Marcelo: “Portugal já está a reestruturar a dívida”

Portugal já está a reestruturar a dívida pública, sublinha o Presidente da República. Mas o processo "não pode ser uma posição insensata e unilateral", alerta na sua primeira entrevista.

O tema é caro à esquerda. Marcelo Rebelo de Sousa garante que Portugal já está a reestruturar a dívida ao substituir os títulos por prazos mais longos e por juros mais baixos.

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Temos um montante de dívida elevado“, reconhece o Presidente da República na sua primeira entrevista como Chefe de Estado.

“Temos uma evolução recente que tem aspetos mais complicados do que outros, não é homogénea”. Mas, reconheceu, “o importante é que houve uma gestão que começou no Governo anterior, e que continua, de rotação de dívida: substituir dívida por dívida de mais longo prazo e de juros mais baixos. “Isto é reestruturação de dívida”, afirma de modo perentório depois de os jornalistas da SIC lhe terem apontado o facto de ignorar a dívida na análise que estava a fazer à economia do país.

E para lidar com o problema da dívida pública o Chefe de Estado deixa algumas pistas:

  1. “Diminuir consistentemente o défice”, o que “está a acontecer”;
  2. Fazer crescer o investimento. Está a acontecer a um ritmo insuficiente, tem de ser mais acelerado”;
  3. “Aumentar a formação de poupança, sem dúvida”;
  4. Ir reestruturando pacificamente a dívida, em prazos e em juros, que está a ser feito”;
  5. “Ter permanentemente presente um diálogo com os nossos parceiros europeus, porque isto não pode ser uma posição insensata e unilateral, tendo presente a evolução do mundo, da Europa (que é complexa) e, em função disso estudar a melhor maneira, condições para que os mercados, tal como tem acontecido, reconheçam a evolução positiva. A saída, por exemplo do processo por défices excessivos é uma ajuda”.

O Presidente da República defendeu ainda que “é fundamental que o Governo continue esta política”, até porque “o montante de dívida bruta aumentou, com uma descida ligeira no final de 2016”. “Se compararmos com a dívida pública dívida líquida”, Marcelo garante, “o panorama é menos grave”.

Isto [a reestruração da dívida] não pode ser uma posição insensata e unilateral.

Marcelo Rebelo de Sousa

Presidente da República

Menos grave, aos olhos do Presidente, também parece ser a situação económica do país. O Chefe de Estado diz que “vale a pena ter os números fechados de 2016”, para tal é necessário esperar mais cerca de três semanas, para poder avaliar se, efetivamente, o “caminho alternativo deste Governo e seus apoiantes parlamentares, correspondeu ou não às expectativas”.

Mas, tudo aponta para que, no quarto trimestre de 2016, a tendência de aceleração da economia se consolide, disse, citando os números que já se conhecem do final do ano passado. Marcelo precisou mesmo que “admite a hipótese” de o crescimento ter ficado o ano passado no 1,3 ou 1,4%, acima dos 1,2% inscritos pelo Governo no Orçamento do Estado para 2017 — que foram uma revisão em baixa relativamente aos 1,8% inicialmente previstos — e que o défice orçamental deverá mesmo ficar abaixo de 2,3%, ou seja, um desempenho melhor do que aquele que o primeiro-ministro anunciou no último debate quinzenal.

Marcelo lembra ainda os que diziam que, “matematicamente, ia ser impossível cumprir o défice”. Mas, “por mérito dos portugueses, do Governo, mas também do Presidente” isso foi conseguido. “Não sei mesmo se não ficará nos 2,2%”, disse Marcelo, recordando: “Contra mim mesmo, quase apostava que o défice não ia abaixo de 2,5%”. “Isto era impensável no início do ano passado”, conclui.

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