HSBC planeia mover já operações de Londres para Paris

Segundo o chairman do banco, outras instituições podem estar a preparar medidas para breve. "Vai começar praticamente logo quando for acionado o Artigo 50", previsto para março, disse Douglas Flint.

O chairman do HSBC assumiu perante uma comissão do Parlamento britânico que vários bancos incluindo o que dirige poderão começar a aplicar os seus planos de contingência para o Brexit já em março, quando se der início oficialmente às negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia.

No caso do HSBC, afirmou Douglas Flint, o banco poderá mover cerca de mil trabalhadores da City de Londres para Paris, de forma a manter a sua presença na União Europeia. Citado pelo The Guardian, Flint realçou a incerteza e confusão acerca dos planos do Governo britânico para a saída da UE, o que levaria alguns bancos, especialmente “aqueles que não tenham já infraestruturas na Europa”, a agir o mais depressa possível para se estabelecerem noutras cidades, fora do Reino Unido.

“O ecossistema de Londres é uma espécie de torre de Jenga, não se sabe, se se puxar uma peça pequena, se não vai acontecer nada ou se vai ter um impacto dramático”, disse Douglas Flint. O HSBC em particular está “talvez numa posição melhor do que os restantes, tendo já um banco totalmente operacional em França e, portanto, com uma ação já na União Europeia”, continuou Flint, de acordo com o Huffington Post, e quando lhe foi pedido que esclarecesse a dimensão da transição do HSBC, não hesitou: “Seriam cerca de mil empregos”.

É o mesmo número que o HSBC referira quando, ainda antes do referendo do Brexit, falara na reação à perspetiva de saída do Reino Unido da UE. O HSBC é apenas um dos bancos com sede na City londrina que Paris tem tentado cativar — a capital francesa quer atrair 20 mil banqueiros durante o processo do Brexit. E não é a única, com Madrid e Frankfurt a fazerem esforços semelhantes.

Na mesma sessão com o comité parlamentar do Tesouro, o CEO da bolsa de Londres, Xavier Rolet, afirmou que o Brexit poderia ter um impacto em contratos “inimaginavelmente grandes” que passam pela City e que poderiam ter de ser transferidos para outro país da União Europeia, reforçando o pedido de um período de transição de cinco anos em que a banca se pudesse ajustar à saída da UE. O período de transição é visto por vários peritos como a única forma de evitar uma perda de milhares de empregos para outras cidades europeias. Para Xavier Rolet, “dois anos é muito pouco tempo”.

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