Consórcio de António Esteves oferece 15 mil milhões pelo malparado da banca

  • ECO
  • 25 Janeiro 2017

Um consórcio liderado por António Esteves propôs ao Governo e ao Banco de Portugal pagar 15 mil milhões de euros para ficar com o malparado da banca nacional, diz o Público.

Um total de 15 mil milhões de euros é quanto poderá custar limpar a carteira de malparado dos bancos portugueses. Este é o montante que a sociedade Vieira de Almeida e a Deloitte, em conjunto com António Esteves, antigo partner do Goldman Sachs, estão dispostos a pagar para resolver os cerca de 30 mil milhões de euros de crédito malparado que a banca nacional detém, segundo avança o Público na edição desta quarta-feira (acesso condicionado).

Em outubro último, com base em informação prestada na altura por fontes próximas do processo, o ECO já tinha apurado que este mesmo consórcio tinha avançado com uma proposta ao Governo e ao Banco de Portugal para retirar a carteira de malparado do sistema bancário português, que tanta preocupação tem gerado. O Público avança agora o montante que este consórcio terá oferecido, numa proposta ainda informal, ao Executivo liderado por António Costa e ao supervisor da banca nacional.

Achamos que podemos resolver o problema do crédito malparado, que está a carregar os balanços dos bancos portugueses, sem dar qualquer tipo de remuneração, e impondo uma estrutura pesada e onerosa para os gerir”, frisou ao Público António Esteves, o português que representa um consórcio internacional apoiado num grande banco de investimento. “Entregámos uma proposta fechada e totalmente de mercado, sem ónus para o setor”, acrescentou. A operação, que contempla um investimento em títulos emitidos com garantia pública (o que não é considerado auxílio estatal), “é privada e altamente flexível”, e prevê, por exemplo, “contribuições para fundos de recapitalização de pequenas e médias empresas” ou a transformação de dívida em capital, segundo o ex-partner do Goldman Sachs.

Segundo apurou o ECO há três meses, os detalhes da proposta que a Vieira de Almeida e a Deloitte levaram ao Banco de Portugal e ao Governo passam pela aquisição dos ativos não rentáveis líquidos de provisões ao preço a que estão no balanço para evitar a necessidade de reforço de capital. E, posteriormente, o contrato com os bancos que aderirem ao acordo deverá prever cláusulas de indemnização ou até de transformação em capital equivalente ao valor dos ativos que os fundos não conseguirem recuperar. Esta fórmula permitiria ultrapassar o impacto nos balanços dos bancos e daria tempo que, neste contexto, vale dinheiro. De acordo com outra fonte, este modelo exigirá mudanças legislativas.

De acordo com informações recolhidas pelo ECO também nessa ocasião, o consórcio liderado por António Esteves não seria o único a desenvolver contactos com o Governo e o Banco de Portugal para adquirir a carteira de crédito malparado da banca nacional.

Marcelo Rebelo de Sousa, na sua primeira entrevista após um ano no cargo, sublinhou a importância de resolver o problema do crédito malparado (non performing loans, NPL), de modo a “libertar as instituições de ativos problemáticos, na medida do possível, mas sem onerar os contribuintes”. “Daí estar a ser estudada uma solução com os privados”, disse o Chefe de Estado, na entrevista à SIC, uma solução analisada por Frankfurt, Comissão Europeia e Banco de Portugal.

BdP tem recebido “contributos e propostas” de vários “operadores”

O Banco de Portugal (BdP), em reação a esta proposta, disse à Lusa que tem recebido “contributos e propostas” de “operadores de mercado, investidores potenciais e consultores” relativamente ao crédito malparado na banca, encontrando-se “a trabalhar com o Governo” nesta matéria.

“É do conhecimento público que o Banco de Portugal e o Governo têm vindo a trabalhar com vista à redução dos impactos negativos sobre o sistema financeiro e a economia do peso excessivo dos ativos não produtivos no balanço dos bancos. Há diversos operadores de mercado, investidores potenciais e consultores que têm feito chegar às entidades responsáveis os seus contributos e propostas”, refere o BdP, acrescentando: “O trabalho vai continuar”.

 

Contactada pela agência Lusa, fonte oficial do Ministério das Finanças não quis comentar.

Artigo atualizado com a reação do Banco de Portugal

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