessados no crescimento da HomeIt. E mesmo que não se tornem investidores, sempre podem tornar-se clientes — ou ambos. O ideal seria captar mais de 100 investidores, sendo que a Tribefirst aposta mais no interesse da população inglesa, muito mais presente na plataforma do que a portuguesa.

Segundo John Auckland, o fundador da Tribefirst, “uma empresa tem sucesso quando se acredita no projeto” e por isso mesmo, os investidores serão convidados a fazer um vídeo sobre os motivos que os levam a acreditar na Homeit, de forma a tomarem uma maior consciência do seu investimento e para que outros possam refletir sobre o potencial que encontraram na empresa.

No caso da campanha na Seedrs ser bem-sucedida, André planeia bater às portas de Barcelona e depois Paris (dependendo do volume angariado) ainda este ano. Em 2018, outros destinos estão na agenda, mas para já são um segredo guardado a sete chaves.

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