Crédito à habitação tem melhor ano desde 2010

No ano passado a concessão de crédito à habitação cresceu 44%, para ascender a perto de 5,8 mil milhões de euros.

Quem casa quer casa. Quem quer casa quer crédito. E os bancos estão a cumprir. Dados divulgados esta manhã pelo Banco de Portugal indicam que, em 2016, os empréstimos para a compra de casa ascenderam ao valor mais elevado desde antes da crise financeira. Este aumento acontece num período em que os bancos também têm vindo a aliviar os spreads no financiamento deste tipo de operações, de forma a cumprir com os objetivos da política do Banco Central Europeu (BCE) que promove a injeção de liquidez no mercado por parte dos bancos.

De acordo com os números divulgados pela entidade liderada por Carlos Costa, nos 12 meses do ano passado, os bancos disponibilizaram 5.790 milhões de euros em crédito à habitação. Esta quantia representa um crescimento de 44,28% face aos 4.013 milhões de euros que tinham sido disponibilizados no ano anterior. É também o valor mais elevado desde 2010, imediatamente antes do desencadear da crise financeira. Nesse ano, os bancos tinham concedido mais de dez mil milhões de euros em crédito à habitação.

Crédito à habitação continua a subir

Em 2016 foi assim dado seguimento à recuperação do mercado de crédito à habitação que segue em paralelo com as melhorias do setor imobiliário em geral, com os montantes da concessão desta categoria de empréstimos a registarem o quarto ano consecutivo de subidas. Por de trás da subida da concessão de crédito à habitação estão os juros historicamente baixos, que representam um incentivo para os bancos apostarem nesse segmento. Prova dessa aposta são os spreads que têm vindo a ser consecutivamente revistos em baixa. Raros são os meses em que não haja uma ou duas instituições financeiras que reveem em baixa o spread mínimo que aplicam na concessão de crédito à habitação. Há também bancos a entrar neste mercado, como foi o caso do Banco CTT que recentemente também passou a disponibilizar este tipo de financiamento.

A finalidade de aquisição de compra de casa é o principal motor que alimenta o crescimento dos níveis de concessão de crédito às famílias, em Portugal, num cenário para o qual o crédito ao consumo também contribui. No ano passado, a nova concessão de crédito com essa finalidade ascendeu a 3.805 milhões de euros, um montante que representa um aumento de 20,6% face aos 3.155 milhões de euros que tinham sido disponibilizados no ano anterior. Seria necessário recuar ainda mais no tempo do que no caso do crédito à habitação para assistir no consumo níveis de nova concessão mais elevados. Apenas em 2008, foi concedido mais crédito ao consumo do que em Portugal, com a retoma do crédito ao consumo a revelar a crescente confiança das famílias portuguesas relativamente à saúde da economia.

Em contraciclo, de salientar a quebra dos empréstimos com outros fins concedidos aos particulares. No ano passado foram concedidos 1.862 milhões de euros de empréstimos com essa fim, menos cerca de 12% face aos 2.111 euros que tinham sido disponibilizados no mesmo período de 2015. Trata-se ainda do valor acumulado mais baixo desde o início do histórico do BCE que remonta ao início de 2003. Em termos globais, o crédito aos particulares aumentou 23,5%, este ano, para um total de 11.457 milhões de euros, o montante mais elevado desde 2010.

Crédito às empresas em queda

A recuperação nos níveis de concessão de crédito não são, contudo, acompanhados pelo setor empresarial. Os dados do banco de Portugal indicam que ao longo dos 12 meses do ano passado, o novo crédito às empresas recuou 11,76%, para totalizar 29.836 milhões de euros, o que compara com os 33.812 milhões de euros concedidos em 2015. A quebra foi transversal às pequenas e grandes empresas, demonstrando que o segmento empresarial não está a tirar o devido partido da política expansionista do BCE.

Aliás, nunca como em 2016 os bancos concederam tão pouco crédito às empresas, uma quebra que tem sido atribuída não à escassez de oferta de financiamento, mas sim à falta de procura. As empresas continuam assim a mostrar-se reticentes em avançar com o investimento na sua atividade.

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