Pedro Nuno Santos: “O PS nunca mais vai precisar da direita para governar”

O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares está focado na esquerda portuguesa, garantindo que à direita não há espaço para acordos de governação. Mas pode haver acordos em algumas matérias.

Os socialistas estão confiantes de que não vão precisar mais do PSD para governar. Quem o garante é o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, o responsável por manter a gerigonça oleada. Pedro Nuno Santos, em entrevista ao Jornal Económico, afirma que a democracia portuguesa está numa fase diferente e desvaloriza a tensão criada à volta da TSU, cuja redução pode cair na próxima semana.

“O PS nunca mais vai precisar da direita para governar. É uma vitória muito importante”, garante o braço-direito de António Costa, argumentando que a democracia “nasceu centrada à esquerda”. Neste momento está a nascer “uma nova fase de negociação à esquerda” que é o próprio quem lidera. No entanto, Pedro Nuno Santos admitiu ter existido uma reunião esta semana com o PSD e não fecha por completo consensos alargados: “Isso não impede que nós possamos ter acordos com o PSD em algumas matérias. Já aconteceu no passado”.

A descida da Taxa Social Único é o tema polémico do momento, mas o responsável pela concertação entre PS, BE, PCP e Os Verdes rejeita a existência de um confronto. “Não houve um confronto entre nós e os nossos parceiros na questão da TSU“, garante. Para Pedro Nunos Santos, a questão é outra: “Estamos habituados a olhar para o Parlamento como uma continuação do Governo. Ao longo dos anos temos tido parlamentos governamentalizados. Mas não é o que temos hoje, e isso não diminui a nossa democracia”.

Para o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, esta reviravolta na democracia portuguesa torna-a mais forte. “Temos um Governo que faz o que lhe compete, e no caso da TSU o Governo participou numa negociação onde estão os parceiros sociais e o Governo, e agora há uma segunda fase que é no Parlamento, onde cada grupo parlamentar assumirá as suas responsabilidades com naturalidade”, argumentou o socialista.

A apreciação parlamentar acontece já dia 25, na próxima quarta-feira. Caso se confirme a aprovação da cessação da vigência, o decreto-lei que reduz a TSU para os patrões em 1,25 pontos percentuais deixa de entrar em vigor no dia 1 de fevereiro.

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