Pior ar do mundo faz mongóis verem tudo vermelho

  • Bloomberg
  • 2 Janeiro 2017

Governo vai deixar de cobrar eletricidade durante a noite para incentivar diminuição de aquecedores a carvão.

Se acha que o ar da China está poluído, pense outra vez e veja o que está a acontecer na Mongólia. Os níveis de poluição no ar subiram para quase 80 vezes o nível de segurança recomendado estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) — um nível cinco vezes pior que o de Pequim durante a semana passada, quando foi registado o pior smog do ano na China.

As fábricas de energia mongóis, que trabalham mais uma hora durante o inverno, lançam fuligem para a atmosfera enquanto o fumo acre das fogueiras a carvão cobre as favelas da capital, Ulaanbaatar, com uma névoa castanha. Os moradores, irritados, estão a organizar nas redes sociais um protesto para 26 de dezembro.

O nível de PM2.5, ou material de partículas finas, presente no ar, segundo a medição por hora, atingiu o pico de 1.985 microgramas por metro cúbico a 16 de dezembro no distrito de Bayankhoshuu, na capital, segundo dados recolhidos pelo governo no websiteagaar.mn. A média diária ficou em 1.071 microgramas no mesmo dia.

A OMS recomenda que a exposição ao PM2.5 seja inferior a 25 microgramas ao longo de 24 horas.

Em Pequim, o pior período de poluição atmosférica do ano levou as autoridades a emitirem o primeiro alerta vermelho de 2016 e a ordenar o encerramento ou a redução da produção de 1.200 fábricas. No início da semana, os níveis de PM2.5 superaram o valor de 400 na capital e, na terça-feira, as autoridades chinesas cancelaram 351 descolagens de aviões devido à visibilidade limitada. A média diária mais elevada da semana passada, registada na quarta-feira, foi de 378. Pior, a leitura de PM2.5 em Shijiazhuang, capital de Hebei, superou os 1.000 microgramas por metro cúbico no início da semana, segundo o Centro Nacional de Monitoramento Ambiental da China.

A contração do crescimento económico da Mongólia e o défice orçamental maior deixaram as autoridades com poucos recursos para combater o smog perigoso.

Tarifa eliminada

Depois do primeiro corte de 50% no preço da eletricidade noturna para incentivar os moradores a aquecerem as casas com aquecedores elétricos em vez de aquecedores a carvão ou outros materiais inflamáveis, que muitas vezes são tóxicos, o primeiro-ministro Erdenebat Jargaltulga anunciou na sexta-feira passada que o custo será totalmente eliminado a partir de 1 de janeiro. A longo prazo, o responsável político quer construir apartamentos para substituir casas provisórias, e implementar medidas para encorajar o aquecimento elétrico e a redução da pobreza para diminuir o ritmo de migração para a capital, segundo um comunicado divulgado pelo governo.

Na quarta-feira, o ministro da Defesa, Bat-Erdene Badmaanyambuu, anunciou que uma ala de 50 camas do hospital militar de Ulaanbaatar será aberta a crianças com pneumonia porque os hospitais da cidade estão com capacidade limitada.

O descontentamento da população em relação à condução do problema da poluição pelo governo tem crescido nas redes sociais, onde os moradores partilham imagens do smog, encorajam métodos de proteção e exigem mais esforços do governo para proteger a população. Na semana passada, muitos mongóis mudaram as suas fotografias de perfil do Facebook para outras a usarem máscaras devido à poluição do ar.

O protesto contra a poluição atmosférica da próxima semana, com encontro marcado na praça central da cidade, Sukhbaatar, é acompanhado por uma campanha de crowdfunding para aquisição de 100 purificadores de ar para hospitais e escolas. A campanha conseguiu juntar cerca de 1.400 dólares em quatro dias.

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