O banco de fomento existe? Sim. E faz chegar à economia 1,1 mil milhões

UOY e Medical Port são as duas empresas que já receberam investimento de business angels potenciado, indirectamente, pela IFD. Banco grossista já disponibiliza 1,1 mil milhões de euros.

A Instituição Financeira de Desenvolvimento, mais conhecida por todos como banco de fomento, já está no terreno e, no final de 2016, aprovou os primeiros dois investimentos em capital próprio. UOY – Uncover the Original YOU e Medical Port foram as duas empresas selecionadas. Em causa está um investimento total de 160 mil euros.

Estes dois investimentos resultam do concurso lançado a 11 de maio de 2016 para Business Angels e que avançou com uma dotação de 18 milhões de euros (aos 18 milhões da IFD acrescem 12 milhões dos privados). Manifestamente pouco para a afluência de candidaturas. Até por isso foi aberto, a 4 de janeiro, uma segunda fase, novamente com 18 milhões da IFD, aos quais vão acrescer 12 milhões dos privados.

Estes concursos destinam-se a escolher entidades veículo de Business Angels — no caso destes dois investimentos, a Semeia Ventures e a Busy Angel — que, por sua vez, investem diretamente nas empresas. Este é o modelo obrigatório, tendo em conta que a IFD é uma instituição grossista e como tal não pode emprestar diretamente às PME.

Tal como o ECO já tinha avançado, em outubro, a Semeia Ventures foi a empresa que recebeu melhor classificação no concurso. O objetivo, disse ao ECO, Paulo Pinho, “é agarrar num negócio tradicional e elevá-lo à era digital”. É isso que a Semeia Ventures faz. Esta venture builder investe em startups portuguesas que transformam indústrias tradicionais em negócios digitais. Além disso, assenta a sua intervenção na capacidade de desenvolver aceleradamente o negócio, através de uma fórmula de combinar marketing, business development e tecnologia, para alinhar a ideia e modelo de negócio com o mercado que vai servir.

Agora vão ser investidos 100 mil euros na UOY, uma marca de moda masculina cuja proposta é fazer fatos, blazers e camisas à medida a partir de catálogos com os melhores tecidos, nomeadamente Loro Piana. Hoje em dia inclui também acessórios e sapatos, direcionando-se para ter todo o leque de produtos, que podem integrar a mala do Executivo. A experiência é enriquecida por um Personal Tailor, que aconselha e mede, criando um laço com os clientes replicando o modelo dos alfaiates. Assim cada peça é única, não só no corte, mas também nos detalhes. Este serviço pode ser prestado no “Estúdio UOY”, na Embaixada, no Príncipe Real.

Já a Medical Port é um operador único de medical travel dedicado a servir estrangeiros que procuram cuidados médicos de excelência na Península Ibérica que vai receber 60 mil euros da Busy Angel, uma sociedade de investimento em capital de risco focada no investimento em startups inovadoras ainda num estágio de desenvolvimento inicial. Tem atualmente cerca de 20 participadas em portfolio nas áreas de IT, Ciências da Vida e Bens de Consumo.

Estes investimentos são feitos através do Fundo de Capital e Quase-Capital (FC&QC), que tem autonomia administrativa e financeira, que tem por objetivo criar ou reforçar instrumentos financeiros de capitalização de empresas, em particular, nas fases de criação de empresas e de arranque (startup, seed, early stages). O fundo também apoia empresas com projetos de crescimento, orgânico ou por aquisição, e/ou reforço da capacitação empresarial para a internacionalização e para o desenvolvimento de novos produtos e serviços ou com inovações ao nível de processos, produtos, organização ou marketing, entre outras. A IFD é a sociedade gestora deste fundo que conta com um capital inicial de 146,9 milhões de euros provenientes dos programas operacionais COMPETE 2020, Norte 2020, Centro 2020, Alentejo 2020, Lisboa 2020 e Algarve 2020.

Nas próximas semanas, o número de operações vai multiplicar-se tendo em conta que este concurso já está fechado e é expectável que novos investimentos sejam contratados.

Assim, no final de 2016, a IFD estava a fazer chegar à economia 1,1 mil milhões de euros. Os 30 milhões para os Business Angels; 40 milhões numa linha de capital reversível, um projeto piloto só para o Norte; e mil milhões de euros numa linha de crédito com garantia mútua para investimento e fundo de maneio e que vai funcionar em complementaridade com a nova Linha de Crédito Capitalizar, que vai ser lançada segunda-feira como o ECO avançou.

“Mesmo não considerando eventuais dotações para o Fundo de Transformação Empresarial (FTE), tudo somado, a IFD já tem hoje disponíveis 1,1 mil milhões de euros, com operações concretas às empresas, e irá ter até, ao final de 2017, provavelmente ainda no primeiro semestre, pelo menos, cerca de 2,8 mil milhões de euros disponíveis para financiamento das empresas portuguesas, entre soluções de dívida e de capital próprio”, sublinha o CEO da IFD José Fernando Figueiredo. “Consideramos que será um volume já significativo no panorama do financiamento da microeconomia e das empresas em Portugal, em especial pelas soluções de capitalização disponibilizadas, que tanta falta fazem no nosso país”.

Problemas com Capital de Risco resolvidos nas próximas semanas

O dinheiro da IFD também vai chegar a mais empresas muito em breve — semanas –, mas desta feita através de instrumentos de capital de risco. Outro dos concursos lançado em maio destinava-se a este segmento, mas acabou por se arrastar, porque alguns participantes contestaram os resultados naquilo que se transformou num imbróglio jurídico.

Alguns candidatos pediram a publicação dos resultados ao abrigo das regras dos concursos públicos, mas pouco comum nas rondas de investimento, tal como o ECO avançou em novembro. O Governo e a IFD tiveram de pedir pareceres jurídicos porque eram contra a divulgação de informações confidenciais. Mas foram obrigados a publicar no site, embora numa área apenas acedível pelos concorrentes. O prazo para contestar as decisões já terminou e estão, neste momento, a ser analisadas as reclamações de alguns candidatos às pré-classificações que lhe foram atribuídas.

A contestação é justificada pelo facto de a qualidade das candidaturas ser “muito boa”, apurou o ECO, sendo que muitos projetos estão separados apenas por centésimas. A dotação de 100 milhões disponibilizada pela IFD — aos quais acrescem 130 milhões dos privados — é pouca para a manifestação de interesse. Por isso, a IFD pediu ao Executivo para reforçar a dotação do concurso, mas a resposta foi negativa. O Governo quer ver primeiro os resultados deste concurso antes de avançar para um novo.

Quando estes investimentos forem colocados no terreno, a IFD estará a fazer chegar à economia 1,3 mil milhões de euros.

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